quarta-feira, 27 de agosto de 2025
Ex-presidiário Lula libera R$200 milhões para titulares da CPMI criada para investigar roubo no INSS - Corrupção descarada
Quadrilha de Lula opera abertamente - (Foto: Geraldo Magela/Ag. Senado)
O governo Lula liberou o pagamento de mais de R$200 milhões em emendas parlamentares para deputados e senadores que são titulares da CPI Mista criada para investigar a bandalheira contra aposentados do INSS. Todo esse dinheiro foi liberado no mês em que a investigação foi instalada no Congresso. O levantamento exclusivo considera o que foi de fato pago, quando o fornecedor ou prestador de serviço recebeu efetivamente o dinheiro, ou o valor da emenda tido como “empenhado”.
O empenho equivale a um cheque ainda a ser descontado, mas serve para políticos terem o que mostrar aos aliados na base eleitoral.
Emendas pagas, entre 1 e 22 de agosto, mais recente atualização, passa dos R$113,7 milhões. As empenhadas superam R$90,8 milhões.
Coronel Fernanda (PL-MT), proponente da CPMI, é caso raro no grupo: nada recebeu ou foi empenhado para a deputada em agosto.
O governo pagou R$18,1 milhões à tropa do PDT de Carlos Lupi, que caiu da Previdência no escândalo, com três parlamentares na CPMI.
Diário do Poder
terça-feira, 26 de agosto de 2025
Com Lupi & cia, veja lista de convocados para a CPMI do Roubo do INSS
Ao todo, 17 autoridades foram convocadas
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do roubo do INSS aprovou nesta terça-feira (26), uma série de convocações para esclarecer as denúncias de descontos fraudulentos em aposentadorias.
Os parlamentares convocaram 17 autoridades, incluindo o ex-ministro da Previdência Social Carlos Lupi, que deixou o cargo no dia 2 de maio deste ano, após a série de escâdalos em torno do roubos de aposentados.
Veja quem são as autoridades convocadas:
- Carlos Roberto Lupi — ex-ministro da Previdência Social;
- Carlos Eduardo Gabas — ex-ministro da Previdência Social;
- José Carlos Oliveira (Ahmed Mohamad Oliveira Andrade) — ex-ministro do Trabalho e Previdência;
- Marcelo Abi-Ramia Caetano — ex-secretário de Previdência do Ministério da Fazenda;
- Lindolfo Neto de Oliveira Sales — ex-presidente do INSS;
- Renato Rodrigues Vieira — ex-presidente do INSS;
- Leonardo José Rolim Guimarães — ex-presidente do INSS;
- Alessandro Antonio Stefanutto — ex-presidente do INSS;
- Elisete Berchiol da Silva Iwai — ex-presidente do INSS;
- Guilherme Gastaldello Pinheiro Serrano — ex-presidente do INSS;
- Glauco André Fonseca Wamburg — ex-presidente do INSS;
- Leonardo de Melo Gadelha — ex-presidente do INSS;
- Edison Antônio Costa Britto Garcia — ex-presidente do INSS;
- Francisco Paulo Soares Lopes — ex-presidente do INSS;
- Eliane Viegas Mota — diretora de Auditoria de Previdência e Benefícios da CGU;
- Bruno Oliveira Pereira Bergamaschi — delegado da Polícia Federal;
- Patrícia Bettin Chaves — coordenadora da Câmara de Coordenação e Revisão Previdenciária da Defensoria Pública da União (DPU);
- Eli Cohen — advogado responsável pelas investigações particulares iniciais que culminaram na deflagração da Operação Sem Desconto.
O colegiado aprovou ainda, diversos pedidos de informação e acesso a documentos, com o objetivo de aprofundar as investigações. Entre eles estão:
- Controladoria-Geral da União — acesso a documentos e auditorias sobre descontos indevidos em benefícios do INSS, com foco na Operação Sem Desconto;
- Polícia Federal — acesso aos autos da Operação Sem Desconto;
- Supremo Tribunal Federal — informações sobre inquéritos e ADPFs relativas a descontos ilegais e ressarcimento das vítimas;
- DPU — acesso a procedimentos envolvendo descontos indevidos;
- TCU — relatórios de auditoria e fiscalizações;
- INSS e Ministério da Previdência — processos administrativos e sindicâncias instaurados desde 2015;
- Conselho Nacional de Previdência Social — atas e documentos de reuniões sobre gestão de descontos;
- Procuradoria-Geral da República — autos de inquéritos e procedimentos relacionados às fraudes.
Diário do Poder
Lista de suspeitos só aumenta: será difícil escapar de depor na CPMI do roubo no INSS
A CPMI do roubo aos aposentados do INSS deve abrir sua primeira sessão, nesta quarta-feira (27), votando um mínimo de 35 requerimentos dos quase 1.000 já protocolados, incluindo a convocação de quem deve muitas explicações sobre a bandalheira, do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi, suspeito de omissão, a dirigentes de sindicatos e associações beneficiados com o afano bilionário e de órgãos que tinham o dever funcional de investigar tudo.
O irmão de Lula (PT), conhecido por Frei Chico, é alvo de dezenas de pedidos de convocação para depor e quebra de sigilo bancário e fiscal.
O ministro Wolney Queiroz (Previdência) era “vice” de Lupi quando a dupla foi informada do roubo um ano antes de ser revelado pela polícia.
O ex-ministro petista da Previdência Carlos Eduardo Gabas e dez ex-presidentes do INSS, desde o governo Dilma (PT), serão convocados.
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (UPb), quer identificar todos os ladrões, vê-los na cadeia e o dinheiro do roubo devolvido.
