terça-feira, 1 de março de 2016

Super Terça: Americanos fazem fila para votar em dia decisivo


Eleitores na Virgínia fazem fila para votar na Super Terça - GARY CAMERON / REUTERS


Henrique Gomes Batista - O Globo



Analistas veem Donald Trump e Hillary Clinton mais perto da nomeação de seus partidos


WASHINGTON — Poucas horas após as urnas serem abertas nos Estados Unidos para as primárias da Super Terça, os eleitores americanos já fazem fila para votar nos pré-candidatos que desejam ver na disputa pela Presidência. Nos estados da Virgínia e do Texas, os corredores dos colégios eleitorais estavam cheios. Se os resultados das pesquisas se confirmarem, Donald Trump dará um grande passo para conquistar a nomeação do Partido Republicano, e especialistas começam a debater as reais chances do bilionário conquistar a Casa Branca nas eleições de novembro. Conquistando apoios dos descrentes com a política, com um discurso direto e polêmico, Trump é o favorito em dez dos 12 estados que realizam primárias nesta terça-feira. Assim, deverá enfrentar Hillary Clinton, que também espera um bom dia para cimentar sua indicação no partido Democrata.


— Trump está muito forte e deve dar um grande passo para a nomeação. E todos os fundamentos sugerem que será um ano republicano: a aprovação do governo não é muito alta para que Obama faça o sucessor. É cedo para fazer prognósticos, mas não ficaria surpreso se Trump for eleito — afirma Cliff Young, presidente do instituto de pesquisa Ipsos nos EUA.

Além do cenário nacional, onde Obama quase sempre tem desaprovação maior que aprovação, pesa o fenômeno eleitoral de Trump. Com uma linguagem direta, que seus apoiadores veem como sincera, ele tem mobilizado pessoas que já haviam desistido de votar, fenômeno semelhante ao ocorrido em 2008 com Barack Obama, mas com grupos à esquerda e minorias. Neste ano, as primárias e caucus (reunião de eleitores) republicanos têm registrado recordes de participação. É de se esperar que, Trump sendo o candidato, esta população também se mobilizará para a eleição geral — nos EUA o voto não é obrigatório.



Senador Bernie Sanders vota em Vermont - Jacquelyn Martin / AP


“Algumas das pessoas que atualmente atuam no movimento #NeverTrump vão, de fato, acabar apoiando Trump. Hillary Clinton, provavelmente a candidata democrata, é divisiva, e conservadores anti-Trump vão concluir que ele é o menor de dois males”, escreveu Nate Silver, especialista em eleição do site FiveThirtyEight.

As pesquisas confirmam a força de Trump. Segundo a CNN, o magnata tem, nacionalmente, 49% do apoio entre republicanos, contra 16% de Marco Rubio e 15% de Ted Cruz, melhor resultado desde que o magnata entrou na disputa, em junho passado. 

Dos 12 estados republicanos que escolhem candidatos hoje, há grande disputa, segundo as pesquisas, no Colorado e no Texas.

A campanha republicana ficou ainda mais agressiva às vésperas da Super Terça. Mas a maior polêmica ficou, novamente, por conta de Trump. O bilionário não rejeitou o apoio de David Duke, conhecido líder do movimento da supremacia branca e antigo dirigente da Ku Klux Klan (KKK), que havia declarado que não votar em Trump seria “trair a nossa herança”. O magnata não recusou formalmente o apoio. Mas, depois, justificou o ocorrido por não ter ouvido a pergunta em uma entrevista por causa de um fone eletrônico defeituoso que usava no momento.

Hillary prestes a confirmar indicação

Na entrevista, Trump disse, em tom áspero, que não sabia quem era Duke, embora já tenha se referido a ele no passado. O magnata passou o dia de ontem, então, dizendo que não aceitava o apoio da KKK e de Duke. Em dezembro, líderes nazistas já haviam anunciado que votariam em Trump pelas propostas de restrição a muçulmanos nos EUA. No sábado, o ex-presidente mexicano Felipe Calderón comparou a estratégia de Trump à adotada por Hitler, dizendo que o pré-candidato republicano “é racista e incita o ódio”.


Trump cumprimenta eleitores em Radford, na Virgínia - CHRIS KEANE / REUTERS

Ontem, um comício de Trump na Virgínia terminou em tumulto após manifestantes, com palavras de ordem, interromperem o evento diversas vezes. Membros de grupos ativistas que criticam a violência policial contra negros chegaram a ser retirados do local, enquanto um fotojornalista da revista “Time” foi sufocado e jogado no chão por um agente do Serviço Secreto. O republicano chegou a responder ao protesto:

— Você é do México? — disse a um dos manifestantes, antes de pedir que os seguranças retirassem o grupo do local.

No lado democrata, Hillary Clinton lidera com folga em nove dos 11 estados que farão primárias hoje. Há um empate em Massachusetts e Bernie Sanders aparece com uma larga vantagem em Vermont, estado por onde é senador. Se os resultados se confirmarem, ela dará um grande passo para confirmar a nomeação. Em pesquisa nacional da CNN divulgada na noite de ontem, Hillary aparece com 55%, contra 38% de Sanders.