sábado, 3 de janeiro de 2026

Augusto Nunes e 'A era da ladroagem'

No primeiro quarto de século, o PT manteve a média de um escândalo por ano


Foto: Revista Oeste/IA


E ntre a fundação em 1980 e o fim do século 20, o Partido dos Trabalhadores reivindicou o monopólio da honradez, caprichando na expressão de mocinho de faroeste americano. Provocados pela primeira leva de prefeitos filiados à sigla, rasgões na fantasia não bastaram para escancarar a farsa: disfarçado de templo das vestais, havia um bordel onde avançavam os trabalhos de parto da corrupção em escala industrial. Quando Lula venceu a eleição de 2002, estava tudo pronto para a institucionalização da roubalheira facilitada pela participação ou protegida pela anuência do governo federal. Com o bando de volta ao local dos crimes, o primeiro quarto deste século será lembrado, na História Nacional da Infâmia, como a Era da Ladroagem. 

Neste dezembro, a Revista Oeste fez a pergunta ao ChatGPT: poderia relacionar todos os casos de corrupção produzidos pelo PT no primeiro quarto de século? Resposta: “Posso — mas ‘todos’ (no sentido literal) é praticamente impossível, porque há centenas de casos municipais/estaduais, representações eleitorais, inquéritos, ações de improbidade etc.” Muita gente imaginava que a inteligência artificial só não encontraria respostas para três perguntas: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Sabe-se agora que a IA ainda não consegue memorizar todas as roubalheiras consumadas pela seita que tem num ex-presidiário o seu único deus. 

O PT não inventou a corrupção. Maracutaias de distintas dimensões ocorrem desde a chegada das caravelas de Cabral. Mas criou a figura do condenado à eterna impunidade e anexou o roubo que não dá cadeia aos usos e costumes nacionais. Tampouco se pode afirmar que Lula foi o primeiro presidente comprovadamente corrupto. Jânio Quadros, por exemplo, apossava-se sem constrangimento de boladas que recebia de financiadores ricaços. Os doadores não se queixavam. “Jânio é eleito por eles e governa para nós”, explicou-me o banqueiro Gastão Vidigal. “Nós” eram eles, os endinheirados. “Eles” éramos nós, o povo. 



PT não inventou a corrupção - Foto: Divulgação/Site do PT 


Também não custa lembrar que o PT frequentemente agiu em parceria com outras siglas. Em 2002, a entrada de José Alencar na chapa encabeçada por Lula custou R$ 4 milhões, pagos a Waldemar da Costa Neto, então presidente do Partido Republicano, o PR. Sim, ele mesmo, o político que continuou no comando quando o PR virou Partido Liberal, ou PL, e hoje apoia Jair Bolsonaro. Aquilo era um dinheirão quando o negócio foi fechado. Parece dinheiro de troco desde que as propinas negociadas pelos quadrilheiros do Petrolão passaram a ser calculadas em bilhões. 

Enfim, não custa ressalvar que o PT, líder disparado no ranking da corrupção por equipe, não abriga em suas fileiras o recordista individual Sérgio Cabral. Pertence ao MDB o ex-governador do Rio que se declarou “viciado em roubar”. No palanque, o parceiro Lula afirmou que todos os fluminenses tinham o dever moral de reeleger o amigo larápio. 

Condenado a mais de 400 anos de prisão, Cabral foi socorrido pela mão amiga do Supremo Tribunal Federal e já está em liberdade. Faz sentido: o direito de ir e vir foi devolvido a todos os protagonistas e coadjuvantes das ladroagens que começaram há mais de 20 anos, sobreviveram à inesperada interrupção decorrente da entrada em cena da Operação Lava Jato e retomaram o ritmo inicial. Os integrantes do elenco do grande faroeste à brasileira recuperaram o direito de ir e vir. Já faz tempo que muitos vêm e vão no coração do poder reconquistado por Lula. Outros percorrem com animação o caminho de volta ao Planalto Central. 

