
Fonte: GLOBO
Não comentei ainda a greve dos garis aqui no Rio. Então, vamos lá. O que penso disso tudo? Algumas coisas. Por exemplo: que se greve é um direito básico de democracias, ter serviços públicos fundamentais também é um direito básico (e por isso pagamos tantos impostos, até demais da conta).
Por isso que certas categorias não podem simplesmente entrar em greve em bloco, suspendendo na íntegra tais serviços, como polícia, bombeiro e, sim, lixeiro.
Em segundo lugar, ninguém tem o direito de impedir o outro de trabalhar. Esse sempre foi o grande problema prático com greves: os sindicatos odeiam o “fura-greve”, e tentam, muitas vezes, impedi-lo de trabalhar. Isso é crime! Somente máfias usam a coerção para impedir decisões voluntárias dos outros. Nenhuma greve tem o direito de dificultar ou impedir o trabalho daqueles que não desejam participar da greve. Mas isso foi justamente o que aconteceu:
O vice-presidente do Sindicato dos Empregados das Empresas de Asseio e Conservação, Antonio Carlos da Silva, acusou nesta quarta-feira os garis em greve de tentarem impor suas propostas à força. O dirigente afirma que, na sexta-feira, parte dos grevistas invadiu o sindicato. Ele já tinha deixado o local e, ao ser avisado do problema, retornou para conversar com o grupo. Mas disse que acabou sendo coagido a assinar um documento com propostas dos dissidentes e reivindicações das quais discordava. Antonio, no entanto, alegou não ter tido tempo de registrar o caso na polícia. Sem citar nomes, ele não descarta a possibilidade de políticos ou alguma entidade estarem por trás do movimento.
— O que está acontecendo não é coisa promovida por amador. Eles organizam piquetes e mantêm até gente circulando em motos para identificar rapidamente onde os profissionais estão trabalhando, para tentar impedir que recolham o lixo. Como sindicalista, sei que um aparato desses não é barato — disse Antonio.
Não há nada mais asqueroso do que o uso político de uma greve de garis. É ainda mais asqueroso do que o próprio lixo que se acumula na cidade como resultado dela. Quando políticos apelam tanto, chegam tão baixo assim, é porque quem entrou em greve, na verdade, foi a própria civilização. A esquerda demagógica chafurda, literalmente, no lixo em prol de votos. Segundo outra reportagem:
Pelo menos quatro líderes do comando de greve dos garis têm algo em comum: são filiados ao Partido da República (PR), o mesmo do deputado e ex-governador Anthony Garotinho. Os nomes de Domingos Lopes Fernandes, Célio Viana , Alexandre Pais da Silva e João Carlos Bonfim Rosa constam do cadastro de associados ao partido disponível no site do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Célio Viana e Domingos Fernandes, inclusive, foram candidatos a vereador em 2012. Os quatro integraram uma comissão de dez representantes que se reuniu na quarta-feira, na Comlurb, com o defensor-geral do Estado, Nilson Bruno.
Além de Garotinho, outro que parece envolvido é o queridinho da esquerda caviar carioca, Marcelo Freixo, do PSOL. Reinaldo Azevedo comentou aqui sobre o assunto:
Vejam lá quem apareceu para disputar a sua cota de chorume: o tal DDH (Defesa dos Direitos Humanos), aquela ONG que é comandada por um subordinado de Marcelo Freixo, que fala como Marcelo Freixo, que pensa como Marcelo Freixo, que age como Marcelo Freixo, mas que, claro!, não é ligada a Marcelo Freixo, o preferido do “liberal” Caetano Veloso (ele ainda é cantor?)…
Podemos achar que garis ganham pouco. Podemos até endossar a greve se for o caso. Mas jamais deveríamos aplaudir o uso político do lixo causador de doenças e a coerção contra aqueles que desejam trabalhar, especialmente para prestar um serviço básico à sociedade.
Por fim, não podemos esquecer que ninguém obriga ninguém a ser gari. Não se trata de uma decisão sob a mira de uma arma, e sim uma escolha voluntária, ainda que influenciada pelos limites individuais do trabalhador sem muita qualificação em um país pouco liberal e, portanto, com menos oportunidades.
Quando aceitaram o emprego, sabiam das condições. É normal que lutem para melhorá-las, desde que respeitando a população que conta com a prestação de seus serviços. Muitos garis, como vimos, compreendem esta responsabilidade. Já de alguns políticos de esquerda não podemos dizer o mesmo…