segunda-feira, 24 de dezembro de 2018
Empresa de Pesquisa Energética diz que tarifa de Angra 3 é compatível com novos projetos de geração nuclear em outros países
A tarifa de R$ 480 proposta para Angra 3 resultou de estudos da EPE, Empresa de Pesquisa Energética e tomou como base as características da geração nuclear. O valor verificado restabelece a viabilidade da obra e ficou compatível com novos projetos de geração nuclear em outros países.
O argumento de que o reajuste da tarifa da energia de Angra 3 significaria um ônus para o consumidor é falho. Na verdade, nos últimos anos, temos sido obrigados a despachar usinas térmicas de forma constante, com um custo acima dessa nova tarifa de Angra 3. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) recentemente avaliou que esse aumento teria um impacto de 1% no preço final da energia ao consumidor, e estimativas recentes apontaram que o despacho térmico para suprir a variabilidade das fontes renováveis trouxe um custo adicional de R$ 1,2 bilhões nesse último ano, valor esse que seria fortemente reduzido se Angra 3 já estivesse operando.
Um ponto relevante também são as externalidades positivas geradas pela construção de Angra 3. Temos um forte impacto na geração de empregos de qualidade e de renda, não apenas na região onde a usina está instalada, mas em toda a cadeia produtiva brasileira. Para o setor nuclear, o projeto é igualmente fundamental, pois traz escala aos processos de mineração, beneficiamento e enriquecimento do urânio, que é uma riqueza nacional da qual não podemos abrir mão.
Cada fonte de energia tem seus atributos, vantagens e desvantagens. Comparar fontes tão diversas somente com base em custos projetados é uma visão parcial pois desconhece as reais características de cada uma delas. Por exemplo, para fontes intermitentes há que se considerar os custos de backup. Há ainda que se considerar, além do balanço energético, as necessidades dinâmicas que garantem a estabilidade elétrica do Sistema Interligado Nacional. Estudos do ONS demonstram claramente a importância atual de Angra 1 e 2 e a importância futura de Angra 3. Lá poderão ser encontradas análises que são omitidas pelo estudo do Instituto Escolhas.
Por se tratar de uma energia mais barata que as demais térmicas, a entrada em operação de Angra 3 hoje permitiria que usinas com tarifas superiores a R$ 700/MWh fossem desligadas, gerando uma economia anual significativa ao consumidor.
A Eletronuclear publicou um estudo, antes da definição da nova tarifa, onde é demonstrada esta vantagem financeira.
O estudo está disponível em
www.eletronuclear.gov.br/Sociedade-e-Meio-Ambiente/Documents/NT_0020_2017_Importancia_Angra_3_.pdf.
Os estudos da ONS estão disponíveis em:
http://www.eletronuclear.gov.br/Sociedade-e-Meio-Ambiente/Documents/05_ONS_NT_0105_2017_ImpactoSuspensaoOperacaoAngra1e2.pdf
http://www.eletronuclear.gov.br/Sociedade-e-Meio-Ambiente/Documents/NT_0020_2017_Importancia_Angra_3_.pdf
além do mais, a contratação de Angra III se mostra adequada por ser uma fonte de baixo custo de operação, com geração na base, deslocando recursos mais onerosos à operação do sistema elétrico.
Neste sentido, a energia nuclear, de fato, agrega segurança no atendimento ao mercado, conforme o objetivado, uma vez que entrega uma geração contínua ao sistema, e não apenas em momentos de dificuldades.
A energia nuclear, por se tratar de uma fonte térmica, que pode ser alocada próxima aos centros de carga, constitui um alívio aos custos crescentes de transmissão, inerentes a um país fortemente hidrelétrico e de dimensões continentais.
Ademais, a disponibilidade do combustível nuclear no país é mais uma característica desejável, pois contribui para a redução da dependência energética brasileira de insumos importados, reduzindo a suscetibilidade à oscilação dos preços internacionais dos combustíveis fósseis.
Destaque-se, que a contratação de energia nuclear se mostra oportuna por preservar o domínio desta tecnologia, bem como de mão-de-obra qualificada no país, o que pode ser crítico no futuro próximo. Finalmente, em um momento em que as discussões ambientais se amplificam, cabe destacar, também, que a fonte nuclear não é emissora de gases de efeito estufa.
Em resumo, destaca-se que a energia de Angra III agregará segurança no atendimento ao mercado com menores custos de transmissão, reduzirá impactos econômicos das oscilações dos preços dos combustíveis fósseis, propiciará a utilização de quase R$ 1,5 bilhões de equipamentos já adquiridos e colaborará para a redução da emissão de gases de efeito estufa pelo setor elétrico nacional.