sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

"Radicais do clima miram o Brasil", escreve Frank Furedi

A narrativa preponderante na mídia leva a crer que crimes contra a humanidade são a nova norma no país




Opresidente dos Estados Unidos, Joe Biden, considera a divulgação de propaganda alarmista sobre a mudança climática uma obrigação religiosa. Ele está empenhado em usar as questões do aquecimento global para estabelecer sua autoridade moral.

Qualquer um que se oponha à cruzada radical da mudança climática é imediatamente colocado em um papel maligno de negacionista ou criminoso climático. Em novembro do ano passado, Biden definiu seus planos de “identificar e constranger os fora da lei do clima e, durante o primeiro debate presidencial, deu sinais de que provavelmente um dos primeiros países a ser considerados criminosos será o Brasil.

Biden e seus amigos da mídia norte-americana estão ocupados criando uma narrativa de “salvador climático” para…  Joe Biden. “Uma administração Biden pode ajudar a salvar a floresta amazônica?” é a manchete de um artigo da revista Time. De acordo com essa narrativa, é papel da força do bem — Biden e Washington — salvar a Amazônia e as pessoas do Brasil de seu governo maligno.

Mas não só Biden e seu círculo estão com o Brasil na mira. O ecoimperialismo está interligado com grande número de organizações internacionais que consideram o Brasil o bad boy das Américas.

Uma rede de grupo de defesa alarmista do clima está exigindo que o Tribunal Penal Internacional de Haia investigue o presidente Jair Bolsonaro pelo crime de ecocídio. William Bourdon, um advogado que vive em Paris, já enviou à Corte uma solicitação para análise preliminar.

A demonização dos oponentes dos cruzados do clima levou a uma nova estratégia de tentar usar o direito internacional para criminalizá-los. O recém-inventado crime de ecocídio tem como objetivo conseguir criminalizar formas de comportamento que vão contra o consenso dos ativistas do clima. Os novos cruzados estão trabalhando com políticos e advogados para fazer alterações no direito penal internacional. Seu objetivo é remendar uma definição legal de ecocídio que complemente outras infrações internacionais existentes como crimes contra a humanidade, crimes de guerra e genocídio.

A propaganda política que envolve o ecocídio foi assumidamente inspirada para estabelecer uma equivalência direta entre atitudes “malignas” em relação ao meio ambiente e os horrendos crimes associados ao genocídio. Essa narrativa do mal entrelaça casualmente diferentes ramificações de um filme de terror para estigmatizar o status moral do Brasil. Quando os leitores de língua inglesa são presenteados com artigos intitulados “Genocídio, etnocídio, ecocídio: tribos brasileiras pedem proteção de Bolsonaro para a Amazônia”, eles rapidamente tiram conclusões de que crimes contra a humanidade são a nova norma no Brasil.

O ato de ceticismo é o equivalente moral do crime de negação

Mas os brasileiros podem ficar aliviados de saber que sua nação não é o único alvo da cruzada dos radicais do clima. Cada vez mais, a narrativa das ameaças existenciais relacionadas às mudanças climáticas se transformou em uma ideologia do mal que busca punir aqueles que pecaram contra o meio ambiente. Por muitas décadas, os que se recusaram a adotar o consenso do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas eram moralmente condenados como negacionistas — uma clara alusão à negação do Holocausto.

A transformação do ato da negação em um mal genérico transcendental fica evidente na facilidade com que sua estigmatização saltou do universo de polêmicas históricas em torno dos atos de genocídio para outras áreas do debate. A negação ganhou status de blasfêmia flutuante que pode ser vinculada a uma série de problemas. Um oponente da negação da mudança climática observa que “a linguagem de mudança climáticaaquecimento globalimpactos humanos e adaptação é, ela mesma, uma forma de negação familiar para outras formas de violação dos direitos humanos”. Ele defende a ideia de que esses termos são “eufemismos científicos” que ofuscam a responsabilidade moral daqueles que cometem crimes contra o meio ambiente.

Uma diferença de opinião sobre o clima não é permitida, uma vez que aqueles que se recusam a fazer parte da agenda climática emergencial não têm nenhuma opinião que valha a pena debater. Não existem dois lados para a mesma questão. O ato de ceticismo é o equivalente moral do crime de negação. Então um livro escrito por um autor que seja cético em relação à sabedoria ambiental foi menosprezado com as seguintes palavras: “O texto emprega a estratégia daqueles que, por exemplo, argumentam que homens gays não estão morrendo de aids, que os judeus não foram escolhidos pelos nazistas para ser exterminados, e assim por diante”. A mensagem transmitida por meio dessa associação forçada de três questões tão carregadas é que a negação constitui uma blasfêmia multifacetada.

A intolerância em relação à opinião dissidente e cética no debate global ganhou proporções patológicas. Então Ed Miliband, em seu antigo cargo de secretário do Clima do governo britânico, denunciou os céticos e declarou guerra contra eles. “Existe toda uma variedade de pessoas que são céticas, mas quem elas são é menos importante do que o que estão dizendo, e o que estão dizendo é profundamente perigoso”, ele afirmou. A intolerância é profunda nessa família. Seu irmão Davi, em seu antigo cargo de secretário de Estado para o Meio Ambiente do Reino Unido, afirmou: “O debate sobre a ciência da mudança climática está totalmente encerrado”. A afirmação de que a incerteza associada com a mudança climática é mais bem resolvida por meio do encerramento do debate ilustra bem a facilidade com que os políticos e formadores de opinião possam exigir o silenciamento de ideias “perigosas”.

É provável que, quando a pandemia chegar ao fim, o alarmismo climático vá ganhar uma intensidade sem precedentes. Já existe muito burburinho sobre um Green Reset pós-pandêmico. O Green Reset costuma ser divulgado como uma transição para uma utopia mais amiga do meio ambiente. Na verdade, o que isso significa é um mundo em que toda dimensão da vida humana se torna sujeita a imperativo do ecodeterminismo. Um mundo onde o desenvolvimento humano é sacrificado no altar do ecomiserabilismo.

Aquilo de que precisamos é uma rede poderosa de ecorrealistas que entendam que os verdadeiros criminosos são aqueles que põem obstáculos no caminho do desenvolvimento humano.

Revista Oeste