Consumo, crédito, investimentos, importações e empresas foram prejudicados por 46 iniciativas tributárias
Lula participa de um evento de campanha no bairro Liberdade, na Bahia - Foto: João Aurelio/NurPhoto/Reuters
Comprar produtos em plataformas on-line, buscar crédito ou abastecer
o carro ficou sujeito a novas regras tributárias desde 2023. O governo
Luiz Inácio Lula da Silva aumentou alíquotas, retomou cobranças e
reduziu benefícios fiscais nesses e em outros setores.
A pedido da Revista Oeste, o Instituto Livre Mercado examinou as mudanças tributárias adotadas desde o início do terceiro mandato de Lula. O levantamento encontrou 46 medidas implantadas ou anunciadas até julho de 2026. A lista reúne aumentos de alíquotas, retomada de cobranças, redução de benefícios fiscais e alterações nos impostos incidentes sobre investimentos, importações, apostas esportivas e operações financeiras.
Nem todas as propostas avançaram da mesma forma ou continuam em vigor. Juntas, contudo, essas medidas mostram a direção seguida pela equipe do ministro da Fazenda, Fernando Haddad: aumentar a receita para financiar as despesas federais e tentar cumprir as metas fiscais.
Esse movimento começou em 2023, com 16 iniciativas. O governo retomou tributos sobre combustíveis, regulamentou a cobrança sobre apostas esportivas, alterou a tributação de fundos exclusivos e of shores e modificou as regras do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O IPI sobre armas e munições também aumentou.
Em 2024, outras nove medidas entraram no levantamento. A mais conhecida ficou popularmente chamada de “imposto das blusinhas”, aplicado a compras internacionais de pequeno valor. Painéis solares passaram a pagar uma tarifa de importação maior, enquanto PIS e Cofins voltaram a incidir integralmente sobre diesel e biodiesel.
A ofensiva contra os pagadores de impostos aumentou em 2025, com 18 iniciativas. O aumento do IOF atingiu diferentes operações de crédito. O governo também anunciou mudanças na tributação de aplicações que ofereciam rendimentos isentos de Imposto de Renda, como as letras de crédito e os certificados de recebíveis dos setores imobiliário e do agronegócio. A arrecadação acompanhou esse movimento. A Receita Federal recolheu quase R$ 2,5 trilhões em 2023. Em 2025, o valor se aproximou de R$ 3 trilhões e estabeleceu o maior resultado da série histórica, com crescimento real de 3,65% sobre o ano anterior.
A crise econômica sob o governo Lula
O dinheiro adicional não encerrou o desequilíbrio das contas. O governo terminou 2025 com déficit primário próximo de R$ 62 bilhões, equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto. A meta fiscal foi considerada cumprida depois da exclusão de despesas autorizadas pelas regras em vigor, incluindo parte dos precatórios. Enquanto a receita batia recordes, o custeio administrativo da União alcançou quase R$ 73 bilhões, maior valor em nove anos. Desde 2023, as viagens nacionais e internacionais do governo consumiram mais de R$ 7 bilhões, conforme os dados reunidos pela reportagem
O levantamento também compara a política de Haddad com a conduzida por Paulo Guedes entre 2019 e 2022. No governo Bolsonaro, a estratégia priorizou reduções de impostos e desonerações para estimular a atividade econômica. A arrecadação federal passou de R$ 1,5 trilhão em 2019 para mais de R$ 2,2 trilhões em 2022, apesar da queda provocada pela pandemia.
Sarah Peres e Edilson Salgueiro - Revista Oeste