Diário do Poder
segunda-feira, 25 de agosto de 2025
Governo Lula já torrou quase R$1 bilhão em viagens
Farra incluiu R$590,5 milhões em diárias e R$364,2 milhões em passagens
Jatinho executivo da Força Aérea Brasileira (FAB), usado no transporte de autoridades
O governo Lula (PT) se distancia cada vez mais de eventual mesa de negociações com os Estados Unidos, a cada ataque ao presidente Donald Trump, mas já conseguiu torrar quase R$1 bilhão de dinheiro público em viagens somente este ano, até o dia 15 deste mês, ou mais precisamente R$960 milhões. Considerando apenas as diárias pagas a servidores petistas, foram R$590,5 milhões, enquanto as passagens consumiram outros R$364,2 milhões dos pagadores de impostos. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.
“Outros gastos” de viagens não especificados pelo Portal da Transparência representam mais R$5,2 milhões apenas este ano.
O total que o governo do PT gastou até 15 de agosto com diárias já supera a despesa com passagens aéreas em todo o ano de 2022.
Viagens internacionais representam R$143,8 milhões do total gasto pelo governo com viagens este ano; 15% do total.
Jatinho executivo da Força Aérea Brasileira (FAB), usado no transporte de autoridadesDiário do Poder
domingo, 24 de agosto de 2025
sábado, 23 de agosto de 2025
A agenda ‘woke’ do STF, por Loriane Comeli
O Supremo vem ampliando o número de decisões que atendem à cartilha “progressista”
N a mesma proporção em que escalou nas decisões abusivas dos últimos anos, especialmente nos casos ligados à liberdade de expressão de conservadores e na condução dos processos do 8 de janeiro, o Supremo Tribunal Federal também vem ampliando o número de decisões que atendem à pauta woke da Corte, alinhada à Agenda 2030, cartilha “progressista” das Nações Unidas. Temas como aborto, políticas de diversidade e inclusão, igualdade de “gêneros”, liberação das drogas, ambientalismo e racismo estão o tempo todo no radar. Nos últimos anos, quase sempre o STF decidiu a favor desses temas.
O primeiro desses casos polêmicos, em claro ativismo woke, foi o reconhecimento da união estável entre homossexuais, em 2011, e a imposição aos cartórios da celebração do casamento, feita de maneira administrativa, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2013. Sem entrar no mérito das decisões, o fato é que ambas afrontam a Constituição Federal, que descreve o casamento como a união entre homem e mulher.
Nesse caso, a evidente inconstitucionalidade da decisão poderia ter sido evitada com a prática da autocontenção judicial — como fez o Judiciário do Japão em 2022, ao reconhecer que a proibição do casamento homossexual era compatível com a Constituição. Em vez de reescrever a Carta Magna, os juízes japoneses apontaram que cabe ao Parlamento promover mudanças constitucionais e, enquanto isso não ocorre, o país tem buscado meios legais de assegurar direitos patrimoniais a casais homossexuais sem afrontar o texto constitucional.
A constitucionalização da união homossexual no Brasil “foi um passo decisivo para o Estado Pantocrático de Direito” (do grego pantokrátor: todo-poderoso, ou que tem poder sobre tudo), definiu o professor de Direito Penal Cleber de Oliveira Tavares Neto em artigo no livro Inquérito do Fim do Mundo.
A decisão seguinte, que atende à agenda global, foi a que validou as cotas raciais nas universidades. O Democratas, partido que depois da fusão com o Partido Social Liberal (PSL) tornou-se o União Brasil, foi ao STF em 2009 para invalidar uma decisão da Universidade de Brasília que criava as cotas raciais para ingresso de calouros.
O partido argumentou que havia dificuldade técnica de decidir quem era negro, que as cotas eram racistas, já que separavam as pessoas por raça, que o modelo era copiado dos Estados Unidos e que a seleção deveria ser baseada apenas no mérito. No entanto, em 2012, por unanimidade, o STF julgou o sistema constitucional.
Em 2023, a Suprema Corte dos EUA analisou o ingresso de estudantes por cotas e julgou o modelo incompatível com a 14ª Emenda da Constituição americana, que proíbe a discriminação com base na raça. Na contramão, o STF brasileiro, em 2024, validou uma lei que prorrogou a política implantada pelo PT.
Aberração jurídica
Uma das decisões mais controversas, que subverteu os princípios mais básicos do Direito, foi tomada em uma ação do Cidadania (antigo Partido Popular Socialista), em junho de 2019, quando a Corte, por maioria, criou os crimes de “homofobia” e “transfobia”, equiparando ofensas racistas a ofensas por orientação sexual. Uma das regras básicas do Direito Penal é a da reserva legal: não há crime sem que lei anterior o descreva.
Ou seja, nenhum crime pode ser criado por entendimento judicial. O caso foi analisado em dezenas de artigos e livros. “Esse julgamento (que criou a “homofobia”) disputará com o inquérito 4.781 (das fake news) como lembrança da maior aberração jurídica de toda a história das nossas cortes supremas, como o momento em que houve a quebra das maiores garantias do cidadão em um Estado democrático em nome da pura ideologia”, avaliou Tavares Neto.
Para Gustavo Lopes, ex-secretário nacional do Audiovisual e autor de Guerra cultural na prática, um dos principais problemas dessas decisões, desconectadas do que a maioria deseja, é o efeito cascata, já que são repetidas pelas instâncias inferiores e impactam a vida das pessoas.
Recentemente, esse entendimento do STF repercutiu no caso da feminista Isabella Cêpa, que pediu asilo na Europa depois de ver a possibilidade de pegar 25 anos de prisão por falar que a deputada federal e transexual Erika Hilton era “homem”, como mostrou a reportagem de Edilson Salgueiro na Edição 283 da Revista Oeste. Lopes lembra que há uma falsa legitimidade nessas decisões do STF, já que “em sua maioria, a sociedade brasileira é contrária à imposição de pautas identitárias e às diretrizes da Agenda 2030”, e instituições como o Judiciário, a mídia e a academia é que tentam dar “uma aparência de legitimidade” a essas bandeiras da esquerda.
