quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Bolsa registra alta de 11,14% e tem melhor janeiro em 12 anos

O Estado de S.Paulo

Com um mês marcado pelo otimismo dos investidores no exterior e com as expectativas renovadas internamente - principalmente após a manutenção da sentença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela Justiça -, a Bolsa fechou o primeiro mês de 2018 aos 84.912,69 pontos, uma valorização acumulada de 11,14%. Trata-se do melhor resultado para o mês  de janeiro em 12 anos. Em 2006, o índice à vista ostentou alta de 14,73% no acumulado do mesmo mês.
No câmbio, o dólar encerrou o mês abaixo dos R$ 3,20, com queda de 4,05%, a maior em seis meses. Em julho do ano passado, a moeda caiu 5,87%.
Ibovespa. O Ibovespa encerrou a sessão de negócios desta quarta-feira, 31, com ganhos de 0,51%, aos 84.912,69 pontos. Com isso, a bolsa chegou ao fim de janeiro acumulando valorização de 11,14%. 
Depois de dois dias de correção, com quedas de cotação, o mercado acionário brasileiro abriu em alta com o Ibovespa nesta quarta-feira, chegando a testar o patamar inédito dos 86 mil pontos no final da primeira etapa do pregão. 
No entanto, o ritmo foi arrefecendo ao longo da tarde. Imediatamente após o anúncio da decisão do Federal Reserve (Fed) de manter a taxa de juros inalterada o índice ampliou os ganhos, em um movimento bastante pontual, mas desacelerou logo depois.
O volume de recursos estrangeiros também fez diferença para o desempenho mensal. Segundo a B3, até o dia 29 de janeiro, o saldo positivo de recursos estrangeiros foi de R$ 9,527 bilhões. Isso significa 70% do registrado em todo o ano passado (R$ 13,4 bilhões).
"Hoje é um bom reflexo do mês como um todo, com os investidores muito otimistas", disse Filipe Villegas, da Genial Investimentos, para quem o principal impulso ocorreu no dia 24 - quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado em segunda instância, além de ter sua pena elevada.
Rodrigo Martins, gestor na AQ3 Asset Management, compartilha a opinião e complementa dizendo que a pesquisa Datafolha mostra um cenário com risco menor de um governo que não seja pró-reforma. "A bolsa pode ganhar mais tração quando ficar claro quem realmente vai liderar. O mercado começa a descartar os piores cenários eleitorais", disse.
Villegas e Martins lembraram que foi um mês no qual o ambiente exterior benigno levou mercados acionários dos Estados Unidos à Ásia a baterem marcas históricas. Aliado a isso, a maior perspectiva de crescimento também elevou boa parte das cotações das commodities, o que sempre favorece o Brasil.
Ao fim do pregão, as blue chips, como são chamadas as ações com maior volume de negociação, desaceleraram. Ainda assim, a valorização mensal é significativa. A ações preferenciais e ordinárias da Petrobrás fecham janeiro acumulando alta de 25,96% e 22,36%, respectivamente. No setor financeiro, Itaú Unibanco PN ganhou 22,78%, Bradesco PN, 20,44%, Banco do Brasil ON, 24,70% e as units do Santander, 16,57%. 
Câmbio. O dólar fechou janeiro com a maior queda mensal em seis meses, abaixo de 3,20 reais, com o mercado mais otimista diante da cena política local, mas com os agentes econômicos acreditando que será difícil cair muito mais no curto prazo por conta da reforma da Previdência.
O dólar subiu 0,01 por cento nesta quarta-feira, a 3,1803 reais, acumulando recuo de 4,05 por cento em janeiro, maior queda mensal desde julho passado (-5,87 por cento).
Na mínima do dia, a moeda norte-americana foi a 3,1464 reais e, na máxima, a 3,1938 reais.
“Como a mudança na Previdência vai contra os anseios políticos dos eventuais candidatos, dificulta o trabalho do governo em conseguir votos”, disse o diretor de operações da corretora Mirae, Pablo Spyer, para quem a reforma não deve ser aprovada e, assim, o dólar tende a subir.

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Subsídios do Tesouro ao BNDES somaram R$ 22 bilhões em 2017


Fabricação de notas na Casa da Moeda - Pedro Kirilos/Agência O Globo/24-07-2012


Marthe Beck, O Globo



A conta de subsídios do Tesouro Nacional a empréstimos concedidos no âmbito do PSI (Programa de Sustentação do Investimento) e pelo BNDES somou R$ 22 bilhões em 2017. Isso é o que mostra boletim divulgado nesta quarta-feira pelo Ministério da Fazenda. O documento deixa clara a estratégia do governo de reduzir incentivos ao setor produtivo por meio do banco de fomento, mas também aponta que ainda há um custo elevado até que a conta seja zerada.

