sábado, 28 de fevereiro de 2026

'Gilmar Mendes, rei do cinismo', por Flávio Gordon

As palavras do presidente da Unafisco — segundo quem é menos perigoso investigar o PCC do que o STF — ganham a cada dia um significado mais preciso


O decano do STF, Gilmar Mendes, durante o Fórum Jota, em Brasília - 4/12/2025 | Foto: Mateus Bonomi/Agif/Estadão Conteúdo


Em se tratando de cinismo oficial, pode-se sempre contar com Gilmar Mendes — um verdadeiro campeão na modalidade. Há dois dias, confrontado com o pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para que se encerrasse, enfim, o famigerado “inquérito do fim do mundo”, o sujeito não apenas defendeu a sua permanência, como a elevou à condição de patrimônio institucional brasileiro.

Sim, pela boca do príncipe (ou sapo) da juristocracia, o que nasceu como expediente extraordinário de autoblindagem virou uma conquista civilizatória. Não bastasse sustentar-lhes as mordomias e os luxos, o brasileiro deveria ainda agradecer aos juristocratas por governarem sem voto, legitimidade e limites.

Coisa de artista. Eis uma pirueta retórica digna dos aplausos dos pares, ora chafurdados na lama do capitalismo de compadrio e submetidos a um — ainda tímido — escrutínio público. Mas Gilmar Mendes achou pouco e, no dia seguinte, como que inebriado com o próprio talento, voltou a exibir todo o seu virtuosismo na arte da chicana jurídica: ao anular a quebra de sigilo da empresa do camarada Dias Toffoli, a qual, no dia anterior, havia sido aprovada pela CPI do Crime Organizado.

De acordo com a reportagem de Cristyan Costa, o salva-togas precisou ousar para bater mais um recorde na sua carreira de autoblindagem e promoção de impunidade corporativa. Mendes ressuscitou uma ação antiga, originalmente vinculada à CPI da Covid, para anular a quebra de sigilo da empresa ligada aos irmãos de Toffoli. Com isso, atingiu dois alvos de uma só vez: sustou a diligência específica e esvaziou a ofensiva da atual CPI, que mirava apurações incômodas envolvendo o coleguinha. 

A manobra é sofisticada, mas o objetivo é singelo. Em vez de enfrentar diretamente a CPI – o que traria mais desgaste político a um partido-corte cuja reputação já está na lama –, Mendes recorreu a um processo preexistente, deslocando a discussão para o terreno da competência do Supremo. Ao trazer o caso para dentro de casa, retirou-o da arena parlamentar, onde a investigação poderia avançar sob holofotes e pressão pública.

Eis o método que já se tornou um clássico da juristocracia brasileira: quando o Parlamento ousa fiscalizar o Judiciário, o próprio Judiciário redefine as regras do jogo. O argumento formal costuma invocar garantias constitucionais, separação de Poderes ou proteção de direitos individuais. O efeito concreto, porém, é invariavelmente a blindagem corporativa. 

É exatamente o mesmo espírito que, na véspera, animou a defesa intransigente do inquérito das fake news. À época de sua instauração, a então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, advertiu que o mecanismo convertia o Supremo em um “tribunal de exceção”. Se, durante uns bons anos, apenas os assim chamados “bolsonaristas” insistiram nessa obviedade, hoje até mesmo a Folha de S. Paulo — outrora entusiasta do adelismo judicial — não se vexa em descrever o partido-corte nestes mesmos termos: um Supremo tribunal de exceção. 

A reivindicação de poderes excepcionais, por óbvio, exige uma narrativa grandiloquente. Aqui foi a “defesa da democracia”, uma mentira até pouco tempo chancelada pela grande imprensa, e só recentemente — quando alguns dos seus começaram a ser perigosamente equiparados aos “golpistas” dos quais era preciso se livrar — contestada. Mas a verdade é uma só: tudo nunca passou de uma estratégia de autoproteção mafiosa.


Ministro Gilmar Mendes, do STF | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasi

No Brasil da juristocracia, o privilégio não se admite como tal. Ele vem fantasiado de excelsas virtudes cívicas. A censura se apresenta como “edição da sociedade”; o arbítrio, como “recivilização do país”; e a pilhagem, como “defesa do Estado democrático de Direito”. Ao transformar um expediente de autopreservação corporativa em 

No Brasil da juristocracia, não é o poder que teme investigação; é a investigação que precisa temer o poder. As palavras do presidente da Unafisco — segundo quem é menos perigoso investigar o PCC do que o STF — ganham a cada dia um significado mais preciso.

Flávio Gordon - Revista Oeste

Oeste Urgente repercute ao vivo ataque dos EUA e de Israel ao Irã; assista

 Com apresentação de Carlo Cauti e análise de especialistas, Revista Oeste informa a situação de tensão no Oriente Médio


Revista Oeste informa ao vivo desdobramentos do ataque dos EUA e de Israel ao Irã | Foto: Reprodução/YouTube


Na manhã deste sábado, 28, a Revista Oeste transmite ao vivo, pelo YouTube, a repercussão e atualização ao vivo de informações sobre o ataque dos Estados Unidos (EUA) e de Israel contra o Irã, além das respostas de Teerã aos israelenses e a bases norte-americanas no Oriente Médio. 

Mais cedo, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a ação tem o “objetivo de defender o povo norte-americano e eliminar ameaças do regime iraniano, um grupo vicioso de pessoas terríveis”

Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, defendeu que o “Irã não deve ter permissão para se armar com armas nucleares”. As tensões entre os países foram crescentes nas últimas semanas e culminaram no ataque deste sábado. Acompanhe as informações abaixo ou ao clicar aqui. https://youtu.be/6fGshCz5grg


Ministro da Defesa e chefe da Guarda Revolucionária do Irã foram mortos, diz Reuters

 


O comandante da Guarda Revolucionária, Mohammed Pakpour, e o ministro da Defesa do Irã, Amir Nasirzadeh | Fotos: Reprodução



A agência Reuters informou que o ministro da Defesa do Irã, Amir Nasirzadeh, e o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammed Pakpour, teriam sido mortos em ataques israelenses na madrugada deste sábado, 28. A agência atribui a informação a duas fontes familiarizadas com as operações militares de Israel e EUA e a uma fonte regional.


• EUA e Israel lançam bombas em ofensiva conjunta contra o Irã • Netanyahu: ‘Irã não deve ter permissão para armas nucleares • Trump confirma ataques contra Irã: ‘Defender os norte-americano • Leia na íntegra o pronunciamento de Trump sobre o ataque ao Irã • Retaliação: Irã ataca bases dos EUA nos Oriente Médio • Irã responde com mísseis e drones a ofensivas de EUA e Israel • Reza Pahlavi considera ação dos EUA no Irã como ‘intervenção humanitária’ • Aiatolá Khamenei é alvo dos ataques de Israel e EUA • Brasil condena ataques dos EUA e Israel ao Irã • Irã fica com espaço aéreo vazio depois de ataques de EUA e Israel • Imagem mostra destruição na residência oficial de Khamenei . • Petroleiras suspendem fluxo em Ormuz por ataque ao Irã • Primeiras imagens mostram ataques de Israel e EUA ao Irã.


