quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Sonia Racy: Moro vai aceitar o Ministério da Justiça ampliado

SERGIO MORO
SERGIO MORO. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
No encontro que terá amanhã as 9h30, com Jair Bolsonaro e com seu vice, o general Hamilton Mourão, na casa do presidente eleito, no Rio, o juiz Sérgio Moro vai comunicar que aceita o convite que lhe será formalizado, para assumir o Ministério da Justiça. Ao que se apurou, a inclinação do juiz curitibano, diante da escolha de seu nome, foi claramente positiva.
Como seria esse novo ministério? Ele traria um novo desenho do MJ, mais ampliado, que incluiria a área de Segurança Pública, mais a Secretaria da Transparência e Combate à Corrupção, juntando no pacote a CGU e o Coaf.
O Estado de São Paulo

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Bolsonaro poderia cortar verbas oficiais para a imprensa, em vez de arengar pontualmente com a Folha. Encara essa, capitão!

Há muito defendemos que o governo, qualquer governo, e em todos os níveis, elimine a indecente farra com dinheiro público em publicidade nos jornais, revistas, rádio e TVs.

Deve ser obrigatória apenas a publicação legal. Que é lei.

Publicidade é um caminho largo para a corrupção. Não imaginem que a lavagem de dinheiro ocorre apenas nas campanhas eleitorais. As agências de publicidade lavam dinheiro 365 dias...

O mensalão de Lula foi escancarado, porque ele ultrapassou todas as fronteiras. Não foram só os políticos que se locupletaram. Jornalistas participaram do banquete. Amorais, atacavam os adversários do governo.

Os blogs sujos que explodiram durantes os governos corruptos de Lula e Dilma - os anteriores também eram, em menor escala - são emblemáticos.

No Roda Viva, o ex-presidente do PT, Rui Falcão, teve a cara de pau de relacioná-los sem constrangimento.

Àquela altura, Lula não havia sido processado, condenado e preso, como o maior ladrão da Lava Jato.

Com Lula impune, Falcão acenava à corrupção. Seus comparsas se sentiam estimulados a engrossar a roubalheira.

Na coluna desta quarta-feira, Carlos Brickmann revela que "é totalmente favorável ao corte de verbas oficiais para a imprensa".

"O correto", acrescenta Brickmannn, "é suspender de vez a publicidade oficial, excetuando-se os anúncios legalmente obrigatórios, e as mensagens de utilidade pública vacinações, interrupção de serviços essenciais, não mais do que isso. Cada publicação que viva de seus próprios recursos. Mas quem tem coragem de cortar essa verba tão parecida com gentileza oficial?"

É isso!

Infelizmente, os grandes grupos de comunicação não consideram interromper essa prática velhaca de receber enormes somas de dinheiro do povo, que poderiam ser aplicadas em causas nobres, como educação, saúde, segurança e infraestrutura.

Como lembrou Brinckmannn, que governo terá a 'coragem de cortar essa verba tão parecida com gentileza oficial?'

Bolsonaro poderia cortar verbas oficiais para a imprensa, em vez de arengar pontualmente com a Folha.

Encara essa, capitão! 





“Rastros de ódio” e outras notas de Carlos Brickmann

Carlos Brickmann é totalmente favorável ao corte de verbas oficiais para a imprensa. Atingir veículos que nossos aliados consideram mentirosos é para os fracos. O correto é suspender de vez a publicidade oficial, excetuando-se os anúncios legalmente obrigatórios, e as mensagens de utilidade pública vacinações, interrupção de serviços essenciais, não mais do que isso. Cada publicação que viva de seus próprios recursos. Mas quem tem coragem de cortar essa verba tão parecida com gentileza oficial?



Ao assinar o Ato Institucional nº 5, a mais sinistra norma da ditadura que hoje dizem que não houve, o vice-presidente Pedro Aleixo alertou para o risco da concentração de poder. Perguntaram-lhe se não confiava no presidente Costa e Silva. Aleixo: “Tenho medo é do guarda da esquina”.
Bolsonaro venceu as eleições num clima tenso, em que sofreu até um atentado que por pouco não o mata. Ainda está com retórica eleitoral, diz que vai cortar as verbas oficiais de órgãos de imprensa que mentirem ─ em vez de processá-los na forma da lei. Mas tem seus guardas de esquina, que adoram radicalismo: agora, querem boicotar 700 pessoas, entre as quais numerosos artistas, pelo crime de terem se manifestado pelo PT.
Cada cidadão é livre para assistir ou não aos espetáculos artísticos. Se resolver desistir de algumas obras-primas de Chico Buarque por seu apoio a Cuba, que desista  nada contra. Mas mover uma campanha para boicotar quem optou por outro candidato não é liberdade: é crime, dá processo, mesmo que a veiculação seja apenas pelo WhatsApp. E é coisa velha que já provou seu desvalor: nos Estados Unidos, ocorreu no início da década de 1950, e se chamou macarthismo  lembrando o nome do senador Joseph McCarthy, que comandou a campanha. Hoje, sabe-se: foi coisa de idiota.
O macarthismo não partiu de Bolsonaro. Mas ele é que precisa dizer a seus adeptos sinceros, porém radicais, que assim não dá para liderar o país.