De acordo com o boletim, os subsídios financeiros (explícitos) – que são pagos quando o BNDES empresta dinheiro às empresas com taxas reduzidas e o Tesouro equaliza as operações – somaram R$ 6,369 bilhões no ano passado. Isso representa uma queda de 32,8% em relação a 2016. No entanto, ainda haverá impacto dessas operações sobre os cofres públicos até 2041. Quando trazida a valor presente, essa conta chega a R$ 10,865 bilhões.

Já os subsídios creditícios (implícitos) – diferença entre o custo de captação do Tesouro e o custo contratual dos empréstimos concedidos pelo BNDES – chegaram a R$ 15,661 bilhões em 2017, o que equivale a uma queda de 46,26% sobre o ano anterior. Neste caso, também há uma conta futura a ser paga e ela é salgada. Quando trazidos a valor presente, esses subsídios somam R$ 51,444 bilhões.

Somente em 2018, o montante de subsídios (incluindo explícitos e implícitos) somará R$ 9,065 bilhões. Já o custo total desses incentivos trazido a valor presente chega a R$ 62,309 bilhões.


TSE deve conhecer impressora de votos nesta quinta

Naira Trindade, O Estado de São Paulo

Foto: Divulgação/TSE
O Tribunal Superior Eleitoral deve conhecer o modelo de impressão de votos às 14h de quinta-feira, 1°. A empresa participante da licitação avisou que poderá fazer o teste do equipamento junto às urnas. A Corte está em licitação para adquirir 30 mil módulos, que serão acoplados às urnas eletrônicas. A impressão do voto atende à exigência estabelecida na reforma eleitoral de 2015. Para preservar a inviolabilidade e o sigilo do voto, o eleitor poderá ver a impressão, mas não poderá tocá-la. Os registros poderão ser usados para verificação da contabilização dos votos.

Se não votar até fevereiro, reforma fica para próximo presidente, afirma Maia

Andreza Matais, O Estado de São Paulo

Foto: André Dusek/Estadão

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse nesta quarta, 31, que se a reforma da Previdência não for votada até fevereiro não irá mais colocar o assunto em pauta. “Sem a reforma a gente não sabe o que vai acontecer com o Brasil, mas não vou ficar nessa agenda a vida inteira. Não dá para carregar isso além do mês de fevereiro. Votou em fevereiro, votou. Não votou, será a agenda da eleição e vamos ver quem vai enfrentar o tema de forma transparente, de forma aberta.”
Maia reconhece que o governo não tem hoje os 308 votos necessários para aprovar as mudanças nas regras do INSS, mas diz acreditar que é possível construir maioria para aprovar ao menos alguns pontos da proposta, como idade mínima e a igualdade para servidores públicos. “Alguns defendem que é esse texto ou nada. acho que se tiver voto com esse ótimo, se tiver voto para outro, bom. Ninguém vai achar que mesmo o próximo governo eleito com força vai fazer uma reforma previdenciária profunda. Não vai fazer.”
Para complementar: “Vamos conversar com os deputados. Não é o que a gente gostaria, é o que a gente pode. Não adianta sonhar com coisas que não existem. Não há apoio da sociedade para uma reforma ampla que não existe.”
Pesquisas a que Maia teve acesso mostram que 80% das pessoas acham que há outras formas de recuperar a Previdência. É esse entendimento que precisa mudar, afirma. “Quando vejo autoridades do governo dizendo que a Previdência quebrou, elas precisam explicar melhor o motivo de ter quebrado. Precisa explicar melhor para que a gente possa aprovar alguma solução que ajude o próximo presidente a começar seu governo. O mito da Previdência está diminuindo, não tá diminuindo como a pesquisa do governo diz, mas está diminuindo.”
Para o presidente da Câmara, o problema é de comunicação. “A Previdência está quebrada, mas a sociedade não acredita nisso. Culpa de quem? Culpa nossa que comunica mal. Culpa do governo, que tem um canhão na mão que são os comerciais e está comunicando mal. Culpa nossa que quando a gente fala a gente também não fala direito.”
O governo comemorou ontem pesquisa Ibope que “mostra pela primeira vez que menos da metade dos entrevistados (44%) se dizem contrários à reforma da Previdência proposta pelo presidente”, como escreveu no Twitter o ministro Moreira Franco.
AGENDA. Maia pretende tocar após fevereiro temas como licenciamento ambiental, distrato, agências reguladoras e segurança pública. “Tem um projeto que é criação do sistema integrado de segurança pública. Desarmamento, do jeito que está não dá para ficar. Houve um resultado negativo do Estatuto do Desarmamento para a sociedade. Não se tratar de armar o cidadão, mas de você dar a quem está distante da cidade o direito de ter uma arma porque ela está isolada”, explica.
Ele prevê que é possível ter sessão na Câmara até 15 de julho, uma vez que a eleição é de apenas 45 dias. 
SANEAMENTO E GÁS. O presidente da Câmara  criticou a decisão do governo de suspender os empréstimos da Caixa para estados e municípios sem “preparar o dia seguinte”. “Eu entendo a necessidade de se reorganizar a Caixa, mas o que vai colocar no lugar? É preciso se preocupar com o impacto na vida das pessoas no dia seguinte. Faltou ao governo do Michel essa preocupação do dia seguinte”, disse. “Suspender investimentos na área de saneamento é um desrespeito com as pessoas mais pobres. Na hora que suspende a gente tem que dizer para a sociedade, para a pessoa mais simples que o filho dela quando for brincar vai continuar no valão do esgoto”, atacou.
Maia usou o mesmo raciocínio para comentar o aumento no preço da gasolina. “A decisão correta de caminhar para o preço internacional do gás gerou impacto na vida das pessoas. As pessoas têm coração, estão desempregadas, pagam conta. Na hora que você pega um produto tem que se compensar essa parte da sociedade. Isso falta muitas vezes para a tecnocracia. Não desse governo, mas de todos.”
Maia, que teve seu quinto filho nesta madrugada, Felipe, não interrompeu a agenda. Ele participou na manhã de hoje de evento na Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig), onde falou sobre a reforma da Previdência e suas prioridades para este ano. Na ocasião, prometeu pautar ainda em março o projeto que regulamenta o lobby no País, demanda da entidade.  (Andreza Matais)