O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou à NBC, durante entrevista, que o país pode ter perdido “alguns comandantes”. “Podemos ter perdido alguns comandantes, mas isso não é um grande problema.” Entretanto, ele não mencionou nomes. Ação militar dos EUA e Israel no Irã O Irã foi alvo de ataques coordenados dos EUA e de Israel na madrugada deste sábado. 

A imprensa local informou que o complexo onde fica o palácio do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do regime, e endereços do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, foram bombardeados. Uma imagem de satélite que mostra a destruição no complexo onde reside o aiatolá Ali Khamenei, em Teerã. Uma coluna de fumaça e prédios desabados aparecem nas imagem. Mas não se sabe se o líder supremo do Irã estava no local. 


 Satellite image of Ayatollah Ali Khamenei's compound in Tehran. There are several destroyed buildings. While the current whereabouts of Iran's supreme leader are unknown, the compound is generally used as his official residence.


O presidente dos EUA, Donald Trump, descreveu a ofensiva como uma campanha militar “massiva e contínua” e sugeriu que intenção é derrubar o regime dos aiatolás. 

O Irã respondeu ao ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel com mísseis lançados contra Tel-Aviv e bases militares dos EUA na região. Bases no Barhein, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e Kuwait teriam sido atacadas. Ainda não se sabe a extensão dos danos.  

Atualmente, os Estados Unidos têm 19 bases militares no Oriente Médio, além de instalações acessíveis por meio de acordos estratégicos com países locais. Essa rede de bases garante aos EUA a maior presença militar global, superando quaisquer outras potências. 

Loriane Comeli -  Revista Oeste

Leia na íntegra o pronunciamento de Trump sobre o ataque ao Irã

O presidente dos EUA disse que "o Irã é o maior patrocinador estatal do terrorismo no mundo e, recentemente, matou dezenas de milhares de seus próprios cidadãos nas ruas durante protestos'



Presidente Donald Trump, durante pronunciamento - 28/2/2026 | Foto: Reprodução/


Logo depois do primeiro ataque ao Irã, na madrugada deste sábado, 28, lançado pelos EUA e Israel, o presidente norte-americano, Donald Trump, se pronunciou. Trump declarou que a campanha é “massiva e contínua” e disse que objetivo é impedir que o Irã obtenha armas nucleares.

O presidente norte-americano também disse sugeriu que a intenção é uma mudança de regime no Irã, hoje uma ditadura islâmica. Em um dos trechos, Trump afirma que “o Irã é o maior patrocinador estatal do terrorismo no mundo e, recentemente, matou dezenas de milhares de seus próprios cidadãos nas ruas durante protestos”. Pelo menos 30 mil manifestantes teriam sido mortos ao protestar contra o regime do aiatolá Khamenei. 

Trump também ofereceu imunidade total aos militares iranianos que depuserem as armas.

Leia o pronunciamento na íntegra Há pouco tempo, as forças armadas dos Estados Unidos iniciaram grandes operações de combate no Irã. Nosso objetivo é defender o povo americano, eliminando as ameaças iminentes do regime iraniano — um grupo perverso de pessoas muito cruéis e terríveis. Suas atividades ameaçadoras colocam em risco direto os Estados Unidos, nossas tropas, nossas bases no exterior e nossos aliados em todo o mundo. 

Durante 47 anos, o regime iraniano entoou “Morte à América” e travou uma campanha interminável de derramamento de sangue e assassinatos em massa contra os Estados Unidos, nossas tropas e pessoas inocentes em muitos, muitos países. 

Em 1983, grupos apoiados pelo Irã realizaram o atentado ao quartel dos fuzileiros navais em Beirute, que matou 241 militares americanos. Em 2000, eles sabiam e provavelmente estavam envolvidos no ataque ao USS Cole, onde muitas pessoas morreram. As forças iranianas mataram e mutilaram centenas de militares americanos no Iraque. 

Nos últimos anos, os grupos apoiados pelo regime continuaram a lançar inúmeros ataques contra as forças americanas estacionadas no Oriente Médio, bem como contra navios navais e comerciais dos EUA e portos marítimos internacionais. Tem sido um terror em massa, e não vamos mais tolerá-lo. Do Líbano ao Iêmen, da Síria ao Iraque, o regime armou, treinou e financiou milícias terroristas que semearam o mundo com sangue e violência. 

E foi o Hamas, grupo apoiado pelo Irã, que lançou os monstruosos ataques de 7 de outubro contra Israel, massacrando mais de mil pessoas inocentes, incluindo 46 americanos, e fazendo 12 cidadãos israelenses reféns. Foi brutal, algo que o mundo jamais viu. 

O Irã é o maior patrocinador estatal do terrorismo no mundo e, recentemente, matou dezenas de milhares de seus próprios cidadãos nas ruas durante protestos. 

Sempre foi política dos Estados Unidos, em particular da minha administração, que esse regime terrorista jamais poderá ter uma arma nuclear. Repito: eles jamais poderão ter uma arma nuclear. 

Por isso, na Operação Martelo da Meia-Noite, em junho passado, destruímos o programa nuclear do regime em Fordow, Natanz e Isfahan. Após aquele ataque, nós os advertimos para que nunca mais retomassem sua busca maliciosa por armas nucleares e tentamos repetidamente chegar a um acordo. 

Tentamos. Eles queriam fazer isso. Não queriam fazer isso de Queriam fazer isso. Não queriam fazer isso. 

Eles não sabiam o que estava acontecendo. Eles só queriam praticar o mal. Mas o Irã se recusou (a fazer um acordo), assim como tem feito há décadas. Eles rejeitaram todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares, e não podemos mais tolerar isso. 

Em vez disso, tentaram reconstruir seu programa nuclear e continuar desenvolvendo mísseis de longo alcance que agora podem ameaçar nossos bons amigos e aliados na Europa, nossas tropas estacionadas no exterior e que em breve poderão atingir o território americano. 

Imagine o quão ousado esse regime ficaria se tivesse, de fato, armas nucleares como meio de transmitir sua mensagem.

Por essas razões, as forças armadas dos Estados Unidos estão realizando uma operação massiva e contínua para impedir que essa ditadura radical e perversa ameace a América e nossos principais interesses de segurança nacional. 

Vamos destruir seus mísseis e arrasar sua indústria de mísseis. Ela será totalmente obliterada novamente. Vamos aniquilar a marinha deles. 

Vamos garantir que os grupos terroristas da região não possam mais desestabilizar a região ou o mundo e atacar nossas forças, e que não possam mais usar seus artefatos explosivos improvisados — ou bombas de beira de estrada, como às vezes são chamados — para ferir e matar milhares e milhares de pessoas, incluindo muitos americanos. E nós garantiremos que o Irã não obtenha uma arma nuclear. 

A mensagem é muito simples: eles jamais terão uma arma nuclear. Este regime logo aprenderá que ninguém deve desafiar a força e o poderio das Forças Armadas dos Estados Unidos. 