Perto dos 80 anos, José Dirceu é candidato a deputado federal. Quer ressurgir em companhia do quase setentão João Paulo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados quando explodiu o escândalo do Mensalão. Foi o maior da primeira passagem de Lula pelo Planalto. Mas outros de menor calibre já haviam confirmado que a longa espera — o reizinho do partido disputara três vezes a Presidência — havia aguçado a gula dos súditos.


Condenado a mais de 400 anos de prisão, Cabral foi socorrido pela mão amiga do Supremo Tribunal Federal e já está em liberdade - Foto: Redes Sociais/Reprodução

A vocação para a gatunagem já se manifestara nas grandes cidades governadas pelo partido. Em Ribeirão Preto, o prefeito Antonio Palocci mostrou, ainda nos anos 1990, que até contratos com empresas coletoras de lixo podem render gordos lucros clandestinos. No início de 2002, o assassinato do prefeito Celso Daniel revelou a existência de uma máfia do transporte urbano. Em 2003, um diretor dos Correios, estatal entregue ao controle do PTB, foi filmado enfiando no bolso um maço de cédulas com a serenidade de quem está abrindo a janela da sala. A cena geraria tensões que resultaram na instauração em 2005 da CPI dos Correios, que se transformaria em CPMI do Mensalão depois de confirmado que o Planalto montara um esquema de compra de parlamentares. 

Entre a filmagem da propina entregue na sala dos Correios e a devassa das catacumbas do Mensalão, fez bastante sucesso o vídeo que registra uma conversa a dois ocorrida em meados de 2002, mas divulgada só em fevereiro de 2004. Convidado por Waldomiro Diniz, então presidente da estatal que administrava as loterias do Rio, Carlinhos Cachoeira, que começara como bicheiro e fizera fortuna como multimeliante em Goiás, topou encontrá-lo numa sala do aeroporto de Brasília. Precavido, tratou de gravar a conversa com uma câmera oculta. Com cara de pedinte profissional, Waldomiro tenta convencer Cachoeira de que faria um bom negócio se ajudasse a bancar a campanha de Rosinha Garotinho e Benedita da Silva. 

Em troca, entraria na lista dos autorizados a delinquir sem sustos no Rio de Janeiro. “Um por cento é pra mim”, confessa Waldomiro no momento mais picante e patético do encontro. Um por cento de quanto, isso nunca se soube. O que se sabe é que o negociante perdeu o cargo de assessor para Assuntos Parlamentares da Casa Civil, chefiada pelo amigo José Dirceu, com quem já dividira um apartamento em Brasília. Julgado no Rio, foi sentenciado a oito anos de cadeia. Dirceu teve de ceder o posto de capitão do time de Lula, mas permaneceu no comando da chefia da Casa Civil até ser colhido pela onda de cassações de mandatos que abalou a Câmara na primeira etapa do Mensalão. Em 21 de junho de 2005, ao entregar o cargo à “camarada de armas” Dilma Rousseff, o guerreiro do povo brasileiro prometeu percorrer o país para mobilizar suas tropas. 

Em 1º de dezembro, por 293 votos contra 192, teve o mandato cassado pela Câmara — e foi ganhar a vida em São Paulo como facilitador de negócios escusos. 


O Brasil foi tão longe na ladroagem que pode estar perto de uma segunda e incontrolável Lava Jato


Longe do palco do Mensalão, Dirceu compreendeu que o escândalo jamais se afastaria dele em 2012, quando começou o mais longo julgamento da história do Supremo. Com 38 réus, milhares de páginas e mais de 200 sessões, só terminou em março de 2014. Por quase dois anos, a TV Justiça equiparou-se em audiência às maiores redes de televisão. Encerrados os embates, 24 dos 38 réus foram condenados por crimes como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Além de Dirceu, o grupo de punidos incluiu celebridades recentes como Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, e o operador financeiro Marcos Valério. Neste final de 2025, todos estão soltos. 

