segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Dilma ´trambique` adia nomeação para poupar novos ministros de vexame

Epoca


Pouco depois das 16h30 da última sexta-feira (21), a estrutura do Palácio do Planalto estava pronta para o anúncio da nova equipe econômica, o último evento importante deste ano. Como é de praxe, no canto do segundo andar do Palácio estavam dispostas cadeiras, o púlpito para a presidente Dilma Rousseff falar e três microfones – até aquele momento, todos achavam destinados a Joaquim Levy, futuro ministro da Fazenda, Nélson Barbosa, futuro ministro do Planejamento, e Alexandre Tombini, atual e futuro presidente do Banco Central. Desde o início do dia, dava-se como certo que o anúncio seria feito ainda na sexta, assim que o mercado financeiro encerrasse suas atividades, às 17h. Por volta das 16h50, todos souberam que Dilma desistira de fazer o anúncio. Os nomes não só não seriam revelados, como também não estavam confirmados. Câmeras começaram a ser retiradas. O auditório ficou vazio.
Dilma desistiu de nomear sua equipe econômica na última hora por uma razão estratégica. Decidiu esperar alguns dias para que o Congresso aprove, até quarta-feira, o projeto que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias. O projeto varre da lei a obrigação do governo de cumprir a meta de superávit primário estabelecida no início do ano. A intenção é livrar o governo de uma punição por não ter cumprido sua obrigação de economizar para pagar a dívida pública. Se a equipe econômica fosse nomeada na semana passada, seus integrantes teriam de responder pelo desgaste dessa manobra. Dilma preferiu deixar esse serviço desagradável ser feito ainda durante a gestão do atual ministro, Guido Mantega, e seu secretário do Tesouro, Arno Augustin, os dois responsáveis pela gastança e pelas trapaças contábeis feitas nos últimos dois anos para acobertar o rombo nas contas.
A mudança de planos poupou a futura equipe econômica dessa tarefa inglória. Serviu também para o governo testar suas escolhas. Durante o período de pouco mais de uma hora que os nomes de Levy e Barbosa ficaram em evidência, o mercado financeiro se empolgou, deu sinais de que aprova o liberal Levy na Fazenda e o “meio heterdoxo” Barbosa no Planejamento. O governo ficou satisfeito com a boa recepção. A mudança de última hora pegou alguns de surpresa. Governador eleito de Minas, o ex-ministro Fernando Pimentel foi chamado às pressas em Belo Horizonte pouco antes das 15h. 
Deixou uma reunião e pegou um avião para Brasília para o anúncio, que não ocorreu. Sem ministro da Fazenda, o Palácio do Planalto foi esvaziado e terminou a sexta-feira na rotina de sempre. Numa cerimônia que acontece todas as semanas, os Dragões da Independência executaram a troca da bandeira brasileira, acompanhados pela banda dos Dragões. A trilha sonora escolhida foi um banho de suingue, com versões de “Do Leme ao Pontal” e “Gostava Tanto de Você”, ambas de Tim Maia. Como Tim fez tantas vezes, o governo montou o palco, convidou todo mundo, mas o artista principal deu o cano.