terça-feira, 29 de março de 2016

Steve Jobs muito mais...

Ricardo Neves - Epoca

Hoje o melhor da juventude que quer mudar o mundo se encanta e referencia nas personalidades de empreendedores


Os revolucionários Che Guevara e Steve Jobs (Foto: Ilustração)
Ser jovem é sobretudo acreditar que se pode mudar o mundo. Os jovens que não acreditam nisso dificilmente serão adultos que farão diferença na história da humanidade. Seja para o bem, seja para o mal. A juventude é o momento crucial da vida de um indivíduo no qual ele contempla o futuro e começa a fazer as suas escolhas. Todos vivemos, poucos fazem diferente, pouquíssimos fazem acontecer. Mas fundamentalmente é na juventude que esta escolha grandiosa é feita...ou não.

Tudo bem que muitos jovens fazem escolhas tímidas sobre os caminhos para seu futuro e como vão deixar marcas de sua existência neste minúsculo planeta. Existem aqueles que passam da adolescência à vida adulta sem considerar quanta chuva e quanto sol trazem potencialmente em suas mãos. Tristes são os jovens que cedo se tornam velhos e acomodados.

Recentemente encontrei um antigo amigo que ao longo de toda sua vida – e já vai para mais de meio século! –  segue fiel ao marxismo como se o mesmo fosse um evangelho. Perplexo e decepcionado pelos acontecimentos que tem lugar na crise política no Brasil e cujo desenlace deverá colocar em xeque mate a esquerda brasileira - e que deverá se configurar como uma queda do muro de Berlim na América Latina - meu amigo me revela que sua maior decepção é pela falta de ideias e ideais por parte da juventude para mudar o mundo.

Meu amigo petista, íntegro, porém exasperantemente cabeça dura, se ressente especialmente do desinteresse pelo jovem em relação à política e ao alheamento da juventude em relação aos desafios sociais de nosso tempo. Eu, de forma veemente, advoguei que isso não é verdade.

A política, disse eu ao meu amigo, é hoje o reino da mediocridade. Pior que isso. É o espaço onde atores de quinta categoria executam papéis datados. São homens e mulheres dessintonizados destes bravos novos tempos digitais. Em sua maioria cognitivamente incapazes de formular novas respostas não apenas para os desafios sociais como para tantos outros que se apresentam, como a sustentabilidade do planeta, por exemplo.

Infelizmente a política como espaço de pensar e criar mudança do mundo é um negócio velho e jurássico como os negócios da indústria automobilística, do petróleo e do extrativismo mineral.
Hoje o melhor da juventude que quer mudar o mundo se encanta e referencia nas personalidades de empreendedores como Steve Jobs (Apple), Bill Gates (Microsoft), Mark Zuckerberg (Facebook), Sergey Brin e Larry Page (Google) e Elon Musk (Tesla).

Estes são os revolucionários do tempo atual, que a partir de garagens criaram novas indústrias impensáveis pelos revolucionários políticos do século 20, como Lenin, Mao, Trotsky, Castro, Guevara, etc. O legado de experiências de mudar o mundo via ação revolucionária centrado na luta política, iniciados em 1917 com a revolução soviética, fizeram antigos heróis à esquerda perder o encanto para a juventude contemporânea.

Por outro lado, os jovens criadores dos novos impérios de negócios saídos fundamentalmente de suas mentes a partir do nada, seguem criando novos produtos, novos negócios, riquezas e, sobretudo, novos sonhos. Nessa trajetória extraordinária, estes empreendedores se tornaram ícones inspiradores para milhões e milhões de jovens que, felizmente, não abandonaram a ideia de que é possível sim mudar o mundo.

Na despedida de meu encontro casual tentei animar um pouco meu teimoso amigo petista, deprimido e que ainda acredita que tudo não passa de “meramente a mesma luta política de sempre”, de que o mais importante é que ele entendesse que o jovem de hoje continua pensando em mudar o mundo, mas eles simplesmente não pensam como os jovens do século 20.

Foi pensando neste meu amigo que organizei o quadro abaixo que mostra de forma comparativa como um novo Espírito do Tempo existe hoje. Que os jovens sigam sempre nos desafiando na saudável crença de que mudar o mundo é sempre possível. “O rei morreu. Viva o rei”. Como dizem os ingleses quando um monarca sucede ao outro.
Referências entre os jovens (Foto: Época)