Redução das desigualdades e igualdade de gênero
Em cumprimento à agenda de “redução das desigualdades”, o STF autorizou travestis e mulheres trans (homens biológicos) a cumprirem pena em penitenciárias femininas. A Corte foi alertada dos casos de violência contra mulheres, inclusive estupros, praticada por trans em diversos presídios femininos, mundo afora. O deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) lembrou que a própria Constituição “prevê que os presos sejam separados de acordo com a natureza do delito, idade e sexo” e a Lei de Execução Penal “assegurou às mulheres o cumprimento das penas em estabelecimentos próprios”.
A contrariedade à Carta Magna foi ignorada e o alerta, em vão. Travestis e mulheres trans tiveram reconhecido “o direito de opção por cumprir pena em estabelecimento prisional feminino ou masculino, porém em área reservada, que garanta a sua segurança”, conforme o voto do relator, Luís Roberto Barroso, hoje presidente do STF. A segurança e a integridade física das mulheres presas não foram mencionadas.
Também em razão de decisão da Corte, que atendeu a um pedido do PT, os hospitais, na Declaração de Nascidos Vivos, não podem mais ter um campo com o termo “mãe”, que deve ser substituído por “parturiente”. Para a ONG Mulheres Associadas, Mães e Trabalhadoras do Brasil (Matria), o novo termo é “tecnicamente inadequado, generalizante e desumanizante”.
Não se pode ignorar a realidade de que as “parturientes”, embora se reconheçam como homens, “necessitam de tratamentos de saúde adequados ao seu sistema reprodutor, que é determinado por seu sexo biológico”. Além disso, a decisão do STF ordena que o SUS elimine quaisquer “procedimentos burocráticos que possam causar constrangimento ou dificuldade de acesso às pessoas transsexuais”.
No segundo semestre, o STF deve julgar uma ação que pede a liberação de banheiros em espaços de uso comum para utilização conforme o gênero com o qual a pessoa se identifica. Dessa forma, uma mulher trans poderia usar os banheiros femininos. Aliás, essa foi outra conquista da comunidade trans no STF, que passou a reconhecer a identidade de gênero independentemente de cirurgia de redesignação sexual. “É reconhecido aos transgêneros que assim o desejarem, independentemente da cirurgia de transgenitalização, ou da realização de tratamentos hormonais, ou patologizantes, o direito à substituição de prenome e sexo diretamente no registro civil”, decidiu a Corte, por maioria, em 2018.
Ao longo dos últimos anos, o STF também barrou dezenas de leis municipais e estaduais que queriam proibir o ensino e o uso em documentos públicos do que se chama de “linguagem neutra”. A Corte também impediu que Estados e municípios barrassem o ensino da ideologia de gênero nas escolas.
“Foram julgadas inconstitucionais uma lei de Alagoas que instituiu o programa ‘Escola Livre’ e três normas municipais que proibiam o ensino sobre questões de gênero e sexualidade na rede pública”, contabiliza o Supremo. Quase sempre essas ações chegam ao STF por partidos de esquerda, pela Defensoria Pública ou pelo Ministério Público. Aborto, pauta permanente no STF Outra pauta woke que paira sobre a Corte é o aborto (o STF já descriminalizou o aborto de fetos anencéfalos em 2012).
Agora, a intenção é — atendendo a pedido do Psol — liberar o aborto até a 12ª semana de gestação. A ex-presidente da Corte Rosa Weber, dias antes de se aposentar, em setembro de 2023, deu um voto favorável à prática. Ela fundamentou a decisão em princípios como “a dignidade da pessoa humana, a autodeterminação pessoal, a liberdade, a intimidade, os direitos reprodutivos e a igualdade como reconhecimento”, parafraseando argumentos semelhantes aos da Agenda 2030 da ONU, que usa os eufemismos “saúde sexual e reprodutiva” e “direitos reprodutivos” para defender a legalização do aborto no mundo sem qualquer restrição.
Barroso, pressionado pelo Congresso, não pautou o tema, embora já tenha dado indícios de que é favorável à descriminalização. Em 2016, com Weber e Edson Fachin, ele concedeu habeas corpus a três acusados de crimes de aborto. Relator do caso, o agora presidente do STF entendeu que os funcionários de uma clínica de aborto não cometeram crimes porque a “interrupção voluntária da gravidez” realizada até o terceiro mês não é crime com base na legislação de outros países. “A criminalização, nessa hipótese, viola diversos direitos fundamentais da mulher, bem como o princípio da proporcionalidade”, defendeu o ministro no habeas corpus. O voto, contrário ao texto legal vigente no país — que criminaliza o aborto —, ensejou um pedido de impeachment de Barroso, que, assim como outros quase 40 requerimentos, está engavetado no Senado.
Recentemente, quem passou a militar a favor do aborto foi Alexandre de Moraes, que cassou uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que vedava o aborto por assistolia fetal, método extremamente doloroso para o bebê, não recomendando nem para animais, que consiste na aplicação de uma injeção de cloreto de potássio na criança. É o método que a OMS, braço da ONU para a saúde, e o Ministério da Saúde aprovam para abortar quando a gravidez passa das 22 semanas e o bebê já tem condições de viver fora do corpo da mãe.