Neste primeiro quarto de século, o PT viu em Dirceu o sucessor escolhido por Lula, o negociador trapalhão, o campeão de escolhas erradas e o pensador do partido. No momento, vê no guerrilheiro que só disparou balas de festim o futuro líder da bancada na Câmara. Habituado a bruscas oscilações, viveu com a mesma fisionomia temporadas no xadrez e períodos de liberdade. Na segunda década do século 21, o ministro Gilmar Mendes dispensou-o de vez do cumprimento de penas que, graças aos pontapés na lei desferidos tanto no caso do Mensalão quanto na roubalheira do Petrolão, somavam 31 anos. Perto disso, os 500 e tantos dias de gaiola amargados por Lula são o mesmo que nada. 

Enquanto os craques do time tentavam livrar-se da Justiça, esforçados principiantes suaram a camiseta vermelha para manter a média de um escândalo por ano. Em 2006, por exemplo, foram três, começando pela máfia dos sanguessugas. Comprovou-se que 112 parlamentares condicionaram a entrega de verbas federais a prefeitos nordestinos à utilização do dinheiro na compra de ambulâncias vendidas pela mesma empresa, a Planam — que retribuía a gentileza com propinas. Hamilton Lacerda, assessor do senador Aloizio Mercadante, foi preso quando tentava distribuir um falso dossiê que vinculava José Serra e Geraldo Alckmin à quadrilha dos sanguessugas. “Coisa de aloprados”, disse Lula. Caso dos aloprados — assim foi batizado o escândalo. Também em 2006, as ocorrências numa casa em Brasília, batizada de “República de Ribeirão Preto”, frequentada por Antonio Palocci, resultaram na queda do ministro da Fazenda. A primeira.

A segunda seria consumada no primeiro ano de Dilma Rousseff na Presidência. Palocci caiu fora da Casa Civil 24 dias depois da divulgação do milagre financeiro: seu patrimônio crescera 20 vezes entre 2006 e 2010. Quando dezembro chegou, outros seis haviam deixado o governo. Alfredo Nascimento foi derrubado do Ministério dos Transportes por superfaturamento e pagamento de propinas. Nelson Jobim se foi do Ministério da Defesa por ter criticado publicamente companheiros de governo. Wagner Rossi caiu do Ministério da Agricultura, empurrado por irregularidades na Companhia Brasileira de Abastecimento. Pedro Novais perdeu o Ministério do Turismo por usar funcionários públicos para fins particulares. Orlando Silva voltou à planície por desvio de dinheiro do Programa Segundo Tempo. Carlos Lupi deixou o Ministério do Trabalho por ser Carlos Lupi. Oficialmente, nenhum foi demitido. Todos pediram para sair. E Dilma nunca teve ministros corruptos. Ela só admite que alguns tenham cometido “malfeitos”.


Dilma Rousseff - Foto: Geraldo Magela/Agência Senado 

Lula concorda. Ministros usam aviões da FABtur até para confraternizar com cavalos? Nada de mais. Outros recebem em audiência uma visitante conhecida pelo codinome “Dama do Tráfico”?


E daí? Uma ministra amiga da primeira-dama põe o próprio show na conta da Lei Rouanet? É a vida. O irmão mais velho anda afanando aposentados? Primogênito merece respeito. O filhote Lulinha engorda a capivara com mesadas doadas pelo Careca do INSS? Generosidade de amigo. Como ocorreu no caso do triplex do Guarujá. Ou no sítio em Atibaia. Como é que o Pai dos Pobres ficou tão rico? A sorte é justa; como passar ao largo de quem acabou com a fome no Brasil? 

Os primeiros 25 anos do século, examinados de perto, resumem o programa da companheirada: todo militante leal aos chefes do partido merece ganhar muito dinheiro num cargo de confiança. De preferência, sem trabalhar demais. Sem extremista de direita por perto, o roubo é livre. 

