Agregar valor a um produto ou serviço aumenta seu apelo no mercado e pode resultar em maiores receitas e lucros
Comenta-se muito a necessidade da reindustrialização do Brasil. Mas talvez o correto seja defender uma neoindustrialização do país. Seria uma nova ação público-privada para aproveitar ao máximo o gigantismo do Brasil no agro. É aquilo que o mercado internacional chama de added value.
Um produto de valor agregado oferece mais do que apenas seus ingredientes básicos, sendo aprimorado com qualidades que justificam um preço mais elevado. Um bom retrato disso é o que encontrei em Lucas do Rio Verde (MT), o Luquinha. É uma estátua de um simpático porquinho de seis metros de altura, segurando uma espiga de milho em uma mão e, na outra, grãos de soja. É um notável símbolo da verticalização da produção agrícola da região.
Em primeiro lugar, esse valor agregado significa um frete menor. Quando se transporta uma tonelada de milho, transporta-se R$ 790, mas, ao transportar uma tonelada de suíno, transporta-se cerca de R$ 9 mil.
Precisamos ter uma estratégia melhor para esse segmento de valores agregados no mundo: produtos que possuem um mercado de US$ 726 bilhões. Mas, desse naco gigantesco, o Brasil possui uma fatia muito pequena e exporta apenas US$ 5 bilhões. São produtos em que a participação do Brasil é menor que 2%, mas que têm maior valor agregado, como frutas, vegetais, alimentos processados e bebidas.
Agregar valor a um produto ou serviço aumenta seu apelo no mercado e pode resultar em maiores receitas e lucros. O Luquinha traz à memória que, no item alimentos processados, não estamos nem entre os três maiores exportadores. Esse é o grande desafio do agro brasileiro.
Antonio Cabrera foi ministro da Agricultura e Reforma Agrária
Revista Oeste