
Igor Mello, O Globo
Preso preventivamente nesta sexta-feira na Operação Jabubi, nova fase da Operação Lava-Jato no Rio, o presidente afastado da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz, experimentou uma evolução patrimonial expressiva, como constatou a Receita Federal. Em um período de sete anos, entre 2007 e 2014, os valores declarados por ele subiram de aproximadamente R$ 497 mil para mais de R$ 5,3 milhões, um aumento de mais de 1.000%.
De acordo com o auditor fiscal Cleber Homem da Silva, Diniz utilizou-se de diversos expedientes para ocultar o crescimento de seu patrimônio. Entre eles, deixou de declarar a compra de imóveis.
De acordo com as investigações da Operação Jabuti, Diniz usou diversos expedientes para desviar recursos do Sesc e do Senac, que também estavam sob seu controle. Cerca de R$ 3 milhões foram lavados com o auxílio dos operadores Carlos Miranda e Ary Ferreira da Costa Filho, indicados pelo ex-governador Sérgio Cabral. Os valores foram repassados para Diniz através da empresa Thunder Assessoria Empresarial LTDA.
— Chamou a atenção a evolução patrimonial do investigado. Ele adquiriu vários imóveis e eles não constavam como declarados. Um imóvel no Leblon, que foi adquirido em 2006 segundo sua ex-companheira, só foi declarado em 2010 com o valor de R$ 88 mil. Hoje está à venda por cerca de R$ 12 milhões — explica.
Cabral e vários membros de sua organização criminosa indicaram funcionários fantasmas que recebiam altos salários na Fecomércio-RJ. Entre os contratados estão a ex-chefe de cozinha do Palácio Guanabara, Ana Rita Menegaz, e a ex-governanta da família Cabral, Sônia Ferreira Baptista.