segunda-feira, 7 de agosto de 2017

CNJ investiga se desembargadora beneficiou também o outro filho

Julia Affonso e Fausto Macedo - O Estado de São Paulo


Tânia Garcia de Freitas Borges. Foto: TRE/MS
O Conselho Nacional de Justiça investiga se a desembargadora Tânia Garcia de Freitas Borges, do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul, beneficiou outro filho, preso em 2005. Acusado de roubo a mão armada, Bruno Borges acabou transferido para tratamento psiquiátrico em uma clínica no interior de São Paulo, revelou a reportagem do ‘Fantástico’.
O filho da desembargadora também teria participado do plano de fuga de um chefe do tráfico de drogas.
Bruno é irmão de Breno Borges, que em 8 de abril foi preso em flagrante por tráfico de drogas.
Breno Borges. Foto: Reprodução/Facebook
Breno Borges foi preso pela Polícia Rodoviária Federal no município de Água Clara (MS). Com ele, os agentes apreenderam 129 quilos de maconha e munições de grosso calibre – 199 projéteis 7.62 e 71 projéteis de 9 milímetros. Em 21 de abril, o plantão judiciário do Tribunal de Justiça do Estado decidiu substituir o regime de prisão preventiva em que Breno se encontrava por internação provisória em uma clínica médica.
Laudos anexados pela defesa ao pedido indicam que o filho da desembargadora sofre de Síndrome de Borderlin – doença marcada por ‘desvios dos padrões de comportamento’, com alterações de afetividade e controle de impulsos.

A desembargadora e outros dois colegas, José Ale Ahmad Netto e Rui Celso Barbosa Florence, são investigados no episódio de concessão de habeas corpus a Breno. Eles são alvo de uma reclamação disciplinar instaurada pelo corregedor nacional de Justiça, ministro João Otávio de Noronha. A suspeita é de ‘violações à Lei Orgânica da Magistratura Nacional’.
A defesa diz que não houve favorecimento aos filhos da desembargadora Tânia. Segundo a defesa, a presidente do TRE de Mato Grosso do Sul agiu como mãe e procurou advogados para defender os filhos.
O procedimento ligado a Breno Borges corre no CNJ em sigilo. Após serem notificados, os magistrados terão cinco dias para apresentar as defesas. Com as alegações dos desembargadores em mão, o ministro Noronha decidirá se propõe ao Plenário do conselho a abertura de um procedimento administrativo disciplinar.
COM A PALAVRA, O TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE MATO GROSSO DO SUL
Na sexta-feira, 4, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul informou.
“Em resposta à demanda solicitada pelo Fale Conosco do Portal do TJMS, informo que os desembargadores irão se manifestar somente ao Conselho Nacional de Justiça em relação a este caso no procedimento do referido órgão, que inclusive tramita em sigilo.”

Nenhum comentário:

Postar um comentário