Durante meu primeiro mandato, construí e reconstruí nossas forças armadas, e não existe nenhuma força militar no mundo que sequer se aproxime de seu poder, força ou sofisticação. 

As vidas de heróis americanos corajosos podem ser perdidas e podemos ter baixas. Isso acontece com frequência em guerras. 

Mas estamos fazendo isso — não para agora — estamos fazendo isso para o futuro, e é uma missão nobre. 

Oramos por cada membro das Forças Armadas que, altruisticamente, arriscam suas vidas para garantir que os americanos e nossos filhos jamais sejam ameaçados por um Irã com armas nucleares. 

Pedimos a Deus que proteja todos os nossos heróis em perigo e confiamos que, com a Sua ajuda, os homens e mulheres das forças armadas prevalecerão. Temos os melhores (soldados) do mundo, e eles prevalecerão. 

Aos membros da Guarda Revolucionária Islâmica, das forças armadas e de toda a polícia, digo esta noite que vocês devem depor as armas e ter imunidade total — ou, em alternativa, enfrentar a morte certa. 

Portanto, deponham suas armas. Vocês serão tratados com justiça e receberão imunidade total, ou enfrentarão morte certa. Finalmente, ao grande e orgulhoso povo do Irã, digo esta noite que a hora da sua liberdade está próxima.

Permaneçam abrigados. 

Não saiam de casa. É muito perigoso lá fora. Bombas cairão por toda parte. Quando terminarmos, assuma o controle do seu governo. 

Ele será seu, e esta provavelmente será sua única chance por gerações. 

Durante muitos anos, vocês pediram a ajuda dos Estados Unidos, mas nunca a receberam. Nenhum presidente esteve disposto a fazer o que eu estou disposto a fazer esta noite. Agora vocês têm um presidente que está dando a vocês o que vocês querem, então vamos ver como vocês reagem.

Este é o momento de agir. Não deixe passar. Que Deus abençoe os bravos homens e mulheres das Forças Armadas americanas. Que Deus abençoe os Estados Unidos da América. Que Deus abençoe a todos vocês. 

Obrigado.  


Loriane Comeli - Revista Oeste

Ex-presidiário Lula taxa mais os brasileiros que Trump e impõe carga tributária sem precedentes

 




Enquanto Donald Trump impõe tarifa adicional de 10% (15% em alguns casos) sobre parte dos produtos brasileiros, isenta 46% dos embarques (US$17,5 bilhões) e reduz a alíquota média sobre produtos brasileiros para cerca de 12,77%, tornando o País um dos mais beneficiados, o governo Lula (PT) transforma o pagador de impostos no maior alvo de uma escalada tributária sem precedentes. Desde sua posse, em 2023, Lula criou ou aumentou impostos em cerca de três dezenas de ocasiões.

País assaltado

Lula impôs nova taxação a cada 37 dias, em média: ressuscitou a Cide, aumentou PIS/Cofins, IOF, IPI, taxou investimentos e dividendos etc. etc.

Mais patamar

Ele fez a carga tributária bruta saltar para 32,32% em 2024 (dados do Tesouro e Receita), maior patamar em 22 anos, e segue aumentando.

Calada da noite

Na calada da noite, esta semana, por mera Resolução, Lula elevou o Imposto de Importação em até 25% sobre 1.252 produtos, até celulares.

Nem se acanham

A alegação cara-de-pau: “proteger a indústria nacional”. Como se o Brasil fabricasse iPhones, celulares Android, laptop, jogos eletrônicos.


Diário do Poder

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Trump afirma que EUA podem acabar tomando Cuba de forma “amigável”

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante conversa com jornalistas na Casa Branca, nesta sexta (27). (Foto: YURI GRIPAS/EFE/EPA/POOL)



O presidente Donald Trump disse nesta sexta-feira (27) que os EUA podem acabar tomando Cuba de forma “amigável”. A declaração foi feita a jornalistas na Casa Branca antes de o presidente embarcar para um comício no Texas.


A fala de Trump ocorre em meio à crise energética e econômica que atinge a ilha comunista e às recentes tensões entre Washington e o regime de Havana.


“Não têm nada neste momento (sobre acerto em negociações), mas estão falando conosco, e talvez possamos ter uma tomada de controle amigável de Cuba.


Podemos acabar com uma tomada de controle amigável de Cuba depois de muitos, muitos anos”, afirmou Trump. Segundo ele, a ilha está com “sérios problemas” e os Estados Unidos poderiam fazer algo “muito positivo” tanto para os cubanos que vivem no país quanto para os que estão no exílio.


“Como sabem, (Cuba) não têm dinheiro, não têm petróleo, não têm comida. Neste momento é uma nação em sérios problemas e querem a nossa ajuda”, disse, acrescentando que o secretário de Estado, Marco Rubio, “está administrando” o tema.


As declarações ocorrem dias após a Casa Branca ter advertido Havana sobre a necessidade de implementar “mudanças drásticas em breve”. No último dia 18, a porta-voz Karoline Leavitt afirmou que a ilha possui “um regime em colapso” que “está se desintegrando”.


Recentemente, os EUA endureceram suas políticas de bloqueio contra Cuba. O governo Trump criou um mecanismo de tarifas adicionais para países que forneçam petróleo ou derivados à ilha, com o objetivo de restringir o fluxo de energia ao país comunista. Nesta semana, contudo, governo americano flexibilizou parcialmente o bloqueio, autorizando a reexportação de petróleo venezuelano a Cuba por meio do setor privado, mas com restrições.


Nesta sexta-feira, a Comunidade do Caribe (Caricom) manifestou apoio a Cuba diante da crise que o país enfrenta e declarou, em comunicado, que está disposta a colaborar com os Estados Unidos em “iniciativas que beneficiem o povo cubano e preservem a estabilidade regional”.


Rothbard e impostos - Lew Rockwell

 

Todos, exceto alguns fanáticos de esquerda, detestam pagar imposto de renda, e têm razão em fazê-lo. Como nos ensinou o grande Murray Rothbard, imposto é roubo, puro e simples. O governo toma o que é seu por direito e gasta como bem entende. Se isso não é roubo, o que é?

Imagine que seu vizinho tem muito dinheiro que você gostaria de ter. Você o ameaça com uma arma e toma seu dinheiro. Isso é obviamente roubo. Por que é diferente quando o governo faz isso? Como diz Rothbard, “Pois há um poder crucialmente importante inerente à natureza do aparato estatal. Todas as outras pessoas e grupos na sociedade (exceto criminosos reconhecidos e esporádicos, como ladrões e assaltantes de bancos) obtêm sua renda voluntariamente: seja vendendo bens e serviços ao público consumidor, seja por doação voluntária (por exemplo, filiação a um clube ou associação, legado ou herança). Somente o estado obtém sua receita por coerção, ameaçando com penas severas caso a renda não seja paga. Essa coerção é conhecida como “imposto”, embora em épocas menos regularizadas fosse frequentemente conhecida como “tributo”. Imposto é roubo, puro e simplesmente, mesmo que seja roubo em grande e colossal escala, que nenhum criminoso reconhecido poderia esperar igualar. É uma apreensão compulsória da propriedade dos habitantes ou súditos do estado.