Esse tipo de aborto costuma ocorrer em caso de gravidez resultante de estupro e, então, não é penalizado. Para Moraes, a resolução do CFM, para evitar sofrimento ao bebê, é “uma restrição de direitos não prevista em lei, capaz de criar embaraços concretos e significativamente preocupantes para a saúde das mulheres”. A liminar, concedida ao Psol, não foi referendada. André Mendonça votou contra, e Nunes Marques pediu destaque, levando o caso ao plenário.
Maconha e ambientalismo woke
Outra polêmica na qual o STF se envolveu foi a descriminalização do porte de drogas: quem é flagrado com até 40 gramas de maconha não é considerado traficante e, sim, usuário. Isso permitiu a efetivação de outra agenda da esquerda: o desencarceramento em massa de pessoas antes condenadas por tráfico. A decisão, segundo juristas e congressistas, favorece o tráfico e representa mais uma invasão da competência do Congresso. Com a decisão do STF, o CNJ começou um mutirão carcerário para tirar da cadeia traficantes presos com até 40 gramas de maconha que agora são “usuários”.
Seguindo a cartilha woke da ONU, o STF também “legisla” sobre a pauta ambiental, como foi o caso da declaração de inconstitucionalidade do marco temporal das terras indígenas, em setembro de 2023. A despeito do que estava explícito na Constituição Federal, a Corte, por nove votos a dois, entendeu que qualquer terra, não apenas as reivindicadas até 5 de outubro de 1988, podem ser demarcadas e entregues aos indígenas. “É uma decisão muito encorajadora”, disse o alto comissário de Direitos Humanos da ONU, Volker Turk, na ocasião.
Em outubro, porém, em reação à invasão de competência pelo STF, o Congresso aprovou a Lei 14.701/2023 que estabelece o marco temporal na mesma data prevista anteriormente. A questão também foi judicializada e, agora, a ONU cobra pressa do STF para analisar as ações. “Grande parte da violência contra pessoas defensoras de direitos humanos no país está enraizada no conflito pela terra”, arriscou Mary Lawlor, do Conselho de Direitos Humanos da ONU.
STF - A decisão do @STF_oficial sobre o amianto crisotila reforça compromissos globais, como os que são parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (@ONUBrasil) #PraTodosVerem: contém descrição da imagem
Para os cabeças da Corte, a conduta “ativista” do STF eleva o “grau de civilidade do Brasil”, como gosta de afirmar Barroso. Para os brasileiros, no entanto, parecem decisões arbitrárias, à revelia do tipo de candidato que escolheram para o Congresso, por exemplo. “A Suprema Corte age como um governo paralelo”, afirma Gustavo Lopes. “Com agenda própria e um acentuado viés ideológico, sem qualquer nível de representatividade social”.
Loriane Comeli - Revista Oeste
sexta-feira, 22 de agosto de 2025
'Um pesadelo totalitário', por Flávio Gordon
Longe de ser um evento isolado, a farsa brota do solo envenenado de um pacto que se cristalizou no coração do poder brasileiro
“O Estado totalitário não tolera a liberdade do espírito, pois nela vê uma ameaça à sua pretensão de absoluto.” (Luigi Sturzo, O Estado Totalitário, 1935)
O Brasil, hoje eviscerado pela opinião pública mundial tal qual um besouro por um entomologista, consolidou uma distopia que faria perplexos os grandes mestres do gênero. A Polícia Federal, outrora instituição de Estado, e hoje reduzida a uma Gestapo tropical, alardeia ter desmantelado uma “conspiração internacional” de proporções apocalípticas. No centro da trama estão Jair Bolsonaro e Martín de Luca, advogado americano do Rumble e da Truth Social, que teriam cometido a ousadia de desafiar o intocável (ma non troppo) Alexandre de Moraes.
As evidências apresentadas são um escárnio à razão: mensagens de WhatsApp, áudios triviais trocados em conversas informais e esboços de estratégias jurídicas que, em qualquer democracia minimamente digna do nome, não passariam de um corriqueiro aconselhamento jurídico. Aqui, contudo, sob o olhar fanático de um tribunal que opera com a lógica inquisitorial de regimes totalitários, esses elementos são carimbados de “golpe de Estado”, numa dinâmica perversa onde a mera suspeita faz as vezes de veredicto inapelável.
Longe de ser um evento isolado, a farsa brota do solo envenenado de um pacto nefasto que se cristalizou no coração do poder brasileiro, o consórcio STF-PT-Globo. Trata-se de uma aliança simbiótica, na qual a toga, com seu verniz de legalidade, legitima as ambições autoritárias do Partido dos Trabalhadores, enquanto este, em retribuição, garante à corte uma aura de divindade intocável, blindada contra qualquer escrutínio. Esse regime, que não dispensa o espetáculo da força bruta, opera também com a precisão venenosa da caneta dos juízes e a subserviência de uma polícia que, despojada de seu distintivo e da chancela da lei, abraçou a lealdade partidária simbolizada pela estrela vermelha.
Como num pesadelo totalitário em que o poder não se contenta em governar, mas exige reescrever a própria realidade, o consórcio transforma dissenso em crime, opinião em heresia e pluralidade em ameaça. Tudo sob a direção de cena dos apparatchiks globais… O caso de Martín de Luca é apenas um capítulo dessa pantomima que se autoproclama “defesa da democracia”, mas que, na prática, reduz o conceito a um privilégio exclusivo de uma casta que se arrogou o direito de decidir quem pode falar, escrever, legislar ou mesmo existir no cenário político.
Prints de WhatsApp, interpretados com o fervor literário de delegados em busca de holofotes (e promoções), são alçados à categoria de provas de alta traição, numa lógica que remete aos tribunais de regimes em que a acusação é a própria sentença. A essa perseguição soma-se o ataque ao pastor Silas Malafaia, figura proeminente do evangelicalismo brasileiro, e relevante opositor ao regime.
