terça-feira, 4 de julho de 2017

Por acordão, Aécio volta com elogio a Temer e trégua com o covil PT

Vera Magalhães - O Estado de São Paulo



O discurso de retorno de Aécio Neves ao Senado depois de 46 dias afastado por decisão do Supremo Tribunal Federal e alvo de denúncia por parte do Ministério Público Federal foi um aceno a um acordo amplo entre partidos que poupe as principais lideranças na mira da Lava Jato.
Numa fala curta em que se disse vítima de uma “armadilha” por parte de Joesley Batista, mas poupou também ataques ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Aécio teceu loas às “conquistas” do governo Michel Temer, defendeu apoio às reformas e não fez sequer uma crítica ao PT, tônica de suas falas anteriores.
O tucano não reassume agora a presidência do PSDB, mas mostrou que vai procurar liderar a decisão do partido em relação ao governo Temer. Será uma batalha hercúlea: a bancada do PSDB na Câmara está francamente disposta a romper com Temer e votar, tanto na CCJ quanto no plenário, pela aceitação da denúncia.
Com a situação jurídica bastante delicada, Aécio terá pela frente um teste de sua sobrevivência política: se não conseguir liderar os deputados de seu partido, os chamados “cabeças pretas”, a salvar a pele de Temer, será jogado aos leões pelo PMDB no Senado.
O acordão, para acontecer, depende dessa combinação com políticos que terão de prestar contas de seus votos no ano que vem a um eleitorado que está rompido com os políticos e indignado com a perspectiva de que a Lava Jato seja solapada.

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