O déficit de quase US$ 6,1 bilhões na balança comercial - diferença entre
exportações e importações - foi recorde, no primeiro trimestre, em duas décadas,
explicando-se pela piora de preços de commodities exportadas pelo Brasil e pela
perda de mercados e de competitividade de produtos locais em relação aos
fabricados no exterior.
Em contraste com as afirmações de funcionários do
governo de que o comportamento da balança comercial tende a melhorar
acentuadamente, as consultorias privadas evitam fazer projeções para o ano. Já a
última pesquisa Focus, feita pelo Banco Central com agentes econômicos, indicou,
para este ano, um modesto superávit de US$ 4,3 bilhões.
No segmento mais forte das exportações brasileiras - o de commodities -
cresceram, em volume, as vendas de minério de ferro, petróleo, soja em grão,
milho em grão, carne bovina in natura e carne de frango in natura, mas os preços
caíram entre o mínimo de 2,9% (minério) e o máximo de 30,1% (milho). Nos
produtos semimanufaturados, houve forte queda do preço do açúcar em bruto
(-17,9%) e um pequeno recuo da celulose (-0,4%).
As exportações para a Argentina continuaram em queda livre(22%), da média
mensal de US$ 1,7 bilhão, no primeiro trimestre de 2013, para US$ 1,3 bilhão, no
mesmo período deste ano - ou seja, US$ 1,2 bilhão no período, correspondendo a
cerca de 20% do déficit comercial.
Também houve queda de vendas para a Europa
Oriental (-16,8%), o Oriente Médio (-15,1%), a África (-13,5%) e a União
Europeia (-13,3%). Ao contrário, para a China o País exportou mais 22,1% e para
os EUA, mais 8,8%, pelo critério de média diária.
A desvalorização do real, de 10,4% no ano passado, não parece surtir grande
efeito sobre as exportações, prejudicadas pelo custo Brasil (juros, inflação,
deficiências de infraestrutura, elevação do custo do trabalho com perda de
produtividade, entre outros). Prova disso é que a média diária de exportações no
trimestre caiu 4%, quase o dobro da queda das importações (2,2%).
Ainda mais grave do que o déficit da balança comercial é a redução do
comércio exterior, medida pela corrente de comércio (soma das exportações e das
importações): no primeiro trimestre, a corrente de comércio diminuiu 1,5% em
relação ao mesmo período de 2013, de US$ 106,8 bilhões para US$ 105,3 bilhões. O
País, em síntese, perde espaço no comércio global.