quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Com lucro maior de empresas, arrecadação bate recorde em janeiro

 Resultado representa um aumento real de 18,30% na comparação anual


A arrecadação de impostos e contribuições federais atingiu o maior valor para todos os meses da história em janeiro, quando somou R$ 235,321 bilhões. O resultado representa um aumento real (descontada a inflação) de 18,30% na comparação com janeiro do ano passado. Em relação a dezembro, houve crescimento real de 20,71% no recolhimento de impostos. 

A lucratividade das empresas foi o principal fator que levou ao recorde. De acordo com a Receita Federal, as empresas tiveram resultado acima do inicialmente projetado em 2021, o que levou ao pagamento de R$ 12,5 bilhões a mais referente ao ajuste que tem que ser feito no início do ano pelas maiores empresas do País.

Sede da Receita Federal; órgão divulgou a arrecadação de impostos e contribuições federais em janeiro Foto: Miriam Zomer/Agência AL

Com dinheiro em caixa, as companhias, que têm até março para recolher esses tributos sem juros, optaram por fazê-lo ainda em janeiro. “Empresas retomaram ciclo positivo em 2021, o que levou a aumento de receitas. Antecipação mostra que empresas aproveitaram liquidez para pagar ajuste do Imposto de Renda”, afirmou o chefe do Centro de Estudos Tributários da Receita Federal, Claudemir Malaquias.  

Além disso, houve pagamento de mais R$ 12 bilhões por empresas que tiveram ganho de capital em operações de fusão e aquisição, que também são tributadas. 

Em janeiro, o valor pago apenas no ajuste do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) subiu 116,3% em relação ao mesmo mês do ano passado. No total, a arrecadação dos dois tributos subiu mais de R$ 20 bilhões

Ajuste 

Empresas brasileiras que faturam mais de R$ 78 bilhões por ano ou de setores como o financeiro são obrigadas por lei a recolher tributos sobre a renda pela modalidade de lucro presumido, ou seja, elas projetam um valor para o lucro em determinado ano e recolhem os impostos mensalmente. No início do ano, é feito uma declaração de ajuste, quando é paga a diferença entre o lucro projetado e o efetivamente alcançado.

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo