segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Governo leva mais de 70 pessoas com Lula para a Assembleia da ONU

Lista inclui ministros, assessores e servidores; número total de brasileiros enviados a Nova York pode ser maior


O presidente Lula da Silva, que tenta a reeleição neste ano | Foto: Reprodução/X/@CongressoEmFoco


A comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a estrutura mobilizada pelo governo federal para a passagem do presidente por Nova York envolvem dezenas de pessoas. Pelo menos 73 integrantes do Executivo receberam autorização para viajar à cidade durante a 81ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e eventos realizados no mesmo período.

O número consta de levantamento feito a partir de atos publicados no Diário Oficial da União (DOU) até a sexta-feira 18. A relação reúne ministros, assessores, servidores e integrantes de diferentes órgãos do governo federal.

O contingente, contudo, pode ser maior. Dois despachos autorizam o deslocamento de funcionários do Gabinete Pessoal da Presidência da República e da Assessoria Especial sem informar quantos servidores viajaram. Novas autorizações também podem ser publicadas.

Os 73 nomes não representam necessariamente pessoas que acompanham diretamente o presidente. Parte dos servidores enviados a Nova York participa da Semana do Clima, realizada paralelamente à programação da Assembleia-Geral da ONU. A primeira-dama Janja da Silva também viajou aos Estados Unidos.


Quatro ministros integram a comitiva de Lula 

O Ministério das Relações Exteriores confirmou quatro ministros como integrantes da comitiva de Lula: Mauro Vieira, das Relações Exteriores; Esther Dweck, da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos; Luiz Eloy Terena, dos Povos Indígenas; e Rachel Barros, da Igualdade Racial. 

Outros integrantes do primeiro escalão também estão em Nova York para compromissos relacionados à Assembleia-Geral, mas não necessariamente como integrantes do grupo que acompanha diretamente o presidente.

É o caso do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias. Segundo o ministério, Dias participa de agendas em Nova York de 21 a 23 de setembro.

Neste ano, os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não acompanham Lula. Governadores também ficaram de fora do grupo presidencial. 

Em 2025, seis ministros e dois governadores acompanharam o presidente durante a passagem por Nova York. 


Lula fica dois dias em Nova York

Lula desembarcou em Nova York no domingo 20. A passagem do presidente pelos Estados Unidos será curta. A previsão é que ele deixe o país na terça-feira 22, depois de participar da abertura do debate geral da Assembleia-Geral. Nesta segunda-feira 21, Lula cumpriu uma série de compromissos políticos na cidade. A agenda incluiu e

Encontros com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, que se apresenta como comunista e muçulmano; o senador norte-americano Bernie Sanders; e o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi. 

Na terça-feira, Lula deve se reunir com o secretário-geral da ONU, António Guterres, antes da abertura do debate geral.

Por tradição diplomática, o Brasil é o primeiro país a discursar na Assembleia-Geral. Lula fará o pronunciamento brasileiro e será sucedido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Entre os assuntos previstos para o discurso estão multilateralismo, soberania, conflitos internacionais, combate ao crime organizado e mudanças na estrutura das Nações Unidas, especialmente no Conselho de Segurança. 


Parte da delegação permanece nos EUA 

A saída de Lula não encerra a participação brasileira nos eventos em Nova York. Mauro Vieira permanecerá na cidade para uma sequência de reuniões multilaterais. 

O chanceler participa de encontros de grupos e organismos dos quais o Brasil faz parte. Na quarta-feira 23, Vieira tem prevista participação em reunião da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Na quinta-feira 24, deve presidir uma reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul.


Gastos da comitiva de Lula ainda não estão consolidados 

O número de integrantes mobilizados pelo governo abre outra frente sobre a viagem: o custo da missão brasileira em Nova York. 

Os registros públicos de viagens internacionais podem envolver passagens, diárias e pagamentos distribuídos entre diferentes órgãos da administração federal. Outras despesas da operação presidencial também podem aparecer em bases distintas. 

Como a missão ainda está em andamento, os dados disponíveis neste momento não permitem estabelecer o custo final da presença do governo brasileiro em Nova York. 

O Portal da Transparência disponibiliza informações sobre viagens a serviço do governo federal, incluindo pagamentos, passagens, trechos e períodos de afastamento. 

A consolidação desses registros depois do encerramento da missão permitirá dimensionar quanto foi desembolsado pelos cofres públicos. Até o momento, os atos publicados no Diário Oficial mostram pelo menos 73 pessoas nominalmente autorizadas a viajar para Nova York durante o período da Assembleia-Geral e de eventos paralelos. 

Como há autorizações que não especificam o número de servidores envolvidos, o contingente total pode ser maior.

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Matheus Santos- Revista Oeste