Em 13 de junho de 2013, especialistas em política despencaram do alto dos seus egos com o despertar das ruas. Um protesto contra o aumento de R$ 3 para R$ 3,20 nas passagens dos ônibus de São Paulo, reprimido com truculência pela Polícia Militar, serviu de estopim para o maior levante popular desde o descobrimento. “Não é pelos 20 centavos”, avisaram aos berros milhões de manifestantes espalhados por 500 cidades pelo país. Era a reação do Brasil que presta à desfaçatez dos poderosos patifes, então empenhados em tungar bilhões de reais desperdiçados na Copa de 2014 e na Olimpíada de 2016. 

O levante de 2013 tornou inevitável o impeachment de Dilma Rousseff e encurtou a gestação da Lava Jato. A reportagem publicada por Oeste em 10 de junho de 2022, com o título “O mais obsceno faroeste à brasileira” mostra o que houve no Brasil entre novembro de 2014, quando foram presos em Curitiba empreiteiros bilionários, e outubro de 2018, quando Lula foi resgatado da cadeia. Nesse período, os brasileiros enfim acreditaram que todos eram iguais perante a lei. Ninguém imaginava que a esperança seria assassinada pelo STF. 

Dói pensar que faltou muito pouco para que o Brasil escapasse de ser o que é. É desolador descobrir que a corrupção endêmica chegou sem vacinas ao Supremo. O Brasil foi tão longe na ladroagem que pode estar perto de uma segunda e incontrolável Lava Jato. 

Não há diferença entre propinas repassadas por empreiteiros e doações espantosas entregues a ministros com a camuflagem de honorário advocatício. 


Delinquente contumaz 

“Desde que chegou ao poder pela primeira vez — e mesmo antes disso —, o PT construiu um nada invejável histórico de escândalos.” (Eliziário Goulart Rocha) 2001 

— Toninho do PT: Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, prefeito de Campinas, foi assassinado a tiros depois de sair de um shopping. O crime permanece sem solução definitiva.

Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT | Foto: Reprodução/Wikimedia

2002 — Celso Daniel: Assassinato do prefeito Celso Daniel (PT), em Santo André. O caso continua cercado de controvérsias e foi alvo de investigações paralelas nos anos seguinte


Prefeito Celso Daniel (PT) | Foto: Reprodução/Redes Sociais


2003 — Banestado: no primeiro ano do governo Lula, o PT tentou impedir a criação da CPI do Banestado (Banco do Estado do Paraná), com o qual o partido, sob o comando de José Dirceu, havia tomado empréstimos 

2004 — Caso Waldomiro Diniz: embora tenha vindo à tona em 13 de fevereiro de 2004, o caso havia ocorrido em 2002. A revista Época divulgou uma gravação na qual Waldomiro Diniz, então assessor de José Dirceu na Casa Civil, pedia propina ao “empresário de jogos eletrônicos” Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira — “Um por cento é pra mim”. Diniz (ex-presidente da Loterj no governo de Anthony Garotinho) cobrava do bicheiro recursos para a campanha do PT em troca do suposto favorecimento em operações lotéricas. O fato ficou conhecido também como Caso GTech ou Escândalo dos Bingos


Waldomiro Diniz | Foto: Agência Senad

2005 — Caso dos Correios: enquanto um escândalo ocupava as manchetes, outro já se desenrolava. A investigação começou em 2004, mas o caso eclodiu em maio de 2005, com a divulgação, pela revista Veja, de um vídeo no qual o então chefe de departamento dos Correios, Maurício Marinho, recebia uma propina de R$ 3 mil. Na gravação, Marinho citava o deputado Roberto Jefferson, do PTB. Jefferson logo passou de acusado a denunciante e esteve no centro das denúncias do Mensalão. 


