
Martha Beck, O Globo
Com a saída de Henrique Meirelles do Ministério da Fazenda para tentar viabilizar uma candidatura à Presidência da República, a pasta deve ser assumida pelo atual secretário-executivo, Eduardo Guardia. Segundo interlocutores da área econômica, Meirelles, que deixa o cargo na semana que vem e vai se filiar ao PMDB, negociou com o presidente Michel Temer a indicação de seu sucessor.
— O Meirelles sugeriu o Guardia e o presidente Temer já topou — afirmou ao GLOBO um interlocutor do governo.
O ministro da Fazenda ainda tenta interferir no Ministério do Planejamento, comandado por Dyogo Oliveira. Neste caso, afirmam fontes ligadas à equipe econômica, Meirelles gostaria de colocar o atual secretário de Acompanhamento Fiscal, Energia e Loteria, Mansueto Almeida, na pasta. Neste cenário, Oliveira poderia ir para o BNDES, uma vez que Paulo Rabello de Castro vai deixar o comando da instituição para se candidatar à Presidência pelo PSC.
Isso, no entanto, é mais uma vontade de Meirelles do que necessariamente um plano do governo, afirmam integrantes do Palácio do Planalto. Oliveira, de fato, já teria manifestado interesse em ir para a iniciativa privada, o que tornaria o BNDES uma ponte ideal para essa transição. Por enquanto, contudo, não há nenhuma decisão.
— A única coisa que Meirelles não quer é que o novo presidente do BNDES seja um nome de Paulo Rabello de Castro — disse um interlocutor da Fazenda.
A gestão de Paulo Rabello tem dado dor de cabeça à equipe econômica. Um dos problemas foi a resistência em autorizar o BNDES a devolver dinheiro ao Tesouro Nacional para assegurar o cumprimento da regra de ouro (pela qual o governo não pode se endividar para pagar despesas correntes, como folha de pagamento). Este ano, o governo precisa que o banco de fomento devolva R$ 130 bilhões para cobrir o descasamento da regra de ouro.
Oliveira tem o apoio do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), para permanecer à frente do Planejamento. O senador, inclusive, o considerava um bom nome para suceder Meirelles na Fazenda. O corpo técnico da Fazenda, no entanto, resistiu a Oliveira, alegando que sua gestão seria influenciada por ingerências políticas do PMDB.
Ao mesmo tempo, do lado do Planejamento, o corpo técnico resiste ao nome de Mansueto sob o argumento de sua ida significaria uma derrota na eterna queda-de-braço entre Fazenda e Planejamento. Os servidores da pasta preferem que, caso Oliveira vá para o BNDES, o nome ideal para sucedê-lo seria o do atual secretário-executivo do Planejamento, Esteves Colnago.