Velhas histórias
Na década de 1930, Alemanha e Itália fizeram campanha de boicote aos judeus na Europa (que depois virou massacre). Cientistas como Enrico Fermi, Albert Einstein, Leo Szilard, Hans Bethe, Edward Teller migraram para os Estados Unidos. E foram parte essencial do Projeto Manhattan, que construiu as primeiras bombas atômicas. Os artistas perseguidos na Europa ajudaram a transformar Hollywood na capital mundial do cinema.

Assim é difícil
A crise é brava, o desemprego é alto, e é hora de pensar, como Juscelino Kubitschek pensou, em pacificar o país. Haddad se veste bem, mas não teve gentileza suficiente para reconhecer a derrota e desejar boa sorte ao vitorioso (só se manifestou no dia seguinte, e não de viva voz: só Twitter). O Movimento dos Sem-Teto já invadiu a casa onde morava o empresário Georges Gazale, em São Paulo. Guilherme Boulos, do MTST, promete resistir  e a resistência começa nesta semana, embora Bolsonaro só tome posse em janeiro. É uma política de confronto. A população fica no meio.
E uma deputada do PSL de Santa Catarina, Ana Caroline Campagnolo, sugere a universitários que espionem os professores, até gravando a aula, para denunciá-los. Mas desta o Ministério Público já está cuidando.

Quanto pior, melhor
Depois de assistir à vitória de seu adversário Donald Trump, Obama foi enfático: “acima de tudo, estamos todos no mesmo time”. No mesmo time, no mesmo avião. Se o país continuar indo mal, vamos todos ficar mal.

Guerra à imprensa
Bolsonaro acusa a Folha de S.Paulo de mentir e ameaça cortar as verbas públicas de publicidade para os veículos de comunicação que mentirem. E quem verifica a mentira? Dias antes de sua morte, ainda havia prognósticos favoráveis a respeito da saúde de Tancredo Neves, desmentindo as noticias dos jornais  e eram os jornais que estavam certos, falando a verdade.
É bobagem declarar guerra à imprensa: quem aniquila um veículo não é o Governo, são seus leitores, ouvintes, espectadores. Estar em guerra com ela não faz com que deixe de publicar as notícias que apurar. É importante lembrar que toda imprensa é de oposição. Se a imprensa só divulga notícias a favor do Governo, não se chama imprensa: seu nome é propaganda.

Definição
Notícia é o que alguém não quer ver publicado. Imprensa é chata. Mas só é chata, e portanto útil, se for livre. Se não for livre, para que existe?

Cortando fundo
Este colunista, a propósito, é totalmente favorável ao corte de verbas oficiais para a imprensa. Atingir veículos que nossos aliados consideram mentirosos é para os fracos. O correto é suspender de vez a publicidade oficial, excetuando-se os anúncios legalmente obrigatórios, e as mensagens de utilidade pública vacinações, interrupção de serviços essenciais, não mais do que isso. Cada publicação que viva de seus próprios recursos. Mas quem tem coragem de cortar essa verba tão parecida com gentileza oficial?

Novo líder
Preste atenção em Ciro Gomes, PDT. Perdeu as eleições, mas tanto ele quanto sua vice, Kátia Abreu, cresceram na campanha. Ciro está disposto a liderar a oposição a Bolsonaro, sem ligação com Lula. Parece disposto a fazer oposição de verdade, não oposição para impedir o país de funcionar.



Com Blog do Augusto Nunes, Veja

"Moro, o Pelé de Bolsonaro"

O juiz Sérgio Moro já deu todas as indicações possíveis de que aceitará o convite do presidente Jair Bolsonaro para ser ministro da Justiça e daqui a dois anos ou menos ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) na vaga a ser aberta com a aposentadoria compulsória do ministro Celso de Mello.
Se o convite para ministro da Justiça não trouxesse embutido o acerto para que dali ele saltasse para o STF, até que Moro o recusaria. Mas esse não é o caso. Um lugar na mais alta corte de justiça do país é o sonho de qualquer juiz. Moro acha que sua obra como juiz federal está completa. E sua mulher também concorda.
Quem o suceder no comando do braço original da Lava Jato no Paraná estará obrigado a ser tão rigoroso quanto ele tem sido. E Moro considera que seu trabalho ali está praticamente concluído. Pouco se lhe dá que o PT possa aproveitar sua entrada no governo Bolsonaro para tentar desacreditá-lo. Ele se acha blindado.
Um amigo de Moro, que ainda duvida que ele aceite o convite, lembrou ontem à noite que Fernando Henrique Cardoso, no seu primeiro governo, teve Pelé como ministro dos Esportes. Moro seria o Pelé do governo Bolsonaro. Só que Pelé não desfalcou a Seleção para ser ministro, ele já aposentara as chuteiras.
Moro desfalcará o combate à corrupção como seu líder inconteste. Enfraquecerá a operação da qual se tornou um símbolo. Porá em dúvida sua imagem de juiz isento de paixões políticas. E dará forte munição para que desafetos tentem desqualificar suas decisões. Um prato cheio a ser devorado por um PT faminto.
Quanto a Bolsonaro, será aplaudido pelos seus devotos e também por aqueles que sempre quiseram ver Moro removido de onde está. Uma jogada brilhante de um político que muitos ainda subestimam.