Rothbard está bem ciente de que algumas pessoas, devido a anos de doutrinação nas escolas “públicas”, terão dificuldade em aceitar isso. Com sua habitual brilhantez polêmica, ele desafia os céticos a encontrar a diferença: “Seria um exercício instrutivo para o leitor cético tentar formular uma definição de tributação que não incluísse também o roubo. Assim como o ladrão, o Estado exige dinheiro sob a mira de uma arma; se o contribuinte se recusa a pagar, seus bens são confiscados à força e, se ele resistir a tal depredação, será preso ou baleado se continuar a resistir. É verdade que os defensores do Estado afirmam que a tributação é “realmente” voluntária; uma refutação simples, mas instrutiva, dessa afirmação é ponderar o que aconteceria se o governo abolisse a tributação e se limitasse a simples pedidos de contribuições voluntárias. Alguém realmente acredita que algo comparável às vastas receitas atuais do Estado continuaria a entrar em seus cofres? É provável que mesmo os teóricos que afirmam que a punição nunca impede a ação hesitariam em aceitar tal afirmação. O grande economista Joseph Schumpeter estava certo quando escreveu com acidez que “a teoria que interpreta os impostos como uma analogia às quotas de um clube ou à compra dos serviços de, digamos, um médico, apenas prova o quão distante esta parte das ciências sociais está dos hábitos científicos da mente”.

Uma maneira pela qual os defensores de impostos tentam mostrar que ela é diferente do roubo é argumentar que, como vivemos em uma democracia, “nós, o povo”, votamos para estabelecer um governo que pode nos tributar. Nada feito, diz Rothbard. Com eloquência apaixonada, ele afirma: “Também se argumenta que, em um governo democrático, o ato de votar torna o governo e todas as suas obras e poderes verdadeiramente ‘voluntários’. Mais uma vez, há muitas falácias nesse argumento popular. Em primeiro lugar, mesmo que a maioria do público endossasse especificamente cada ato específico do governo, isso seria simplesmente uma tirania da maioria, e não um ato voluntário realizado por todas as pessoas do país. Assassinato é assassinato, roubo é roubo, seja cometido por um homem contra outro, por um grupo ou mesmo pela maioria das pessoas dentro de uma determinada área territorial. O fato de que a maioria possa apoiar ou tolerar um ato de roubo não diminui a essência criminosa do ato ou sua grave injustiça. Caso contrário, teríamos que dizer, por exemplo, que quaisquer judeus assassinados pelo governo nazista democraticamente eleito não foram assassinados, mas apenas “cometeram suicídio voluntariamente” — certamente, a implicação grotesca, mas lógica, da doutrina da “democracia como voluntária”.

Já mencionei que o governo nos doutrina com propaganda, e esse era um tema caro ao coração de Rothbard. Ele culpava os “intelectuais” estatistas por isso: “É instrutivo questionar por que o Estado, em contraste com o salteador, invariavelmente se cerca de uma ideologia de legitimidade, por que precisa se entregar a todas essas hipocrisias. A razão é que o salteador não é um membro visível, permanente, legal ou legítimo da sociedade, muito menos um membro com status elevado. Ele está sempre fugindo de suas vítimas ou do próprio Estado. Mas o Estado, ao contrário de um bando de salteadores, não é considerado uma organização criminosa; pelo contrário, seus serviçais geralmente ocupam as posições de mais alto status na sociedade. É um status que permite ao Estado se alimentar de suas vítimas, enquanto faz com que pelo menos a maioria delas apoie, ou pelo menos se resigne, a esse processo de exploração. Na verdade, é precisamente a função dos serviçais e aliados ideológicos do Estado explicar ao público que o Imperador realmente tem um belo conjunto de roupas. Em resumo, os ideólogos devem explicar que, embora o roubo por uma ou mais pessoas ou grupos seja ruim e criminoso, quando o Estado se envolve em tais atos, não se trata de roubo, mas do ato legítimo e até mesmo santificado chamado “tributação”.

Mas se a tributação é roubo, o que podemos fazer a respeito? Se nos recusarmos a pagar, o governo confiscará nossos bens à força e nos colocará na prisão. O que podemos fazer agora, enquanto educamos as pessoas sobre tributação?

Rothbard tinha ideias muito diferentes sobre isso em relação a muitos dos chamados defensores do livre mercado. Eles querem simplificar o processo de tributação, facilitando a declaração de impostos. As pessoas gastam muito tempo procurando deduções e brechas, então por que não eliminá-las e impor um imposto fixo baixo para todos? Para Rothbard, essa é precisamente a abordagem errada a ser adotada. Devemos tornar difícil, e não fácil, o pagamento. Caso contrário, nos acostumaremos com a tributação, e o governo continuará aumentando a alíquota do imposto fixo “baixo”, deixando-nos em uma situação pior do que antes, já que teremos impostos altos sem isenções. Como explica Rothbard, “Mas podemos fazer melhor do que isso. Temos que olhar para a tributação de maneira diferente. Temos que parar de ver os impostos como um sistema poderoso para alcançar objetivos sociais, que precisa apenas ser tornado ‘justo’ e racional para dar início à utopia. Temos que começar a ver a tributação como um vasto sistema de roubo e opressão, pelo qual algumas pessoas podem viver de forma coercitiva e parasitária às custas de outras. Devemos perceber que, do ponto de vista da justiça ou da prosperidade econômica, quanto menos as pessoas forem tributadas, melhor. É por isso que devemos nos alegrar com cada nova brecha, cada novo crédito, cada nova manifestação da economia “subterrânea”.  A União Soviética só consegue produzir ou funcionar na medida em que os indivíduos conseguem evitar a infinidade de controles, impostos e regulamentações. O mesmo se aplica à maioria dos países do Terceiro Mundo e, cada vez mais, a nós. Toda atividade econômica que escapa aos impostos e controles não é apenas um golpe pela liberdade e pelos direitos de propriedade; é também mais um exemplo do livre fluxo de energia produtiva escapando da repressão parasitária. É por isso que devemos acolher cada nova brecha, abrigo, crédito ou isenção e trabalhar, não para eliminá-los, mas para expandi-los de modo a incluir todos os outros, incluindo a nós mesmos. [Rothbard escreveu isso antes da queda da União Soviética.]

Vamos fazer tudo o que pudermos para ensinar às pessoas que a tributação é roubo. Vamos abolir o imposto de renda!


Lew Rockwell - Mises Brasil

O wokismo mata, por BRENDAN O'NEILL, DA SPIKED

 

Membros do público participam de uma vigília na Old Market Square, em Nottingham, após os estudantes de 19 anos Barnaby Webber e Grace O'Malley-Kumar, e o zelador da escola Ian Coates, de 65 anos, terem sido esfaqueados até a morte na manhã de terça-feira, antes qu o agressor tentasse atropelar três pessoas em Nottingham (15/6/2023) - Foto: Reuters 


H á uma característica certeira que identifica um sistema de crenças ruim: ele coloca vidas em perigo. Se sua ideologia ameaça outras pessoas, sob a premissa abjeta de que sua virtude vale mais do que a segurança delas, então é uma ideologia moralmente inaceitável. Podemos agora afirmar isso, sem sombra de dúvida, sobre o wokismo. Ele preza seu próprio credo vaidoso mais do que a vida e a integridade física de cidadãos comuns. Basta considerar o caso sinistro de Valdo Calocane. 

