
Martha Beck, O Globo
Se alguém do governo mostrou disposição em entrar na corrida eleitoral de 2018, essa pessoa foi Henrique Meirelles. Desde que assumiu o Ministério da Fazenda, em maio de 2016, ele deixou claro que considerava a possibilidade de ser candidato à Presidência tendo como plataforma uma virada na economia com a volta de uma credibilidade perdida pela ex-presidente Dilma Rousseff.
Graças à volta da confiança e ao apoio do mercado financeiro, o governo conseguiu aprovar logo de cara um teto para os gastos públicos com a promessa de corrigir o desequilíbrio fiscal herdado da gestão anterior. Na mesma onda, o governo conseguiu aprovar uma reforma trabalhista (que ainda precisa de diversos ajustes) e avançou com a reforma da Previdência até o plenário da Câmara dos Deputados — processo que foi interrompido pelo desgaste político do presidente Michel Temer depois da delação da JBS.
Ao mesmo tempo, a inflação perdeu fôlego, dando espaço para que o Banco Central reduzisse a taxa básica de juros. Na semana passada, ela chegou ao menor patamar da História, 6,5% ao ano, podendo cair ainda mais até o fim de 2018. E, para recuperar a atividade econômica, o governo usou uma medida engenhosa, a liberação dos saldos das contas inativas do FGTS. Somente isso liberou mais de R$ 40 bilhões na economia em 2017. Assim, a economia saiu da recessão. Além disso, o mercado de trabalho melhorou, com a geração líquida de mais de 60 mil postos de trabalho em fevereiro deste ano.
Todos esses indicadores viraram um mantra que Meirelles repete em sucessivas entrevistas a rádios e em redes sociais.
Nada disso, contudo, mudou o cenário nas pesquisas eleitorais: o ministro continua com 1% de intenção de votos, segundo a última pesquisa do Datafolha. Meirelles, que quase todos os dias coloca um indicador positivo em seu perfil no Twitter, rebate essa avaliação afirmando que a população ainda não sentiu os efeitos positivos da economia no dia a dia, mas que isso vai ocorrer.
“Faço tudo com seriedade, paixão e desejo de servir o povo brasileiro independente da posição em que eu esteja”, publicou o ministro no Twitter, no último domingo.