quarta-feira, 12 de julho de 2017

Ascensão de Maia leva DEM a promover sondagens sobre uma fusão de partidos

Com Blog do Josias - UOL


Convertido pelas circunstâncias em alternativa de poder, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, está no centro de uma articulação que pode resultar no surgimento de um novo partido. A negociação é sigilosa e embrionária. A ideia é promover uma fusão do DEM com outras legendas. Participam das conversas políticos do PSD e do PSB. A operação não é simples. Envolve questões ideológicas e legais. No momento, realizam-se consultas para saber se os partidos manteriam o tempo de propaganda televisiva e as verbas do fundo partidário depois da fusão.
Em suas conversas privadas, Rodrigo Maia fala em organizar uma legenda com algo em torno de 100 deputados federais. O suficiente para romper a supremacia legislativa do PMDB, que controla 63 cadeiras na Câmara. Hoje, o DEM é a oitava legenda da Câmara, com 29 deputados. Numa hipotética fusão com PSD e PSB, passaria a ocupar 102 assentos. A operação é complexa porque, além das dúvidas legais sobre o tempo de propaganda e o acesso às verbas do fundo público que financia os partidos, há obstáculos políticos a transpor.
O DEM, outrora chamado de PFL, é uma legenda liberal, de histórico direitista, com um pé no regime militar. A eventual junção com o partido de Gilberto Kassab não causaria espanto, pois o PSD nasceu de uma dissidência do DEM. Na prática, seria um reencontro. O PSB, entretanto, carrega o vocábulo “socialista” na certidão de nascimento. O barulhinho que se ouve ao fundo é o ruído de um fundador da legenda, o ex-governador pernambucano Miguel Arraes, revirando no túmulo.
Seja como for, o senador Fernando Bezerra, do PSB de Pernambuco, participa das discussões. Ele representa uma banda do PSB que costuma colocar o pragmatismo à frente da ideologia. Ex-ministro da Integração Nacional sob Lula, Bezerra escorregou naturalmente para a equipe ministerial de Dilma Rousseff. Com a deposição da presidente petista, seu primogênito, o deputado Fernando Bezerra Filho, virou ministro de Minas e Energia de Michel Temer. A eventual Presidência de Rodrigo Maia inspira muitas dúvidas. Mas se há uma certeza na praça é a de que a família Bezerra estará representada no ministério.
Presidente do diretório do PSB de São Paulo, o ex-deputado Márcio França, hoje vice-governador do tucano Geraldo Alckmin, acompanha a movimentação à distância. Apologistas do projeto presidencial de Alckmin, França e seu grupo, majoritários no diretório nacional do PSB, poderiam se interessar pelo debate que se desenvolve nos subterrâneos de Brasília se os interesses do governado paulista entrassem na equação.
De resto, trabalha-se com a perspectiva de que uma eventual legenda nova atrairia uma infinidade de políticos que estão insatisfeitos em seus partidos. A ascensão de Rodrigo Maia à poltrona ocupada por Michel Temer funcionaria como um ímã. O difícil será convencer a plateia de que um partido nascido de uma negociação entre o DEM e políticos que transitam com desenvoltura pelas máquinas públicas constitui algo novo na polítca brasileira.

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