O vice-líder do Democratas na Câmara, deputado Efraim Filho (PB), avaliou que a taxa oferecida ao investidor interessado em investir na Petrobras está acima da maioria dos negócios internacionais, o que mostra a dificuldade de a estatal em captar recursos. “É o custo da corrupção e da incompetência”, afirmou.
Ontem, a Petrobras fechou uma operação para captação de recursos no mercado externo, via emissão de dívida, no valor de US$ 2,5 bilhões, para resgate em 100 anos. Os investidores só aceitaram emprestar para a estatal mediante o pagamento de taxa de juro de 8,45% ao ano, em dólar. A estatal pagou taxa cobrada de empresas que estão abaixo do chamado grau de investimento.
Como base de comparação, citou um título centenário emitido pelo México em 2010, com taxa de 5,7% ao ano. “Temos, portanto, uma diferença de quase três pontos percentuais. Isso, no mercado de títulos em dólar, é um verdadeiro abismo”, afirmou.
Esta é a primeira vez que a estatal tenta captar recursos no exterior, depois do estouro do escândalo do Petrolão, no ano passado. O esquema de corrupção é investigado na Operação Lava-Jato. Os desvios já reconhecidos somam R$ 6,2 bilhões, mas as investigações ainda estão em curso.
Efraim Filho lembrou que a taxa de 8,45% ao ano é altíssima e que a companhia só aceitou pagar o juro pedido pelos investidores porque está em situação financeira delicada, precisando de recursos. “O Petrolão encareceu o custo da dívida da principal empresa brasileira. Agora, só emprestam a taxas que podem ser consideradas exorbitantes para os padrões internacionais”, criticou.