Sintomaticamente, ele também se tornou alvo de medidas restritivas draconianas, tendo os celulares apreendidos (cujo conteúdo particular foi logo vazado pela imprensa sicofanta), o passaporte retido e os sigilos quebrados.
Ademais, o líder religioso foi proibido de manter contato com Jair e Eduardo Bolsonaro, sob a acusação de “coação” e “obstrução de Justiça”. O suposto crime são áudios nos quais Malafaia sugeria condicionar a suspensão de tarifas comerciais americanas à anistia de investigados pelos atos de 8 de janeiro — a defesa de uma causa humanitária que, em qualquer sociedade livre, seria protegida como liberdade de expressão, e que, proviesse da esquerda, renderia prêmios e menções honrosas na imprensa e em fóruns internacionais.
Paralelamente, um vexame de proporções internacionais expõe a verdadeira natureza do déspota que comanda toda essa cruzada. Atingido pela Lei Magnitsky, Alexandre de Moraes teve seu cartão de crédito internacional bloqueado pelo Banco do Brasil. Embora oficialmente o ministro não possua ativos no exterior, o fato é secundário diante do simbolismo inapelável. Fora da bolha servil formada pela mídia e pelos tribunais brasileiros, Moraes é reconhecido pelo que realmente é: um violador contumaz dos direitos humanos, um burocrata que se crê imune à fiscalização da sociedade, mas cuja arrogância está sendo dia a dia desmascarada no cenário global.
Esses episódios, longe de serem anomalias, compõem um mosaico de desmandos cuja origem remonta ao Foro de São Paulo, engendrado por Lula e Fidel Castro em 1990, que ensinou à esquerda latinoamericana como fundir a política com o crime. O Brasil de 2025 é a apoteose dessa doutrina: um banditismo institucionalizado, no qual a toga serve como cutelo de vingança partidária e a narrativa oficial é elevada à condição de dogma inquestionável. Enquanto o consórcio acusa Bolsonaro de “subserviência” a Trump, silencia sobre os bilhões de reais que, sob o governo Dilma, foram canalizados para sustentar a ditadura cubana por meio do programa Mais Médicos — um escândalo que transformou o Brasil em financiador do castrismo, sob os aplausos entusiásticos da elite progressista que hoje se cala diante do arbítrio doméstico. Isso para não falar da transformação do Brasil, promovida pelo lulopetismo, numa reles colônia chinesa de exploração.
Fiel escudeira do consórcio, a imprensa autoproclamada “profissional” consagra cada ato de censura como um hino à civilização, enquanto o Legislativo, reduzido a um apêndice servil, limita-se a ratificar os ukases do Supremo. O povo, que outrora se acreditava soberano, é agora um rebanho manipulado, forçado a assistir à destruição de sua própria liberdade enquanto o consórcio se apresenta como guardião da democracia. As medidas contra Malafaia — apreensão de passaporte, proibição de deixar o país, quebra de sigilos — e o bloqueio do cartão de Moraes são o espelho que revela a nudez do tirano. Idolatrado pela bolha nacional como salvador da pátria, Moraes é, no exterior, apenas um burocrata sancionado, um tiranete de província que governa uma república de faz-de-conta, onde a justiça é um pretexto e a lei, um instrumento de opressão.
O Brasil de 2025 não necessita de campos de reeducação (embora já os tenha) ou de pelotões de fuzilamento (que, por enquanto, habitam apenas a imaginação e a retórica da intelligentsia de esquerda). A ditadura opera por meio de panfletos disfarçados de despachos e operações cinematográficas da Polícia Federal, que transformam a repressão em espetáculo e visam a constranger pelo medo. A perseguição a Malafaia é emblemática desse processo: um líder religioso, cuja influência mobiliza milhões, é reduzido a alvo de um sistema que criminaliza a expressão de ideias, enquanto a narrativa oficial, respaldada por uma imprensa sicofanta, apresenta os abusos como necessários para “proteger a democracia”.
A história, testemunha implacável que não se curva a narrativas fabricadas, registrará o colapso da Nova República erguida sobre a automistificação da democracia contra o golpismo. Como numa fábula sombria, onde o porco que prometia liberdade revela-se o novo tirano, o Brasil, sob o jugo da toga e da estrela, tornou-se uma fazenda onde a igualdade é apenas um slogan, e o direito, uma memória distante. O consórcio STF-PT, com sua maquinaria de repressão e sua retórica hipócrita, pode enganar por algum tempo, mas não para sempre. Quando até os cartões de crédito e as manchetes internacionais denunciam a impostura, é sinal de que o espetáculo, cedo ou tarde, chegará ao seu ato final.
Flávio Gordon - Revista Oeste
Oeste ‘forever’, por Guilherme Fiuza
instituições que possam sobreviver às pessoas
— Vou fazer a assinatura vitalícia da Oeste.
— O que é isso?
— Assinatura pro resto da vida.
— Pra quê?
— Ué? Pra não precisar renovar nunca mais. Vou poder ler a revista inteira sempre que eu quiser.
— Como é que você sabe o que você vai querer ler daqui a dez anos?
— Vou querer ler a Oeste.
— E se a revista mudar de dono? E se ela virar mais um puxadinho do sistema?
— É ruim, hein?
— Sei lá. Já vi de tudo na imprensa.
— Comecei a ler e assistir a Oeste na pandemia. Era justamente o lugar onde eu conseguia ver as coisas fora do terror do sistema.
— É, mas as coisas mudam.
— Claro que mudam. Num país onde até o passado é incerto… Que dirá o futuro.
— E aí você vai fazer uma aposta pra vida inteira.
— Vou.
Foto: Shutterstock— Não tem medo de se arrepender?