A mídia o chama de “o assassino de Nottingham”. Em 13 de junho de 2023, ele cometeu um crime tão terrível que a cidade inglesa ainda se recupera do trauma. Sob o domínio febril da psicose, ele esfaqueou até a morte os estudantes de 19 anos Barnaby Webber e Grace O’MalleyKumar, e o zelador escolar de 65 anos Ian Coates. Ele também feriu gravemente outros três alunos. Mais tarde, foi condenado por homicídio culposo, por ser considerado parcialmente incapaz, e sentenciado ao confinamento por tempo indefinido em um hospital de segurança máxima. 

Se você pensou que este caso não poderia piorar, prepare-se. Há poucos dias descobrimos uma verdade estarrecedora: Calocane havia sido colocado em liberdade por profissionais de saúde mental que temiam ser considerados racistas.

 Convencidos de que havia “jovens negros demais sob custódia”, eles o soltaram, e ele então cometeu mais crimes, incluindo, ao final, a selvageria que ceifou três vidas preciosas. Claramente, a virtude intrínseca desses “papas” da saúde pública é mais sagrada do que o bem-estar das massas. 


Valdo Calocane-| Foto: Polícia de Nottinghamshire

Os detalhes são assustadores. Vieram à tona no primeiro dia de um inquérito público que investiga os “eventos, atos e omissões” que devolveram Calocane às ruas, livre para matar. O inquérito revelou que, em 2020, Calocane manifestou os primeiros sintomas de psicose. Tornou-se violento. Na época, aluno da Universidade de Nottingham, ele foi encontrado “chutando e socando repetidamente” a porta do dormitório de um colega. Foi avaliado e diagnosticado como psicótico. 

Ainda assim, foi libertado. Um dos médicos “estava propenso” a recomendar a internação compulsória. Mas uma equipe de profissionais de saúde mental tinha outras ideias. Nas palavras do jornal The Guardian, eles “consideraram evidências de pesquisa que examinaram a super-representação de jovens negros em detenção” e decidiram que seria melhor tratar Calocane na comunidade local. O Daily Mail afirmou categoricamente: eles “temiam que prendê-lo seria racismo”, por isso soltaram nas ruas de Nottingham esse indivíduo perigoso e psicótico. 

Agora sabemos: a deprimente obsessão woke por questões raciais tem mais peso moral do que a segurança de pessoas comuns. Na GrãBretanha do século 21, santificar a virtude performática de  uncionários “antirracistas” é mais importante do que garantir a integridade física de homens e mulheres trabalhadores. 

Soltar na comunidade um indivíduo diagnosticado com psicose violenta, pelo temor da acusação de racismo, é elevar as necessidades ideológicas de narcisistas da classe dominante acima do direito mais fundamental de um povo — a segurança.


Um perito policial trabalha perto de uma van isolada na Bentinck Road, após o ataque mortal no centro de Nottingham, Grã-Bretanha (13/6/2023) | Foto: Reuters/Phil Noble 

Como se podia prever, Calocane logo reincidiu. Arrombou a porta de uma vizinha a chutes. Ela ficou tão apavorada que saltou de uma janela do primeiro andar e machucou a coluna. Depois disso, ele foi internado compulsoriamente por um breve tempo e, então, solto mais uma vez. Cometeu mais crimes e, finalmente, em 2023, executou o massacre apocalíptico de inocentes em Nottingham. No ano passado, uma revisão da Care Quality Commission (órgão regulatório dos sistemas de saúde e serviço social) descobriu que uma “série de erros e julgamentos equivocados” por parte de funcionários da saúde levou à gestão catastrófica do caso Calocane e “do risco que representava para o público”. 

Agora, descobrimos que o credo nefasto do wokismo desempenhou um papel imprudente nessa ameaça à vida das pessoas de Nottingham, a serviço da ideologia das elites. Não há dúvida: o wokismo representa um perigo terrível para a segurança pública. O terror paralisante da burocracia oficial de ser considerada “racista” é especialmente venenoso. 

A segurança dos britânicos é frequentemente sacrificada no altar do pavor elitista de ser tachado de não-woke. Considere o escândalo das gangues de estupradores, quando policiais, conselheiros e políticos fizeram vista grossa enquanto milhares de meninas da classe trabalhadora eram estupradas por gangues compostas majoritariamente por homens muçulmanos. A razão para a sua indiferença fatal diante de tal sofrimento da classe trabalhadora? Eles temiam ser considerados “islamofóbicos” se investigassem essas gangues com muito afinco.  

Ou considere a atrocidade na Manchester Arena em 2017. O inquérito sobre aquele ato de barbárie islâmica apurou que um segurança não abordou um jovem que resmungava consigo mesmo e carregava uma mochila enorme — o assassino, Salman Abedi — porque temia ser visto como racista. O segurança disse que teve um “mau pressentimento” sobre aquele jovem que estava “inquieto e suando”. Mas ele se conteve porque estava “com medo de ser… rotulado como racista”. 

Ele receava “ter problemas” se estivesse errado sobre aquele homem não-branco visivelmente nervoso. Que retrato perfeito e assustador de como a cultura neoestalinista de queixa racial pode ser moralmente incapacitante. Retrato esse em que um segurança não toma nenhuma atitude contra um suposto homem-bomba por medo de que o RH lhe dê uma advertência e algum tipo de reeducação racial


Salman Abedi | Foto: Polícia da Grande Manchester


A ala de gênero do wokismo também é letal. Pense em estupradores colocados em prisões femininas, dentre os quais alguns agrediram sexualmente outras detentas. A dignidade da mulher sendo queimada como oferenda ao mantra sexista pós-verdade segundo o qual “mulheres trans são mulheres”. Enquanto isso, nos EUA, a insanidade woke que prega “Desfinanciem a Polícia”, popularizada pelo movimento Black Lives Matter, levou a um aumento acentuado nos crimes e até homicídios em áreas onde policiais foram desmobilizados. O jornalista Michael Shellenberger, em seu livro San Fransicko, chama isso de “altruísmo patológico”, pelo qual cidades “woke” adotam políticas que intensificam o comportamento antissocial, aumentam a criminalidade e a desolação na vida da população trabalhadora. 

Precisamos de respostas sobre Nottingham. A morte chegou à cidade em 2023. Teria sido auxiliada pelos ideólogos que empesteiam os corredores do poder na Grã-Bretanha moderna? Qualquer ideologia que prioriza a postura virtuosa em detrimento da dignidade pública deve ser urgentemente desmantelada.


