sexta-feira, 14 de julho de 2017

José Paulo Kupfer: Recuo no IBC-Br de maio sinaliza estabilidade frágil


Concessionárias de veículos: venda do varejo ampliado, que inclui segmento, contribuiu para recuo - Hermes de Paula / Agência O Globo

José Paulo Kupfer - O Globo




Para decepção de muitos, o IBC-Br, índice que mede a marcha mensal da atividade econômica, calculado pelo Banco Central, mostrou retração, em maio. O recuo de 0,5% em relação a abril interrompeu uma pequena sucessão de pequenas altas e divergiu das projeções que indicavam elevação, no mês, em torno de 0,2%. As projeções apontam estabilidade para o indicador em junho.

A média móvel trimestral, em maio, uma aproximação do resultado do PIB trimestral, recuou 0,3%, depois de alta de 0,3% no trimestre móvel encerrado em abril. Observada em prazo mais longo, a curva da média móvel trimestral do IBC-Br mostra descendente acentuada a partir de novembro de 2014 e reversão positiva, mas ligeira, de dezembro do ano passado a abril de 2017.

Produção agrícola, que respondeu pelo principal empuxo da atividade nos primeiros quatro meses do ano, foi em maio o componente que mais atuou no sentido da retração. O varejo ampliado (que inclui veículos e materiais de construção) colaborou para o recuo, ao mesmo tempo em que serviços e produção industrial apresentaram resultado mensal positivo.

Varejo e indústria, ambos em doses pequenas, vêm se alternando, mês a mês, no lado positivo e negativo da atividade econômica. Um sinal de que o ajuste está sendo feito no terreno dos estoques e, mais do que isso, de que ainda falta tração para uma retomada mais firme, embora as quedas livres predominantes até o ano passado pareçam ter sido deixadas para trás.

Conhecido o IBC-Br de maio, as estimativas para a evolução da economia no segundo trimestre do ano convergiram para a estabilidade ou para um ligeiro recuo, devolvendo o avanço registrado no primeiro trimestre. Mantém-se, com isso, a perspectiva de que a atividade econômica em 2017 apresente alta modesta, mas o viés, diante das incertezas alimentadas por um quadro político de permanente instabilidade, é de baixa. Um crescimento de 0,5% no ano é agora um teto no intervalo das previsões.


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