— As pessoas estão apostando até em quem vai receber cartão amarelo. Por que eu não posso apostar num veículo em que eu confio?
— Confia hoje. Como você mesmo disse, aqui até o passado é incerto.
— Não vou me arriscar a prever o passado. Vou investir na previsibilidade do futuro.
— Pra quê?
— Qualquer construção de país tem que ter coisas que durem, instituições que possam sobreviver às pessoas.
— E se o PT mudar o mapa de novo, invertendo Leste e Oeste? A revista que você assinou pra sempre pode ir parar na China.
— Tenho fé que a Oeste sobreviverá ao IBGE.
— E se o Augusto Nunes começar a falar bem do Lula? Tenho visto metamorfoses impressionantes nesse campo…
— Mais fácil um elefante sobrevoar o Palácio da Alvorada dando tchauzinho pra Janja.
— O certo é Palácio “do” Alvorada.
— Vejo que você andou estudando português com a primeira-dama.
— Não foge da minha pergunta.
— Que pergunta?
— Sobre o principal jornalista da Oeste.
— Bom, se a minha resposta não ficou clara, vou tentar ser mais explícito: a probabilidade de o Augusto Nunes dar essa pirueta intelectual que você mencionou é exatamente a mesma de a Dilma Rousseff refutar Albert Einstein e reescrever a Teoria da Relatividade.
— Ué? Por que não? Lá nos Brics ela está com tempo.
— OK, desisto. Você venceu.
— Não vai mais fazer a assinatura vitalícia da Oeste?
— Vou.
— Então por que você disse que desistiu?
— Desisti do diálogo com você. Mas vou fazer uma coisa melhor.
— O quê?
— Vou te dar de presente uma assinatura vitalícia da Oeste. Você vai precisar de tempo.
Guilherme Fiuza - Revista Oeste
Ana Paula Henkel - 'Condenados pela verdadeira crueldade'
Enquanto a filha do ministro Alexandre Padilha não pode viajar para a Disney, mães e avós presas nos atos do 8 de janeiro estão separadas de seus filhos e netos, sentenciadas a penas desproporcionais e politicamente motivadas
Recentemente, uma jornalista da Globo News, em tom de indignação, classificou como “crueldade” a revogação dos vistos de entrada nos Estados Unidos da esposa e da filha de 10 anos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em meio a sanções relacionadas ao programa Mais Médicos — um esquema criminoso para enviar dinheiro dos pagadores de impostos do Brasil à ditadura cubana.
A palavra “crueldade” foi jogada ao vento e usada para descrever o impacto de sanções diplomáticas sobre uma família abastada, como se a perda de um privilégio de viagem fosse o ápice do sofrimento humano.
Enquanto isso, mães, avós e cidadãs comuns, presas após os eventos de 8 de janeiro de 2023, enfrentam uma realidade infinitamente mais brutal: anos de prisão, separação de seus filhos e condições desumanas, sob decisões judiciais desproporcionais e politicamente motivadas.
Desde 8 de janeiro de 2023, centenas de pessoas foram presas, muitas sem acusações formais imediatas, e enfrentam processos carentes de transparência e proporcionalidade. Entre os detidos estão pessoas que, em muitos casos, sequer participaram de atos de vandalismo, mas foram condenadas a penas de até 17 anos de prisão.
Sim, ouvimos isso mesmo. Diante de toda a barbárie que estamos vivendo, uma apresentadora resolveu dizer, quase aos gritos, que revogar o visto americano — que é um privilégio, e não um direito — de uma criança de 10 anos é uma “crueldade sem tamanho”.
globon\news - ANÁLISE – “Que absurda essa decisão. Todas as decisões. É uma perseguição implacável. O que que é isso?”, indagou @sadiandreia no #Estúdioi desta sextafeira (15) após os Estados Unidos cancelarem o visto da mulher e da filha, de 10 anos, de Alexandre de Padilha, ministro da Saúde do governo Lula (PT). As duas estão no Brasil. “É impossível você imaginar que essas pessoas vão trazer esse tipo de prejuízo, esse tipo de sanção. É cruel. É tão absurdo isso que eles estão fazendo”, seguiu a apresentadora. A família de Padilha foi informada dos cancelamentos nesta manhã por View more on Instagram 22/08/2025, 18:11 Condenados pela verdadeira crueldade - Revista Oeste https://revistaoeste.com/revista/edicao-284/condenados-pela-verdadeira-crueldade/ 4/18 comunicados enviados pelo consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo. Nesta quinta-feira (14), a embaixada americana em Brasília publicou uma mensagem em uma rede social afirmando que o “Mais Médicos” foi um "golpe diplomático" e que o governo de Donald Trump continuará "responsabilizando os indivíduos ligados a esse esquema". O programa foi criado em 2013, quando Padilha comandava a pasta da Saúde, no governo Dilma Rousseff. @valdocruz também repercutiu a suspensão e disse que “não faz sentido nenhum”. ➡ Acompanhe as atualizações na #GloboNews #jornalismo #notícias #política View all 20,898 comments Add a comment...
Na mesma hora, enviei uma mensagem para Edilson Salgueiro, meu colega aqui na Oeste e responsável por várias reportagens sobre as vítimas, e pedi a lista da verdadeira crueldade do atual regime de Alexandre de Moraes. Entre os nomes, estão mulheres como Débora dos Santos, cuja história exemplifica o que muitos chamam de perseguição judicial. Essas mães não são apenas números em uma lista; são mulheres arrancadas de suas famílias, privadas de ver seus filhos crescerem, enquanto a narrativa midiática foca em “crueldades” como a perda de vistos para os EUA e a impossibilidade de ir para a Disney.