Caso dos Correios, a investigação começou em 2004, mas o caso eclodiu em maio de 2005 | Foto: Agência Brasil 


2005 — Mensalão: o caso dos Correios foi o gatilho que levou ao desbaratamento do esquema de repasse ilegal de dinheiro a parlamentares da base aliada que ficou conhecido como Mensalão, o maior escândalo de corrupção do país até então. Roberto Jefferson expôs a compra institucionalizada de apoio político. José Dirceu perdeu o cargo de ministro e teve cassado o mandato de deputado federal, o que também ocorreu com Jefferson. Lula, como sempre, afirmou que não sabia de nada, “condenou” a prática do caixa 2 e se disse “traído por alguns companheiros”. 

2006 — Escândalo dos Aloprados: Lula fazia campanha pela reeleição quando operadores e assessores ligados a campanhas petistas foram presos com R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo. O valor seria utilizado para comprar um dossiê contra José Serra, candidato tucano ao governo de São Paulo. Por tabela, a ação atingiria Geraldo Alckmin, que disputava a Presidência. O apelido “aloprados” foi dado por Lula para tentar reduzir o crime a mera inconsequência de alguns petistas.


Aloprados, dinheiro apreendido com petistas para compra de dossiê em SP |-Foto: Reprodução 

2006 — Caso Francenildo: caseiro de uma mansão no Lago Sul, em Brasília, Francenildo dos Santos Costa contou que o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, era presença frequente no imóvel. No local, representantes da chamada “República de Ribeirão Preto” promoviam festas, encontros com lobistas e dividiam dinheiro. Dias depois do relato, o caseiro teve seu sigilo bancário quebrado ilegalmente. Palocci acabou deixando o cargo.


O caseiro Francenildo Costa em julgamento do ex-ministro Antonio Palocci no STF - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil 

2007 — Operação Navalha: investigação da Polícia Federal sobre fraudes em obras públicas e contratos com empreiteiras. A PF apontou o envolvimento do ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau. 

2008 — Caso Bancoop: embora o caso tenha sido denunciado somente em 2008, já em 2006 a ação de petistas colaborou para o colapso da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo. De acordo com o Ministério Público, recursos do Bancoop, bancados pelos cooperados, teriam sido desviados para uso ilegal nas campanhas do PT em 2002 e 2004. O caso envolveu vários petistas, inclusive João Vaccari Neto, que era tesoureiro nacional do partido em 2010, quando o caso ganhou maior repercussão.


João Vaccari Neto-| Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

2008 — Caso dos Cartões Corporativos: revelação de uma série de gastos irregulares com cartões do governo federal, envolvendo altos funcionários. 

2009 — Refinaria Abreu e Lima: questionamentos públicos sobre custos, contratos e gestão do projeto da Petrobras, que viriam a ser incorporados à Operação Lava Jato anos depois. 

2010 — Caso Erenice Guerra: Erenice Guerra assumiu o posto de ministra da Casa Civil em 1º de abril de 2010 no lugar de Dilma Rousseff, que deixou o cargo para concorrer à Presidência nas eleições daquele ano. Sua permanência na pasta durou somente até setembro. Erenice caiu em função de denúncias de tráfico de influência envolvendo contratos e negócios intermediados por familiares. Os processos contra ela acabaram sendo encerrados por falta de provas.


Erenice Guerra assumiu o posto de ministra da Casa Civil em 1º de abril de 2010 no lugar de Dilma Rousseff | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr 

2011 — Escândalos em série de ministros: no primeiro ano do governo Dilma Rousseff, a corrupção provocou um verdadeiro strike no primeiro escalão. Em menos de cinco meses, caíram os ministros Antônio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo) e Orlando Silva (Esporte)

2012 — Operação Porto Seguro: apuração de tráfico de influência em órgãos federais, envolvendo assessores próximos à Presidência. 

2013 — Pedaladas fiscais: Dilma Rousseff começou a utilizar as “pedaladas fiscais”, práticas de atrasar repasses a bancos públicos para maquiar as contas do governo. A manobra levaria à sua cassação três anos depois.

