quarta-feira, 13 de setembro de 2017

‘Nós não vai ser preso’

No áudio de quatro horas que pode levar 

à rescisão da delação premiada, empresário

 Joesley Batista repetia, quase como um 

mantra, que ele e seus diretores não seriam

 capturados; neste domingo, 10, principal 

acionista da JBS e o executivo Ricardo Saud, 

com prisão decretada pelo ministro 

Edson Fachin, se entregaram à PF




O empresário Joesley Batista. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO
Durante um trecho da longa conversa de quatro horas com o executivo Ricardo Saud, o empresário Joesley Batista repetia, quase como um mantra, que eles não iriam ser presos. “Não tem nenhuma chance.”
Joesley e Saud foram presos no domingo, 11, após se entregarem à Polícia Federal. Os executivos estão sob suspeita de terem violada a delação premiada.
A conversa entre Joesley e Saud foi gravada ‘acidentalmente’, segundo os investigadores. O áudio pode levar à rescisão do acordo de delação dos executivos.
“Vamos fazer de tudo, menos ser preso”, afirmou taxativamente Joesley a Saud.
OUÇA A PARTIR DOS 55 MINUTOS


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3:59:11
O dono da JBS começa este trecho do diálogo aconselhando Saud sobre como conversar ‘com a mãe dos meninos’.
“Amanhã eu vou almoçar com a mãe dos meninos (inaudível)”, conta Saud a Joesley,
O empresário explica. “Para começar, a hora que sentar, fala assim. Sentou? Sentou. ‘Cê tá bem? Tô bem. Então, comé que tá as coisas?’ A hora que ela falar assim: ‘Então, Ricardo, e aí?. Vamos começar a falar?. Vamos. Assim, só para alinhar, pra estar na mesma página: eu não vou ser preso. Como assim? O que você está falando? Não, não. Eu não vou, o pessoal, não vai, diretor não vai, vamos tirar isso da frente? Vamos tirar isso da nossa conversa?’.”
Saud: “É, qual que é o segundo assunto?”
Joesley: “Vamos tirar? Não, mas eu não tô falando nada disso, não. Não, não, eu sei que você não está falando, mas, seguinte: ‘ninguém aqui vai ser preso’. Estamos combinados? Tamo. Então tira isso da frente. Pronto. Qual o próximo assunto? Vamos falar dos nossos filho? Vamos falar do… Pronto.”
Saud: “Dá vontade de falar pra ela: ‘você não vai ter esse prazer, não’.”
Joesley: “Vamos tirar isso da nossa frente? Vamos. Qual o segundo assunto? Vamos falar dos nossos filhos, coisa importante, ãhn, como é que tá a tese, como é que tá não sei o que, como é tal, tal, tal”
(…)
Joesley: Não tem nenhuma chance.
Saud: (inaudível) parou de chorar na hora. Engoliu o choro.
Joesley: “Não tem nenhuma chance de eu ser preso. Sabe qual a chance de eu ser preso? Qual? Nenhuma, zero. O Joesley também? Zero. Por quê? Porque não vai.” Não precisa dar explicação nenhuma. Não precisa dizer por quê. “Porque fiquei sabendo, porque tem uma chance. Não, não. Por quê? Porque não vai. Por que tem alguma coisa? Não, não. Deixa eu te explicar? Não tem nenhuma chance. Por que você está falando isso? Tá dando no Jornal Nacional, tá dando… Deixa eu te explicar um negócio? Zero.”
Saud: “Outra coisa, sabe o que eu estou pensando? (inaudível). O que nós vamos fazer não é vergonha nenhuma. É ajudar o País. Nós não estamos (inaudível). Não vou passar esse recibo, não.”
(…)
Saud: “Se eu sair, começa um buchicho. Vai dar notícia que eu saí e tal (inaudível). Vou na reunião e vou (inaudível)”
Joesley: “Vai na reunião e: ‘ô gente, para começar a reunião aqui, antes de começar, deixa eu falar um negócio aqui’. ‘Ah, o que que é?’. ‘Não tem a ver com a reunião, não. Mas seguinte, esses barulhos…’ Eu chamo de barulho.”
Saud: “Será que precisa?”
Joesley: “É bom falar. Ricardo, é bom falar, porque você desarma o cara, porque isso tudo tá na cabeça das pessoa.”
Saud: (inaudível). O Marcelo não quer que eu peça demissão.
Joesley: “Mas então fala. Ó, deixa eu te dar uma sugestão? Chega lá. Tudo bem? Tudo bem. Vamos começar a reunião? Vamos. O Marcelo fala. “Ó, gente.” Aí fala: ‘ô Marcelo, eu podia tomar um minutinho da reunião aqui? Uai, pode, cara. Ô, gente, deixa eu só, tô aqui num (inaudível). Deixa eu falar um negócio para vocês? Tem um bocado de barulho aí, televisão, jornal, não sei o que sobre meu emprego lá, sobre o que eu fazia, vamos direto ao ponto aqui. Eu queria tranquilizar todo mundo e deixar assim todo mundo absolutamente consciente, o seguinte: nós não vamos ter problema. Eu não vou ser preso, ninguém na empresa vai ser preso.’ Já fala assim que já impacta o cara, entendeu?.
(…)
Joesley: “(Inaudível) Está na cabeça das pessoas.”
Saud: “É, eu sei.”
Joesley: “‘Ó, um minuto, rapidinho aqui, é o seguinte: eu sei que não é tema, mas o seguinte, está tendo muito barulho na televisão, jornal, enfim, o Brasil está passando por um momento, assim, deixa eu ir direto ao ponto, do fim pro começo. Ô gente, eu queria falar para vocês o seguinte, ó, eu não vou ser preso, ninguém da empresa vai ser preso, não vai ter diretor nosso preso. Nós não vamos ter problema. É o seguinte, não tem nenhuma chance de isso acontecer’. Vai todo mundo olhar pra você. Não, não, Você está falando, mas nós não achamos isso. Todo mundo acha, lógico. ‘Não, não, eu tô falando isso só para estar na mesma página. ‘Marcelo vamos na reunião. Só queria… E é o seguinte, e todo mundo que tiver alguma dúvida pode ficar à vontade de me perguntar, viu? Eu não tenho constrangimento nenhum em tratar desse assunto’. Outra coisa importante é falar isso: ‘ó, eu não tenho constrangimento nenhum, viu? Qualquer um que quiser falar comigo sobre esses barulhos que estão aí, pode falar que eu tenho total tranquilidade, viu? Eu não fico constrangido. Vocês não estão me constrangendo’. Ricardo, nenhum vai falar nada para você.”
Saud: “(inaudível) é o que eles querem, é o que eles estão querendo. O Marcelo não vai deixar. Ele vai criar um impasse que ele não vai deixar (inaudível).”
Joesley: (Inaudíbvel) No final, a realidade é essa: nós não vai ser preso. Nós sabemos que nós não vai. Vamos fazer de tudo, menos ser preso.”


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