Revista Oeste - BRENDAN O'NEILL, DA SPIKED 


'O Discurso e a República', por Ana Cláudia Henkel

 Trump, Washington e o retorno ao eixo da ordem



O presidente dos EUA, Donald J. Trump, discursa pela primeira vez sobre o Estado da União em seu segundo mandato perante uma sessão conjunta do Congresso, na Câmara dos Representantes do Capitólio dos Estados Unidos, em Washington, D.C. (24/2/2026). Sentados atrás dele estão o vice-presidente JD Vance e o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson (republicano da Louisiana) - Foto: Kenn Holston/Pool via Reuters


O aniversário de George Washington sempre convida os Estados Unidos a uma reflexão silenciosa sobre fundação, limites e responsabilidade. Neste ano, a data coincidiu com o discurso do Estado da União apresentado por Donald Trump — e a sobreposição não poderia ser mais simbólica. 

Washington inaugurou a República sob o princípio de que liberdade e autoridade precisam conviver em tensão disciplinada. Recusou o poder vitalício, alertou contra facções internas e advertiu sobre alianças externas permanentes que comprometessem a autonomia americana. Seu legado não é apenas histórico; é estrutural. Ele moldou a arquitetura institucional e moral do país. 

Mais de dois séculos depois, o discurso desta semana foi, além de uma prestação de contas administrativa, apresentado como uma correção de rota. Não apenas na política doméstica, mas na própria compreensão do papel dos Estados Unidos no mundo. 

Pilares que, nas últimas décadas, passaram a ser tratados como suspeitos ou ultrapassados, foram exaltados e colocados no coração da nação. Donald Trump não tratou apenas de fronteiras, guerra ou economia. Tratou de ordem. De limites. De soberania. E, acima de tudo, de identidade nacional. E ali estava o centro do discurso: a redefinição do que é considerado básico. 

O que se ouviu no Capitólio na última terça-feira foi menos um relatório e mais uma afirmação de eixo. 


Presidente Donald Trump durante o discurso sobre o Estado da União, em 24 de fevereiro de 2026, Washington, Distrito de Columbia, EUA | Foto: Jessica Koscielniak – Pool via CNP/Shutterstock 

Ordem, limites e soberania

Desde as primeiras linhas, Trump deixou claro que seu foco não seria a conciliação retórica. Ao afirmar que a obrigação fundamental do governo é proteger seus próprios cidadãos, trouxe para o centro do plenário uma frase simples, quase elementar. No entanto, a reação dividida revelou algo mais profundo: aquilo que já foi consenso fundacional tornou-se objeto de disputa ideológica. 

No momento em que Trump perguntou se a principal função do governo americano é proteger e cuidar de seus próprios cidadãos — e não priorizar imigrantes ilegais — a reação dos democratas acabou se tornando parte central de todo o discurso. 

Ao permanecerem sentados, muitos parlamentares morderam a isca lançada pelo presidente. A pergunta foi formulada de modo a produzir contraste visual, e o contraste veio. A recusa em se levantar, possivelmente pensada como resistência simbólica, acabou reforçando a narrativa que Trump desejava consolidar: a de que há uma divergência explícita obre o que constitui a obrigação primária do Estado. Em política, gestos cristalizam percepções e, naquele instante, a divisão deixou de ser apenas retórica para se tornar imagem. A reação dividida à frase simples revelou algo maior: aquilo que antes era consenso fundacional transformou-se em linha de fratura ideológica.

Ao longo do discurso, o presidente apresentou sua agenda como reconstrução de fundamentos. Fronteiras, segurança interna, combate à imigração ilegal e fortalecimento das forças de aplicação da lei foram tratados não como temas setoriais, mas como expressão prática de soberania. 

A mensagem implícita foi clara: uma nação que não controla seus limites territoriais fragiliza sua própria definição política. A fronteira, nesse enquadramento, deixa de ser apenas linha geográfica e passa a ser símbolo institucional. 

Essa ênfase marca uma ruptura com a linguagem predominante das últimas décadas, que frequentemente privilegiou integração irrestrita e mobilidade global como valores em si mesmos. O discurso desta semana recolocou a soberania como condição anterior a qualquer projeto internacional.


Paz pela força e o reposicionamento global 

Ao recuperar a expressão “peace through strength” — paz pela força —, Trump evocou uma tradição estratégica que atravessa momentos decisivos da história americana. A fórmula foi popularizada durante a Guerra Fria por Ronald Reagan, que defendia que clareza de poder e firmeza estratégica eram instrumentos de dissuasão, não de provocação. 

A ideia de que a força visível reduz a probabilidade de um conflito maior foi apresentada como nostalgia ideológica, mas, principalmente, como resposta adequada a um mundo em transformação. 

A guerra na Ucrânia, a instabilidade no Oriente Médio e o fortalecimento de potências revisionistas compõem um cenário no qual ambiguidade estratégica pode ser interpretada como fraqueza. Ao reafirmar a força como instrumento legítimo de estabilidade, o presidente enviou sinais que ultrapassam o público doméstico.

liderança sob critérios mais explícitos de reciprocidade. Alianças permanecem, mas com revisão de responsabilidades. Compromissos internacionais continuam, mas condicionados ao interesse nacional claro.




O discurso indicou que os Estados Unidos pretendem exercer liderança sob critérios mais explícitos de reciprocidade. Alianças permanecem, mas com revisão de responsabilidades. Compromissos internacionais continuam, mas condicionados ao interesse nacional claro. 


O presidente Donald Trump discursa sobre o Estado da União na terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, no plenário da Câmara dos Representantes do Capitólio dos EUA, em Washington, D.C. | Foto: Casa Branca/Daniel Torok 

Essa mudança representa deslocamento estrutural. Durante décadas, a política externa americana operou sob o paradigma da expansão liberal multilateral, com ênfase na integração econômica ampla e no fortalecimento de instituições supranacionais. O que se viu nesta semana foi a consolidação de outra lógica: soberania competitiva. 

Quando Washington altera seu eixo estratégico, o sistema internacional recalcula. Parceiros ajustam expectativas. Rivais revisam riscos. O impacto não se mede apenas em comunicados diplomáticos, mas na reorganização gradual das percepções globais. Economia, energia e autonomia No campo econômico, o discurso reforçou políticas de reindustrialização, fortalecimento da produção doméstica e independência energética. 

Energia foi tratada como instrumento estratégico, não apenas como variável de mercado. A ênfase na autonomia produtiva não foi apresentada como isolamento, mas como equilíbrio. Segundo o presidente, cadeias de suprimento excessivamente dependentes fragilizam a segurança nacional. A produção interna, por sua vez, amplia a margem de manobra diplomática. 




Essa abordagem questiona premissas da globalização irrestrita que dominaram o debate por décadas. Trump não prega a rejeição do comércio internacional, mas a revisão de termos. Reciprocidade passa a ser palavra-chave. 

O deslocamento não é apenas econômico. É político. Ele redefine a relação entre prosperidade e soberania. 


Heróis vivos e a memória da República 

Mas seria um erro reduzir o Estado da União a geopolítica e confronto. Um dos momentos mais significativos ocorreu quando a política cedeu espaço à memória e à honra. A presença do centenário Royce Williams, representante de uma geração que enfrentou guerras existenciais, trouxe à tribuna a dimensão histórica da liberdade americana. 

