sexta-feira, 7 de março de 2014

Siemens entra no cadastro de empresas inidôneas da CGU. Como um governo inidôneo pode considerar uma empresa inidônea?

Siemens entra no cadastro de empresas inidôneas da CGU            

Dyelle Menezes - Contas Abertas

A empresa Siemens, suspeita de envolvimento no cartel do metrô e trens em São Paulo, Brasília e outras cidades brasileiras, saiu do cadastro de empresas éticas direto para o Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS).

Os dois cadastros são coordenados pela Controladoria-Geral da União (CGU). A queda no status aconteceu em razão da Siemens ter sido impedida de celebrar novos contratos com a administração federal após a descoberta de esquema de pagamento de propina nos Correios.

Até o dia 11 de fevereiro, a empresa estava inscrita no cadastro “Empresa Pró-Ética”. A iniciativa avalia a existência de mecanismos institucionais de empresas para reduzir os riscos de ocorrência de fraude e corrupção. A Siemens foi uma das primeiras empresas a constar no cadastro, criado em 2011.

 De acordo com a CGU, ao aderir ao cadastro a organização assume o compromisso público e voluntário, perante o governo e a sociedade, de que adota medidas para prevenir e combater a corrupção dentro de sua instituição, em favor da ética nos negócios. Entre os objetivos do programa está o de “reduzir os riscos de ocorrência de fraude e corrupção nas relações entre o setor público e o setor privado”.

 Porém, o regulamento do Cadastro prevê, em seu art. 18, inciso II, que ao sofrer a penalidade de suspensão e ser incluída no CEIS, a empresa será automaticamente suspensa também do Pró-Ética.

Após envolvimento em um eventual esquema de pagamento de propina nos Correios, a Siemens ficou impedida de participar de novas licitações públicas na administração pública até 2018, segundo determinação da Justiça Federal. A decisão é de janeiro e tomou como base resultado de uma sindicância nos Correios, que encontrou irregularidades em duas licitações, em 1999 e 2004.

A Siemens já havia impetrado mandado de segurança na Justiça questionando a decisão. Em agosto do ano passado, no entanto, o juiz de primeira instância proibiu novos contratos da empresa com os Correios e estendeu a determinação a todos os órgãos de governo. A empresa fez um comunicado interno alertando sobre a sanção.

Questionada em agosto do ano passado pelo Contas Abertas sobre a permanência da empresa no cadastro ético do órgão, a CGU afirmou que o Comitê Gestor do Cadastro Pró-Ética decidiu colocar a Siemens em um regime especial de rigoroso acompanhamento, até que fossem obtidas novas informações ou esclarecimentos mais completos e relevantes, que permitissem concluir pela permanência ou não da empresa no Cadastro Pró-Ética.

De acordo com a CGU, o procedimento administrativo estava em curso, mas foi interrompido em razão dos Correios terem inserido a Siemens no CEIS.

O Comitê é presidido por representantes da própria Controladoria e do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, de forma alternada.

O Instituto Ethos ainda mantém a empresa como cadastrada no Pró-Ética em seu portal na Internet. Também participam do Comitê a Confederação Nacional de Indústrias, a Federação Brasileira de Bancos, a BM&F Bovespa, o Ministério de Desenvolvimento Indústria e Comércio, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e o Instituto de Auditores Independentes do Brasil e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

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