| Zanone Fraissat/Folhapress | |
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| Homem passa em frente a agência do Bradesco em São Paulo |
DA REUTERS
Um forte aumento nas despesas para perdas com calotes levou o Bradesco a registrar, entre janeiro e março, a primeira queda sequencial no lucro em mais de quatro anos, evidenciando o crescente peso da recessão no país sobre o setor bancário.
O segundo maior banco privado do país anunciou nesta quinta-feira (28) que seu lucro recorrente —que exclui efeitos extraordinários— do período somou R$ 4,113 bilhões no primeiro trimestre do ano, queda de 3,8% em relação ao mesmo período de 2015 e de 9,8% na comparação com os três meses anteriores. O número também veio abaixo da previsão média de analistas ouvido pela Reuters, de R$ 4,3 bilhões.
O lucro líquido contábil foi de R$ 4,12 bilhões, queda de 2,9% em relação a um ano antes e 5,3% menor do que o registrado no quarto trimestre de 2015.
O estoque de crédito total do Bradesco teve expansão zero nos 12 meses encerrados em março, para R$ 463,208 bilhões, movimento pressionado sobretudo por menores empréstimos a empresas.
Por outro lado, o banco viu a qualidade da sua carteira piorar pelo quinto trimestre consecutivo, com o índice de inadimplência acima de 90 dias chegando a 4,2%, o pico em quase quatro anos. Um ano atrás, o índice tinha sido de 3,6%.
Num cenário de recessão continuada, o banco decidiu fazer uma provisão para perdas esperadas com calotes de R$ 5,448 bilhões, volume 30% maior em relação ao último trimestre do ano passado e um salto de 52,2% na comparação com o mesmo período de 2015.
Com isso, a rentabilidade anualizada sobre o patrimônio líquido médio, índice que mede como um banco remunera o capital de seus acionistas, ficou em 17,5%, queda de 3 pontos percentuais nas comparações mensal e anual. Foi o pior desempenho em pelo menos uma década.
O banco ainda viu um recuo de 2,9% nas receitas com tarifas e serviços em relação ao trimestre anterior, para R$ 6,405 bilhões, embora na comparação anual o montante tenha crescido 11,5%.
Por fim, as despesas administrativas e de pessoal somaram R$ 7,87 bilhões no primeiro trimestre, queda de 6,5% ante o final de 2015 e alta de 11,1% frente ao primeiro trimestre do ano passado, índice acima da inflação acumulada no período.
