quarta-feira, 5 de julho de 2017

"O custo Dilma para o setor da construção", editorial do Estadão


As dimensões da recessão no setor da construção civil foram muito 

expressivas em 2015, segundo recente estudo do Instituto Brasileiro

 de Geografia e Estatística (IBGE). Comparativamente a 2014, houve

 retração, em termos reais, de 16,5% no valor das incorporações, obras

 e serviços da indústria da construção



Só agora se pode avaliar, com mais acuidade, o impacto da política econômica do governo Dilma Rousseff sobre a indústria da construção. As dimensões da recessão no setor da construção civil foram muito expressivas em 2015, segundo recente estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 Comparativamente a 2014, houve retração, em termos reais, de 16,5% no valor das incorporações, obras e serviços da indústria da construção. A receita operacional líquida das empresas do segmento diminuiu 18,7%, em termos reais.
Entre 2014 e 2015, o número de empresas ativas do setor aumentou de 128 mil para 131,5 mil, mas o de empregados diminuiu 455 mil, de 2,89 milhões para 2,44 milhões de pessoas. A recessão imobiliária atingiu não só empresas e seus controladores, mas, ainda mais, o pessoal contratado.
Os salários, retiradas e outras remunerações caíram de R$ 79,1 bilhões para R$ 68,5 bilhões. Os gastos com pessoal cederam de R$ 108,1 bilhões para R$ 99,7 bilhões. Só assim foi possível derrubar o total de custos e despesas de R$ 329,4 bilhões em 2014 para R$ 299,2 bilhões em 2015. Nesse ano, os números do recuo da construção superaram os do PIB, que caiu 3,8%. O valor adicionado da atividade da construção caiu 7,8%, de R$ 187,2 bilhões para R$ 172,6 bilhões.
As entidades públicas foram as que mais reduziram o investimento em construção e sua participação foi de 30,6% do total, enquanto crescia para 46,7% a da construção de edifícios. As obras de infraestrutura também recuaram muito, em decorrência da deterioração da receita e das contas públicas em geral.
Em resumo, 2015 marcou uma das maiores recessões da história do setor e não deixa saudade, com raras exceções, como de empresas que se saíram bem nos programas de habitação popular. Mas não só a situação geral da construção civil foi muito ruim em 2015. Também a do mercado imobiliário de São Paulo, o mais forte do País, foi dramática. Segundo o sindicato da habitação (Secovi-SP), os lançamentos na capital caíram 32,4%. A situação persistiu em 2016, com queda nos lançamentos de 23,3% em relação a 2015.
É possível que 2017 marque uma leve recuperação da construção, a partir de base baixa. Mas, para o setor, o biênio 2015/2016 ficará registrado como um dos piores da história recente do País.

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