Segunda Guerra Mundial, Coreia, Vietnã. Ele simboliza a bravura militar americana, mas também a continuidade. A ideia de que a República foi defendida por homens e mulheres que compreendiam o custo da liberdade.

Um dos pontos altos da cerimônia foi a homenagem ao piloto Eric Slover, condecorado por coragem sob fogo intenso. Durante a operação que resultou na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, Slover liderava sua aeronave em espaço hostil quando foi atingido por disparos inimigos. Gravemente ferido, com perda significativa de sangue e sob intenso ataque, ele se recusou a abandonar o comando. 

Mesmo debilitado, manteve o controle do helicóptero, estabilizou a aeronave e garantiu que sua equipe concluísse a missão com segurança. 

Sua decisão, tomada em segundos e sob risco iminente de morte, evitou uma possível tragédia maior. Pela liderança demonstrada em combate e pela coragem extraordinária diante do fogo inimigo, recebeu a Medalha de Honra — a mais alta condecoração militar dos Estados Unidos, reservada a atos de bravura que ultrapassam o dever.





Eric Slover no discurso do Estado da União do presidente Donald Trump, na terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, no plenário da Câmara dos Representantes, no Capitólio dos EUA, em Washington, D.C. | Foto: Casa Branca/Emily J. Higgins


O heroísmo não pertence apenas ao passado distante. Ele continua presente, em missões arriscadas, em decisões tomadas sob pressão extrema, em homens e mulheres que assumem riscos que a maioria sequer imagina. É o mesmo heroísmo que permeia o imaginário americano, que atravessa gerações, que inspira as telas de cinema, os livros de história e as narrativas que moldaram a identidade nacional. 

Nas últimas décadas, conceitos como patriotismo, fronteira, força militar e identidade nacional foram frequentemente apresentados como obstáculos ao cosmopolitismo e à integração global. 

da União de Donald Trump reverte essa narrativa ao apresentá-los como condições de estabilidade. A disputa que se desenha é filosófica antes de ser eleitoral. Trata-se de definir se a nação é apenas engrenagem administrativa de uma ordem supranacional ou se permanece como um corpo histórico com direito — e dever — de preservar seus contornos. Identidade nacional e disputa cultural O discurso também abordou o embate cultural que atravessa o país. Questões relacionadas à educação, identidade e valores sociais foram apresentadas como parte de uma disputa mais ampla sobre o significado da América. Para seus apoiadores, trata-se de restaurar fundamentos. Para críticos, de aprofundar polarizações. Mas, independentemente da posição ideológica, o fato é que a identidade nacional deixou de ser pressuposto silencioso e tornou-se tema central.


Identidade nacional e disputa cultural 

O discurso também abordou o embate cultural que atravessa o país. Questões relacionadas à educação, identidade e valores sociais foram apresentadas como parte de uma disputa mais ampla sobre o significado da América. Para seus apoiadores, trata-se de restaurar fundamentos. Para críticos, de aprofundar polarizações. Mas, independentemente da posição ideológica, o fato é que a identidade nacional deixou de ser pressuposto silencioso e tornou-se tema central. 


O presidente Donald Trump discursa sobre o Estado da União na terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, no plenário da Câmara dos Representantes do Capitólio dos EUA, em Washington, D.C. | Foto: Casa Branca/Daniel Torok 


George Washington com Thomas Jefferson e Alexander Hamilton, pintura de Constantino Brumidi (1872), no Capitólio, Washington D.C., Estados Unidos - Foto: Wikimedia Commons 


O presidente Donald Trump discursa sobre o Estado da União na terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, no plenário da Câmara dos Representantes do Capitólio dos EUA, em Washington, D.C. - Foto: Casa Branca/Daniel Torok 


Ana Cláudia Henkel - Revista Oeste

'A república de Gilmar', por Erich Mafra e Edilson Salgueiro

 



O projeto de criação do município de Nova Aliança do Norte ganha o apelido irônico de "Gilmarlândia" | Foto: Montagem/Revista Oeste/Shutterstock 


N o coração do agronegócio mato-grossense, entre lavouras mecanizadas de soja e longas estradas de terra batida, nasceu uma ideia que mistura ambição territorial, prestígio político e cálculo estratégico. O nome oficial da invenção é Nova Aliança do Norte, mas já circula nas ruas com outro nome: “Gilmarlândia”. Trata-se de uma cidade planejada na divisa entre Diamantino, terra natal do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e São José do Rio Claro, localizada às margens da MT-010. No último sábado, 21, durante o lançamento da pedra fundamental da Gilmarlândia, reuniram-se prefeitos da região, deputados estaduais e o próprio magistrado. Foi uma cerimônia típica da liturgia política do interior do Brasil, com autoridades perfiladas sob o sol forte, discursos sobre desenvolvimento, elogios cruzados e promessas de futuro próspero. 

O projeto, idealizado pelo empresário Eraí Maggi, sócio do conglomerado Grupo Bom Futuro e primo do ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi, tem o objetivo de resolver problemas logísticos da região. Hoje, famílias de trabalhadores rurais vivem a dezenas de quilômetros de hospitais, crianças saem antes do amanhecer para estudar e o acesso à saúde depende de longos deslocamentos por estradas intransitáveis. O que chama atenção, contudo, é a solução oferecida tanto por Eraí quanto por Gilmar, que doaram aproximadamente 100 hectares cada para viabilizar a infraestrutura local. 

Criar um município significa instituir uma estrutura burocrática complexa, com prefeito, vice-prefeito, câmara de vereadores, secretarias, procuradoria, controladoria, concursos públicos, cargos comissionados e folha de pagamento. É uma máquina pública inteira funcionando todos os meses. Municípios com o porte mínimo exigido para emancipação no Centro-Oeste, por exemplo, funcionam com orçamentos anuais entre R$ 40 milhões e R$ 60 milhões. Em muitos casos, mais de 70% dessa receita é consumida pela própria folha salarial. E quem paga? Os moradores da região, via Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) e Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS); o Estado, via repartição de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS); e a União, via Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que responde por mais de 50% da receita total de cidades desse porte. 

Nos anos 1990, o Brasil viveu uma febre emancipatória. Centenas de municípios surgiram. A maioria nunca alcançou autonomia econômica real. Tornaram-se dependentes crônicos de Brasília. As prefeituras viraram, em diversos casos, as maiores empregadoras das cidades. A reação começou em 1996, quando a Emenda Constitucional nº 15 endureceu as regras e determinou que a criação de novos municípios só poderia ocorrer mediante critérios mais rigorosos, como estudo de viabilidade econômica, plebiscito com a população envolvida e, principalmente, a edição de uma lei complementar federal fixando parâmetros claros para as emancipações. 

No entanto, sa lei complementar demorou mais de duas décadas para ser aprovada pelo Senado e pela Câmara. Sem a norma exigida pela Constituição Federal, diversos processos de criação de municípios ficaram suspensos ou passaram a ser contestados judicialmente. Só em 2023 os parlamentares aprovaram uma lei complementar para tratar do tema, mas o ambiente jurídico permaneceu sujeito ao crivo do STF. 