2014 — Petrolão/Operação Lava Jato: iniciada em 17 de março de 2014, a Lava Jato revelou o esquema bilionário de corrupção na Petrobras, que se tornaria o maior escândalo de corrupção da história. Foi encerrada em fevereiro de 2021, depois de ter sido desmontada por ações do Supremo Tribunal Federal. Envolveu diretores da estatal, empreiteiras e políticos, incluindo Lula, que foi condenado em três instâncias e passou 580 dias na cadeia até o STF anular as condenações alegando inadequação de foro.


Manifestação contrária a Lula na Avenida Paulista no contexto da Operação Lava a Jato - Imagem: Wikimedia Commons/Reprodução

2015 — Vaccari: prisão de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, no âmbito da Lava Jato. 

2016 — Delcídio: prisão do senador Delcídio do Amaral por tentativa de obstrução da Justiça; avanço das investigações sobre marqueteiros e campanhas do PT. 


Senador Delcídio do Amaral = Foto: Pedro França/Agência Senado

2016 — Impeachment de Dilma: a ex-presidente deixou o poder depois de cometer crime de responsabilidade fiscal, relacionado às pedaladas fiscais e a decretos orçamentários.


Dilma Rousseff - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil 

2017 — Triplex: Lula é condenado em primeira instância no caso do triplex do Guarujá


Edifício com o triplex (ao centro), no Guarujá - Foto: Shutterstock 

2018 — Prisão de Lula: depois da condenação em segunda instância, Lula vai para a cadeia. Posteriormente, as condenações seriam anuladas por decisões do STF. 


Foto: Reprodução/Redes Sociais

2019 — Palocci: delação premiada de Antonio Palocci, detalhando esquemas de arrecadação e distribuição de recursos para o PT e aliados. 

2020 — Beneficiados: o declínio da Lava Jato começou a beneficiar Lula e o PT. A operação enfrentou questionamentos e invalidações por parte do STF. 2019 — Palocci: delação premiada de Antonio Palocci, detalhando esquemas de arrecadação e distribuição de recursos para o PT e aliados. 2020 — Beneficiados: o declínio da Lava Jato começou a beneficiar Lula e o PT. A operação enfrentou questionamentos e invalidações por parte do STF. 

2021 — Retrocesso: o STF anulou as condenações de Lula na Lava Jato e o tornou novamente elegível. : o STF anulou as condenações de Lula na Lava Jato e o tornou novamente elegível. 


Dias Toffoli anulou todas as provas da Lava Jato | Foto: Carlos Moura/SCO/STF

2022 — Não sabia: Lula reconheceu que houve corrupção nos governos petistas, mas não admitiu que soubesse de algo ou que tivesse participado de alguma forma. 

2023 — Maus hábitos: ao retornar ao governo, Lula repetiu o velho e mau hábito: aparelhou o Estado com nomeações cujo critério é o alinhamento ideológico ou o interesse político — e não a competência. O modus operandi do PT recolocou na berlinda os Correios — cujo rombo pode chegar a R$ 10 bilhões em 2025 e a R$ 23 bilhões em 2026 —, a Petrobras, o BNDES e mesmo os ministérios. Há casos envolvendo ministros e aliados em fase de investigação, denúncia ou trâmite no STF. 

2024 — Ministros em queda: Juscelino Filho, ministro das Comunicações, foi acusado pela Polícia Federal de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa, em um inquérito ligado à agência federal de desenvolvimento Codevasf. O ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, foi exonerado por Lula devido à repercussão das denúncias de assédio sexual


Juscelino Filho na Empresa Brasil de Comunicação (EBC) - Foto: Joédson Alves/Agência Brasil


2025 — Fraude do INSS: descoberta em abril de 2025, a roubalheira estimada em R$ 6,3 bilhões ocorreu por meio de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões. O esquema de desvio de dinheiro utilizou convênios firmados com dezenas de organizações. Uma das principais é o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), que tem como vice-presidente José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula.

José Ferreira da Silva, o “Frei Chico”, irmão de Lula, é o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi) - Foto: Reprodução/Redes Sociais 

Augusto Nunes - Revista Oeste