Débora dos Santos é uma das faces mais emblemáticas dessa tragédia — a Débora do “batom”, como ficou conhecida. Mãe de duas crianças, Rafael, de 8 anos, e Caio, de 10 anos, Débora foi condenada a 17 anos de prisão. Sua “culpa”? Estar presente em Brasília no dia 8 de janeiro, em um protesto que muitos consideram um exercício de liberdade de expressão. Não há evidências públicas de que Débora tenha participado de atos de violência ou depredação, mas isso não impediu o STF, sob a relatoria de Alexandre de Moraes, de impor uma pena desproporcional, ilegal e desumana.
Enquanto a Globo News chora pela “crueldade” de uma criança de 10 anos não poder viajar aos EUA, onde está a indignação pela separação de Débora de seus filhos?
Outras mães, outras histórias de dor
E Débora não está sozinha. A lista enviada por Edilson Salgueiro inclui outras mulheres em situações igualmente devastadoras. Enquanto muitos veem apenas números em uma lista macabra, aqui vemos mães e inocentes que estão pagando pelo fetiche da perseguição política do sistema – nomes e sobrenomes de pessoas e famílias marcadas para sempre pela injustiça de quem prometeu honrar nossas leis.
– Rieny Munhoz Mácula – Condição: gravidez de alto risco (oito meses). Motivo da prisão: condenada por abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Situação: condenada a 17 anos e 6 meses de prisão.
– Diovana Vieira da Costa, 23 anos – Condição: filho recémnascido. Motivo da prisão: ré por crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e associação criminosa. Situação: aguarda julgamento destacado para o plenário físico do STF.
– Juliana Gonçalves Lopes Barros, 34 anos – Filhos: Davi, 9 anos, com asma severa, e Eva, 7 anos. Motivo da prisão: denunciada por abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e associação criminosa. Situação: condenada a 17 anos de prisão. Segue presa.
– Ana Flávia de Souza Monteiro Rosa, 37 anos – Filhos: Isaac Daniel, 7 anos. Motivo da prisão: acusada de incitar e participar da depredação de prédios públicos; denunciada por associação criminosa e dano qualificado. Situação: condenada a 17 anos de prisão. Segue presa
Ilustração: Shutterstock
– Jaqueline Freitas Gimenez, 40 anos – Filhos: Isabelle, 10 anos, e um menino mais novo, de 7 anos (nome não informado). Motivo da prisão: acusada de participar da invasão e depredação, enquadrada em abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e associação criminosa. Situação: condenada a 16 anos de prisão. Segue presa.
– Josilaine Cristina Santana, 43 anos – Filhos: um menino de 9 anos (nome não divulgado). Motivo da prisão: acusada de participação ativa na invasão, denunciada por golpe de Estado, associação criminosa e dano qualificado. Situação: condenada a 16 anos e 6 meses de prisão. Segue presa e sofre de depressão no cárcere.
– Débora Chaves Caiado, 43 anos – Filhos: um menino de 8 anos, com TDAH (nome não informado). Motivo da prisão: denunciada por incitar e financiar atos do 8/1; acusada de associação criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Situação: condenada a 14 anos de prisão. Segue presa desde junho de 2024.
– Ednéia Paes Silva dos Santos, 38 anos – Filhos: Maria Fernanda, 10 anos, e um filho maior de idade (nome não informado). Motivo da prisão: denunciada por participar da invasão e destruição de patrimônio, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Situação: condenada a 17 anos. Alternou períodos de prisão domiciliar e cárcere fechado. Segue presa.
– Camila Mendonça Marques, 37 anos – Filhos: Clara, 7 anos, e Vinícius, 13 anos. Motivo da prisão: condenada por participação nos “atos golpistas”, denunciada por abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e associação criminosa. Situação: condenada a 17 anos de prisão. Segue presa.
E as filhas de Cleriston da Cunha que morreu na Papuda depois do mais absoluto descaso de Alexandre de Moraes, que ignorou oito pedidos de habeas corpus com atestados médicos e até sustentação da própria Procuradoria Geral da República (PGR) para que sua prisão fosse revertida para domiciliar? Clezão sofria de problemas cardíacos graves e precisava de cuidados médicos diários. Morreu nas mãos do Estado. Uma crueldade, claro, mas bem menor do que “perder o visto para os EUA”
Mais Médicos e mais hipocrisia
O caso de Alexandre Padilha e as sanções dos EUA ilustram a desproporção na narrativa midiática. O programa Mais Médicos, criado em 2013, foi criticado e sancionado pelos EUA por sua parceria com Cuba, que explorava médicos cubanos, retendo grande parte de seus salários. A Globo News, por sua vez, amplificou a narrativa de “crueldade” contra a família do socialista Padilha, que agora perdeu o privilégio de visitar a terra dos ianques malvados e do capitalismo selvagem.
A palavra “crueldade” parece ter pesos diferentes dependendo de quem a pronuncia. Para a torcida de pompom na imprensa desconectada da realidade, perder um visto é uma tragédia digna de manchetes e faniquitos na TV. Para as mães do 8 de janeiro, a destruição de suas vidas e famílias é apenas uma nota de rodapé. Essa seletividade não é apenas hipocrisia; é uma afronta à justiça e à dignidade humana. A criança de 10 anos de Padilha não poderá visitar os EUA, mas os filhos de Débora, Josilaine e outras enfrentam um futuro sem suas mães, em meio a condições de saúde precárias e abandono emocional.
Qual dessas situações merece o rótulo de “crueldade”? A resposta é clara, mas não para a elite midiática que escolhe suas causas com base em conveniências políticas e interesses nos jogos de poder.
