quinta-feira, 3 de junho de 2021

Brasil avança, apesar da revista The Economist

 

The Economist dedicou uma edição especial da revista para tecer críticas ao Brasil
The Economist dedicou uma edição especial da revista para tecer críticas ao Brasil | Foto: Reprodução

Na mesma semana em que economistas, analistas e agentes do mercado financeiro elevaram a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) para acima de 4%, a revista britânica The Economist publicou uma edição especial sobre o Brasil — mais especificamente, tecendo uma série de críticas às políticas adotadas pelo presidente da República, Jair Bolsonaro.

Colunista de Oeste, Dagomir Marquezi criticou a abordagem do periódico inglês. “Mais uma matéria da imprensa internacional tratando o Brasil como uma espécie de inferno na Terra, um buraco de miséria e desespero, um sub-Haiti”, afirmou. “Quem faz a cabeça desses jornalistas?”, perguntou Marquezi.

Como em outras vezes que se referiu ao país, a revista traz na capa uma nova ilustração do Cristo Redentor. Desta vez, ele aparece respirando com uma máscara de oxigênio. A década sombria do Brasil, como é intitulada a matéria, descreve Jair Bolsonaro como um homem que quer “destruir as instituições, não reformá-las”.

De acordo com The Economist, o governo brasileiro abandonou a agenda liberal depois de ter aprovado a reforma da Previdência. Equivocam-se os britânicos: em dois anos de gestão, Jair Bolsonaro aprovou a MP da Liberdade Econômica, a independência do Banco Central e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 186, do Novo Marco Fiscal. Medidas aprovadas, ressalte-se, num país historicamente assolado pelo estatismo.

A revista acerta, parcialmente, ao falar das décadas em que o Partido dos Trabalhadores (PT) esteve no poder. “Primeiro, eles cederam ao curto prazo e adiaram as reformas econômicas liberais”, diz o texto. “A culpa pertence principalmente ao PT, no comando do país entre 2003 e 2016. O partido estimava crescimento de 4% ao ano, mas não investia em aumento de produtividade. Quando os preços das commodities caíram, o Brasil enfrentou uma de suas piores recessões.”

O erro dos britânicos, contudo, foi não citar os escandalosos esquemas de corrupção orquestrados pelo Partido dos Trabalhadores, que legaram ao país não apenas recessão econômica, mas insegurança jurídica e sucateamento das instituições públicas. A tentativa de corromper parlamentares, como no caso do “mensalão”, e o saque obsceno à maior estatal do país, a Petrobras, são símbolos da selvageria a que o Brasil foi submetido.

Para colocar o país novamente nos trilhos da civilização, portanto, levará tempo. Tenha paciência, The Economist.

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Edilson Salgueiro, Revista Oeste