sábado, 5 de agosto de 2017

Curiosidades sobre o metrô nova-iorquino

MARCOS AUGUSTO GONÇALVES - Folha de São Paulo


Não há quem não conheça o metrô de Nova York. Mesmo quem nunca esteve na cidade ou nunca pegou um trem, já viu pelo menos uma estação ou o interior de um vagão em um filme ou fotografia. Inaugurada em 1904, a rede nova-iorquina tem o maior número de estações do mundo - são 468.

Há trens locais, que param em cada estação, e os expressos, com poucas paradas entre pontos distantes da metrópole.

Para quem gosta de diversidade, as viagens são uma festa. Tem gente de todas as classes, de imigrantes pobres a milionários - o magnata Mike Bloomberg, por exemplo, que foi prefeito entre 2002 e 2013, andava frequentemente de metrô.

Se o passageiro pouco vê a cidade, encontra-se com sua paisagem humana multifacetada e ouve um festival de línguas - com direito a shows, muitas vezes ótimos, nas estações.

Flavia Lobo
Ilustração de Flavia Lobo para a coluna do Marcos Augusta Gonçalves na Serafina 2017 ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***
São turistas de todos os continentes, executivos engravatados, senhorinhas, tiozinhos, hipsters, velhos hippies, freaks, brancos, negros, latinos, árabes e asiáticos.

O "subway" resolve a vida de quem precisa economizar tempo ou quer escapar do trânsito, muitas vezes infernal.

Mas nem tudo é o máximo no metrô nova-iorquino. Com aquele astral meio "Blade Runner", as estações são geladas no inverno e um forno no verão. Grande parte é suja (muitas são imundas), os trens têm aquecimento e ar-condicionado, mas são velhos e barulhentos, as linhas vira e mexe fecham para manutenção e a pontualidade está longe de ser britânica.

A infraestrutura antiquada é uma das causas dos atrasos, mas o crescimento exponencial do número de usuários tornou-se a principal. Nos últimos 15 anos, com a revitalização econômica de Nova York, a diminuição dos índices de violência e o aumento do turismo, o metrô passou a transportar muito mais gente sem ter passado por ampliações e melhorias significativas.

Dos cerca de quatro milhões de passageiros diários da década de 1990, o sistema passou a transportar seis milhões atualmente. Nos horários de pico, isso se traduz em estações superlotadas e mais tempo para embarque e desembarque de passageiros. 

O resultado são atrasos em cascata.

É comum que trens parem no meio do caminho para esperar o tráfego ser regularizado. Nem sempre as informações são rápidas e precisas. E a situação pode se tornar inquietante, numa cidade que ainda convive com o receio de ações terroristas.



Nenhum comentário:

Postar um comentário