A promessa traída dos direitos humanos
A humanidade alcançou um marco grandioso em 10 de dezembro de 1948, com a adoção da Declaração Universal dos Direitos Humanos pela ONU. Esse documento, nascido das cinzas da Segunda Guerra Mundial, prometeu proteger a dignidade, a liberdade e o direito à família para todos, sem distinção. Artigos como o 3º (“Todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança”) e o 9º (“Ninguém será submetido à prisão arbitrária”) foram celebrados como pilares de uma nova era. No entanto, a história mostra que essas promessas são frequentemente traídas quando o poder político busca silenciar dissidentes.
Eleanor Roosevelt segurando um cartaz da Declaração Universal dos Direitos Humanos (em inglês), em Lake Success, Nova York, EUA (1949) | Foto: Wikimedia Commons
As mães do 8 de janeiro são exemplos vivos dessa traição. Presas sem evidências claras de crimes graves, separadas de seus filhos e submetidas a penas desproporcionais, elas enfrentam uma realidade que contradiz os ideais da Declaração. Historicamente, casos semelhantes ocorreram em regimes que usavam a justiça como ferramenta de repressão.
Na África do Sul do apartheid, mulheres foram presas e separadas de suas famílias por resistirem ao regime. No regime stalinista (1929- 1953), milhões de pessoas foram enviadas a campos de trabalhos forçados (Gulags) como parte da repressão política. Muitas mulheres, acusadas de serem “inimigas do povo” por motivos muitas vezes vagos (como oposição ao regime ou laços familiares com dissidentes), foram separadas de seus filhos. O regime nazista (1933-1945) separou inúmeras mães de seus filhos, especialmente em campos de concentração e extermínio. A desumanização das mães nos campos nazistas, arrancadas de seus filhos por um regime que as via como inimigas, ecoa a dor das mães do 8 de janeiro, presas e separadas de seus filhos por acusações que muitos questionam quanto à proporcionalidade.
Esses episódios, embora distintos, mostram como o poder pode distorcer a justiça para punir quem o desafia, traindo os princípios de humanidade que a Declaração de 1948 buscava proteger.
No Brasil de 2025, as condenações do 8 de janeiro ecoam essa traição. Alexandre de Moraes, ao liderar os processos, é acusado por críticos — e agora pelos Estados Unidos – de conduzir uma perseguição política disfarçada de defesa da democracia. As penas de 12, 15 ou 17 anos impostas a mães como Débora, Josilaine e outras violam o espírito da Declaração, que exige proporcionalidade e respeito aos direitos fundamentais. A verdadeira crueldade está em ignorar esses princípios em nome de uma narrativa que serve a interesses políticos.
Na esteira das listas da barbárie no Brasil de 2025, em uma similaridade de arrepiar os cabelos com as piores páginas da humanidade, encontramos também idosos com condenações e penas de dar um nó na garganta.
Com a imputação de crimes como golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, associação criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, ler os nomes das pessoas que deveriam estar cuidando de seus netos, mas que estão encarceradas por puro abuso da injustiça, é de apertar o coração. Aqui em Oeste, eles jamais serão apenas “estatísticas” do 8 de janeiro:
– Vildete Ferreira da Silva Guardia, 74 anos – condenada a 16 anos e 6 meses em regime fechado.
– Iraci Megumi Nagoshi, 73 anos – condenada a 16 anos e 6 meses em regime fechado.
– Maria de Fátima Jacinto, 70 anos – condenada a 17 anos em regime fechado.
– Sônia Teresinha Possa, 67 anos – condenada a 16 anos e 6 meses em regime fechado. – Jair Domingues de Morais, 67 anos – condenado a 13 anos e 6 meses em regime fechado. – José Carlos Galanti, 66 anos – condenado a 16 anos e 6 meses em regime fechado.
– Luís Carlos de Carvalho Fonseca, 64 anos – condenado a 16 anos e 6 meses em regime fechado. – Ana Elza Pereira da Silva, 64 anos – condenada a 14 anos em regime fechado.
– Maria do Carmo da Silva, 63 anos – condenada a 14 anos em regime fechado. – Francisca Hildete Ferreira, 63 anos – condenada a 13 anos e 6 meses em regime fechado.
– Antônio Teodoro de Moraes, 71 anos – condenado a 14 anos em regime fechado.
– Cláudio Rubens da Costa, 73 anos – condenado a 13 anos e 6 meses em regime fechado.
– Jamildo Bomfim de Jesus, 62 anos – condenado a 14 anos em regime fechado.
– Moisés dos Anjos, 63 anos – condenado a 13 anos e 6 meses em regime fechado.
– Nelson Ferreira da Costa, 61 anos – condenado a 16 anos e 6 meses em regime fechado.
– Marco Afonso Campos dos Santos, 62 anos – condenado a 13 anos e 6 meses em regime fechado.
E esta nem é uma lista completa. Se, assim como eu, você chegou até aqui diante desses nomes, condenações e penas absurdas com o estômago embrulhado, que façamos juntos uma oração para que o socorro também venha dos céus. Afinal, já ficou óbvio que essa guerra é também entre o bem e o mal.
Crueldade é arrancar uma mãe ou uma avó de seus filhos e netos, condená-las a anos de prisão sem provas claras de crimes graves e ignorar o sofrimento de famílias destruídas sob o pretexto de defender a democracia. Enquanto a mídia dá chiliques por Alexandre Padilha e sua família, as vozes dessas famílias permanecem silenciadas.
É hora de mostrar com todas as letras o que significa, de fato,
crueldade. É hora de exigir justiça para as pessoas do 8 de janeiro e
expor a hipocrisia e maldade de quem ignora a cruel realidade. Que a
história julgue e condene aqueles que, por ação ou omissão,
perpetuam esse ciclo de dor.
Ana Paula Henkel - Revista Oeste