sábado, 15 de julho de 2017

Meirelles minimiza crise política e mantém projeção de crescimento em 2017

Fernanda Nunes - O Estado de S.Paulo


O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou neste sábado, 15, que mantém a projeção de crescimento de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado ontem, registrou queda de 0,5% na passagem de abril para maio. O ministro, no entanto, voltou a minimizar o resultado, como já havia feito durante seminário nessa sexta-feira, na Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio.
Meirelles
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, durante conferência no Rio Foto: Pilar Olivares/Reuters
"O IBC-Br é diferente da metodologia do PIB medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística). O IBC-Br faz comércio, que é uma parte de serviços, enquanto o PIB olha o setor de serviços como um todo e dá uma medida maior para isso. Esse é um exemplo", afirmou o ministro, que participou de encontro com economistas na FGV, neste sábado.
Meirelles disse esperar um crescimento bem menor no segundo trimestre, em relação ao primeiro, que "foi muito forte", em sua opinião. "Tem um efeito da agricultura no segundo (trimestre), que cai bastante. Mas estamos esperando crescimento para o terceiro e para o quarto (trimestres). Para o fim do ano, mantemos a estimativa de cerca de 2% ou mais, comparando o último trimestre de 2017 com o último trimestre de 2016", complementou. Para o ano, está mantido a projeção de crescimento de 0,5%.
Sobre o afastamento temporário do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ), por conta de problemas de saúde, e os efeitos no plano de recuperação do Estado, Meirelles disse que "é uma questão relevante", já que Pezão está à frente do processo. "Mas as negociações estão bastante avançadas, agora, na área técnica". "O secretário da Fazenda já tem, a essa altura, condições de formatar o plano final de ajuste e, dentro das nossas expectativas, o plano deve ser finalizado quando o governador estiver de volta", disse Meirelles. Ontem, à imprensa, Meirelles informou que espera homologar o plano de recuperação do Rio no prazo de duas semanas.
O ministro ainda minimizou os efeitos da crise política, com denúncias contra o presidente Michel Temer (PMDB), no andamento da reforma da Previdência. "A reforma da Previdência é de longo prazo. Ela não tem efeito relevante nas contas de 2017 ou mesmo nas de 2018. É muito importante como sinalização. Acredito que será votada no devido tempo. Não vão ser alguns meses que vão ter efeito nas contas fiscais de 2017 e 2018", afirmou, complementando, em seguida, que espera a aprovação da reforma até o início do ano que vem.
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Meirelles citou outros fatos recentes com efeitos fiscais relevantes, como a decisão de recolhimento de precatórios, "depósitos bancários de pessoas que tiveram mitigação com a União e que hoje estão disponíveis para a União". O orçamento desses precatórios, feito recentemente pelo Conselho Nacional de Justiça, é de R$ 12 bilhões, segundo o ministro. Até então, a previsão de orçamento era de R$ 8 bilhões. "Portanto, é algo, no curto prazo, de relevância maior", destacou.
O ministro disse ainda que, "do ponto de vista da economia, quanto mais cedo melhor" que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) se posicione sobre as denúncias contra Temer. Questionado se ficaria no cargo em um governo interino, caso o presidente seja afastado, Meirelles disse que não perde tempo com hipóteses. "Estou sempre focado no meu trabalho no momento, fazendo o que tem que ser feito para cumprir a minha função e para colocar o Brasil na rota de crescimento", afirmou.

Meirelles lembrou ainda a discussão sobre a concessão de mandato aos presidentes do Banco Central, ideia que acabou não avançando, e disse que, na época, foi questionado sobre a expectativa de permanecer na presidência do BC, ao que respondeu: "Trabalho com a perspectiva de mandato de um dia". Em seguida, ironizou: "acabei ficando por oito anos". 

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