quinta-feira, 13 de julho de 2017

Com opções reduzidas, Lula, corrupto condenado, troca "paz e amor" por "Jararaca-2018"

Miguel Schincariol/AFP
Former Brazilian president Luiz Inacio Lula Da Silva (C) speaks during a press conference in Sao Paulo, Brazil, July 13, 2017. Brazil's former president Luiz Inacio Lula da Silva was sentenced to nearly 10 years in prison for graft in a stark fall from grace for the iconic leftist leader. Lula, who ruled Brazil from 2003-2010, was convicted and handed a 9.5-year prison term on Wednesday for accepting a luxury seaside apartment and $1.1 million, the latest twist in a giant corruption probe engulfing Latin America's largest economy. / AFP PHOTO / Miguel SCHINCARIOL
Quantos corruptos na foto? 

Igor Gielow - Folha de São Paulo



Se a condenação de Luiz Inácio Lula da Silva era dada como previsível, assim foi sua reação, telegrafada ao longo dos meses pelas reações às investigações sobre acusações de corrupção. O petista lançou sua campanha à Presidência em 2018 apostando no figurino que foi derrotado nos pleitos de 1989, 1994 e 1998.

Esqueça uma campanha com o Lula da "concertação", "paz e amor", da "Carta ao Povo Brasileiro". Está de volta a velha jararaca, como ele mesmo se autodenomina, o líder sindical esgoelado contrapondo a "senzala" que diz representar à "casa grande". É o "nós contra eles" repaginado pela enésima vez.

A retórica do "só o povo pode me julgar" está na praça, ignorando realidades jurídicas. Pela fala desta quinta (13), Lula tem os seguintes eixos para a campanha:

1 - Ele e o PT são vítimas de um golpe concertado entre "elites", Judiciário e imprensa.
2 - O "povo precisa ser governado por quem o entende", quem "conhece a fome e o desemprego", tocando num nervo exposto da realidade nacional.
3 - "Eles" estão destruindo "tudo o que foi construído desde 1943", ou seja, o arcabouço Previdência-CLT alvo de reformas que, dizem pesquisas, são impopulares.

Não que Lula tenha muita opção. Aceitar passivamente o trâmite da Justiça seria o equivalente a jogar flores sobre o túmulo do PT, enterrado pelos próprios erros. 

Resta agora ao ex-presidente tentar manter o corpo do partido ao menos em estado de suspensão animada, e os eixos acima lhe fornecem um roteiro meio simplório, mas eficaz para sua base de apoio.

É suficiente para levá-lo de volta ao Planalto, caso ele tenha condições judiciais para tanto? Depende, até porque ainda estamos em julho de 2017, mas a única forma pela qual um Lula candidato poderia hoje ganhar no segundo turno seria enfrentando um anti-Lula tão extremado que a mesma "elite" que despreza agora o petista se veria sem opções.

Com os nomes hoje na praça, é dispensável nominar: falo aqui de Jair Bolsonaro (PSC-RJ), o deputado que vocifera aquilo que as franjas mais radicais à direita que reencontraram as ruas desde 2013 querem ouvir. Hoje ele estaria no páreo para um segundo turno, tornando-se o adversário dos sonhos de Lula, mas parece muito difícil que mantenha o fôlego na hora em que o jogo for para valer e as forças políticas estiverem em movimento. Pré-campanha não é campanha.

Fora essa opção, a retórica agressiva de Lula, os punhos cerrados de outros réus a seu lado no palanque, isso tudo só serve para garantir o 1/3 do eleitorado que irá com o petista.

Essa foi a grande conquista do ex-presidente após o massacre eleitoral de 2016, a retomada dessa fatia. A recessão e o desemprego, independentemente de serem herança do próprio PT, são naturalmente associados ao governo que está no poder. Os acertos de seus anos no poder, como políticas de transferência de renda, fornecem uma munição que não estava presente nas campanhas em que ele foi derrotado no passado.

Ainda assim, com 45% de rejeição e uma montanha de acusações para lidar, Lula terá dificuldades para duelar com um representante do campo conservador ou do centro que reúna viabilidade política e eleitoral. O condomínio Geraldo Alckmin-João Doria, a Rede de Marina Silva e talvez Joaquim Barbosa ou algum nome incógnito não terão vida fácil, mas seguem com vantagem prévia na disputa.

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