Justiça aceita denúncia, e Cabral, trombadinha da organização criminosa do Lula, vira réu pela 21ª vez


O ex-governador Sergio Cabral - Geraldo Bubniak/Agência O Globo/19-01-2018


O Globo


O ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) virou réu mais uma vez na Lava-Jato. O peemedebista responderá a seu 21º processo. A denúncia, feita esta semana pelo Ministério Público Federal (MPF), foi aceita pela juíza Caroline Vieira Figureiredo, que substitui o juiz Marcelo Bretas nas férias.

A denúncia aponta crimes de lavagem de dinheiro cometidos por meio de empresas do Grupo Dirija, que reúne diversas concessionárias no Rio. Além do ex-governador, Ary Ferreira da Costa Filho e Sérgio Castro de Oliveira, apontados pelo MPF como operadores de Cabral, também viraram réus. Eles já foram condenados em outros processos da Lava-Jato. Ao todo, sete pessoas foram denunciadas na segunda-feira.

As concessionárias eram administradas por Jaime Martins, que é delator, e João Martins. 

Os procuradores descrevem que houve orientação e anuência de Cabral nos crimes de lavagem de dinheiro descritos na denúncia.O MPF já apontou, em outros processos, a prática do crime de lavagem por meio de uma rede de empresas “amigas” que celebravam contratos fictícios com os membros da organização criminosa. Em uma das ações desse tipo, a da Operação Mascate, o ex-governador foi condenado a 13 anos de prisão — as penas de Cabral em quatro ações já totalizam 87 anos.

DEFESA: MPF RECICLA DENÚNCIA

O advogado do peemedebista, Rodrigo Roca, disse que “a denúncia recicla material usado em outros processos para chegar ao ex-governador baseada exclusivamente em artifícios teóricos e nas palavras de delatores”.

“Sérgio Cabral nunca teve qualquer relação com as empresas ou com as operações financeiras nela descritas, não havendo um só indício da sua participação nos fatos investigados”, afirmou o advogado.

Atualmente, o ex-governador está preso no Complexo Médico Penal de Pinhais, na grande Curitiba. Ele foi transferido por determinação judicial após o MP relatar que o peemedebista tinha regalias no sistema penitenciário do Rio.

No início deste mês, o juiz Marcelo Bretas já havia aceitado mais três denúncias contra o ex-governador.


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Renda média anual do trabalhador volta ao pico histórico


Andrew Harrer/Bloomberg - Bloomberg
O Globo
Com o rendimento médio de todos os trabalhos voltando a crescer em 2017, para R$ 2.141, em relação ao ano anterior, ele voltou ao mesmo valor registrado para a média do ano de 2014, primeiro ano da crise, e que havia sido o pico histórico para a série da pesquisa PNAD, iniciada em 2012 pelo IBGE. Os dados foram divulgados na manhã desta quarta-feira.

Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do instituto, destaca que a renda é o único destaque positivo nos resultados médios para o ano devido a desinflação - o IPCA saiu de 6,29% em 2016 para 2,95% em 2017 -, que parou de corroer os salários e da demissão em massa de trabalhadores de menores salários, como da construção civil e de chão de fábrica, o que elevou a média da renda para cima.

- O número de pessoas empregadas voltou a reagir, mas a qualidade do emprego ainda é muito precária - analisa Cimar.