Em Mato Grosso, por exemplo, apenas um município conseguiu se emancipar nesta década: Boa Esperança do Norte. O Supremo validou a criação do novo município com voto favorável de Gilmar. Atualmente, o projeto da Gilmarlândia está em fase inicial. Não há confirmação de que a cidade será criada nem detalhes técnicos sobre o estudo. A aprovação depende do avanço de todos os trâmites burocráticos.

aí Maggi tornou-se, nos últimos anos, uma das principais pontes entre setores do agronegócio mato-grossense e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Essa articulação nos bastidores lhe rendeu elogios públicos do presidente. “Imagina se o pessoal do agronegócio que não gosta de nós tivesse ouvindo o Eraí”, disse o petista, em dezembro do ano passado, em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CNDES). E não para aí. O atual ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, é de Mato Grosso e teve a indicação ao cargo articulada por lideranças do Estado, incluindo os líderes do grupo político ligado aos Maggi. Esse arranjo político deu resultado. Em 2023, o Ministério da Agricultura empenhou quase R$ 50 milhões para obras nos municípios de Canarana e Campo Verde, em Mato Grosso — regiões onde o Grupo Bom Futuro mantém extensa área produtiva. Os recursos, provenientes de emendas parlamentares executadas via ministério, foram destinados principalmente à infraestrutura viária rural, como recuperação e pavimentação de estradas usadas no escoamento da produção agrícola.


Os amigos do ministro

Itaí Maggi tornou-se, nos últimos anos, uma das principais pontes entre setores do agronegócio mato-grossense e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Essa articulação nos bastidores lhe rendeu elogios públicos do presidente. “Imagina se o pessoal do agronegócio que não gosta de nós tivesse ouvindo o Eraí”, disse o petista, em dezembro do ano passado, em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CNDES). E não para aí. O atual ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, é de Mato Grosso e teve a indicação ao cargo articulada por lideranças do Estado, incluindo os líderes do grupo político ligado aos Maggi. Esse arranjo político deu resultado. Em 2023, o Ministério da Agricultura empenhou quase R$ 50 milhões para obras nos municípios de Canarana e Campo Verde, em Mato Grosso — regiões onde o Grupo Bom Futuro mantém extensa área produtiva. Os recursos, provenientes de emendas parlamentares executadas via ministério, foram destinados principalmente à infraestrutura viária rural, como recuperação e pavimentação de estradas usadas no escoamento da produção agrícola.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou os elogios públicos feitos pelo mega produtor rural Eraí Maggi em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CNDES) para cutucar os agricultores que o criticam. “Imagina vocês se o pessoal do agronegócio que não gosta de nós tivesse ouvindo o Eraí falar. Ele que possivelmente é maior do que todos que falem mal de nós, porque tá dizendo apenas a verdade”, declarou o petista. 📲 Leia a notícia completa acessando o link na bio e nos stories


A influência política que gravita em torno de Gilmar Mendes extrapola o âmbito regional. Na década de 2000, sobretudo durante o julgamento do Mensalão, o ministro era visto como crítico do PT. Mais recentemente, no entanto, tornou-se um dos principais expoentes da ala simpática ao partido no STF. Virou opositor da Operação Lava Jato, questionou métodos de investigação legítimos e passou a relativizar a importância de prisões preventivas e delações premiadas. Em 2019, integrou a maioria que reviu o entendimento da Corte sobre a execução da pena depois da condenação em segunda instância — decisão que alterou jurisprudência firmada três anos antes e teve impacto direto sobre processos envolvendo Lula. Embora não esteja tão em evidência quanto Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, Gilmar é considerado hoje o mais poderoso dos ministros. 


Gilmarlândia virou marca 

Diamantino é território político de Gilmar. O prefeito atual do município é Francisco Ferreira Mendes Júnior, o Chico Mendes (União), irmão caçula do ministro, já no terceiro mandato. Antes dele, o pai, Francisco Ferreira Mendes, também comandou a cidade por duas gestões. O avô, também chamado Francisco, ocupou o mesmo cargo. 

Além do domínio político na prefeitura, a família mantém extensas propriedades rurais na região, com atuação no agronegócio local. Em 2018, o Ministério Público de Mato Grosso ajuizou ações envolvendo Gilmar e os irmãos por alegações de uso indiscriminado de defensivos agrícolas, fertilizantes e plantio de organismos geneticamente modificados em fazendas situadas na Área de Proteção Ambiental (APA) Nascentes do Rio Paraguai. Na época, Gilmar acionou o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra a promotora de Justiça Ana Luiza Peterlini, responsável pelas ações ambientais relacionadas a propriedades na região de Diamantino.

Em resumo, o CNMP é o órgão encarregado de fiscalizar a atuação administrativa e disciplinar de integrantes do Ministério Público em todo o país. Ao levar o caso a essa instância, o ministro deslocou o conflito da esfera exclusivamente judicial para o plano administrativo, o que ampliou a controvérsia em torno das investigações. Na ocasião, a promotora revelou ter recebido uma ligação telefônica do então vice-governador Carlos Fávaro, que questionou as investigações. “Ele perguntou o que estava acontecendo”, disse a promotora, em depoimento ao CNMP. “Questionou se não tinha como parar a fiscalização, que o pessoal estava muito alvoroçado.” O caso segue aberto.


O ministro levou o caso ao conselho do Ministério Público para questionar a promotora responsável pelas investigações de suas fazendas | Foto: Mateus Bonomi/Agif/Estadão Conteúdo 


A prática de batizar cidades com nomes de autoridades não é novidade no Brasil. Ela remonta ao Império. Petrópolis, fundada em 1843, homenageia dom Pedro II; Teresópolis leva o nome da imperatriz Teresa Cristina. A tradição de eternizar personagens públicos na cartografia nacional atravessou regimes e séculos. Ainda no período imperial, a princesa Isabel do Brasil inspirou o projeto de criação de “Isabelópolis”, idealizado por Francisco Peixoto de Lacerda.

Werneck, o Barão de Paty do Alferes. A cidade seria erguida na região que hoje corresponde à Reserva Biológica do Tinguá, em Nova Iguaçu (RJ), mas um surto de cólera interrompeu o empreendimento, restando apenas vestígios históricos da iniciativa. Na República, a prática continuou. Municípios como Getúlio Vargas (RS) e Presidente Kennedy (ES) homenageiam chefes de Estado brasileiros e estrangeiros. Durante o regime militar, distritos emancipados receberam nomes ligados aos generais presidentes, como Medicilândia (PA), referência direta a Emílio Garrastazu Médici. 

O fato é que, desde o Império, o Brasil cultiva o hábito de transformar autoridade em topônimo. Hoje, a legislação brasileira proíbe dar nome de pessoa viva a bens públicos federais. Por essa razão, oficialmente, o nome do futuro município mato-grossense deve ser Nova Aliança do Norte. Mas o apelido “Gilmarlândia” pegou antes da lei.

Só no Brasil… 


Erich Mafra e Edilson Salgueiro - Revista Oeste