Bolsa registra pior desempenho semanal desde março de 2020; moeda norteamericana tem maior avanço desde a crise de 2008
O Ibovespa acumulou queda de cerca de 18% na semana seguinte à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No mesmo período, o dólar à vista subiu mais de 9%, em meio à revisão das expectativas dos investidores para a economia brasileira e às incertezas sobre a política fiscal.
Nesta sexta-feira, 30, o principal índice da Bolsa brasileira recuou 0,75%, aos 167.922 pontos. Foi o quinto pregão consecutivo de perdas. Durante a sessão, o indicador oscilou entre 167.008 e 169.185 pontos.
A desvalorização semanal foi a mais intensa desde março de 2020, no começo da pandemia de covid-19. Esse movimento também levou o resultado de outubro para o vermelho, com perda de aproximadamente 9,9%.
As ações da Vale e da Petrobras subiram na sexta-feira e limitaram o recuo do índice. Ainda assim, a cautela com a formação da equipe econômica para o próximo mandato e com a trajetória das contas públicas manteve a pressão sobre os ativos brasileiros.
Dólar registra maior alta semanal desde 2008
O dólar à vista encerrou a sexta-feira com valorização de 1,05%, cotado a R$ 5,44. Ao longo do pregão, a moeda norte-americana variou entre R$ 5,38 e R$ 5,46.
O avanço de 9% na semana foi o maior desde o período encerrado em 24 de outubro de 2008, durante a crise financeira internacional. O euro comercial também subiu na sexta-feira: avançou 1,12%, para R$ 6,08.
Juros futuros também avançam
A pressão alcançou os juros futuros, com investidores exigindo taxas maiores para negociar contratos de diferentes vencimentos. No encerramento dos negócios regulares, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 passou de 14,37%, no ajuste anterior, para 14,48%.
A do contrato para janeiro de 2029 avançou de 14,80% para 14,96%. Para janeiro de 2031, a taxa subiu de 15,15% para 15,26%.
Além das dúvidas fiscais, a valorização do dólar e do petróleo ampliou as preocupações com a inflação. As taxas desses contratos refletem expectativas e condições de mercado, sem representar uma decisão do Banco Central sobre a Selic. Bolsas norte-americanas encerram em queda
O ambiente externo também foi desfavorável às ações.
Nos Estados Unidos, resultados trimestrais abaixo das expectativas de empresas de tecnologia pressionaram as bolsas.
O Nasdaq caiu 2,86%, aos 25.437 pontos. O S&P 500 recuou 1,82%, para 7.579,82 pontos, enquanto o Dow Jones perdeu 1,09%, aos 51.771,14 pontos. Investidores também repercutiram declarações de dirigentes do Federal Reserve, o Banco Central norte-americano, favoráveis à manutenção de uma política monetária restritiva.
Matheus Santos - Revista Oeste
