quinta-feira, 8 de junho de 2017

Reino Unido escolhe novo Parlamento, em 'plebiscito' para Theresa May

Diogo Bercito - O Globo


Quando a primeira-ministra britânica, Theresa May, convocou as eleições gerais desta quinta (8) ela tinha uma visão otimista de futuro.

O Partido Conservador ampliaria sua maioria no Parlamento e, assim, sairia mais robusto do pleito para negociar os termos da retirada do país da União Europeia, apelidada de "brexit".

Marko Djurica/Reuters
Cartazes em loja de apostas mostram a primeira-ministra, Theresa May, e o trabalhista Jeremy Corbyn
Cartazes em loja de apostas mostram a primeira-ministra, Theresa May, e o trabalhista Jeremy Corbyn


A realidade, no entanto, lhe atingiu como uma esquete surreal dos comediantes britânicos do Monty Python.

A vantagem de May em relação ao Partido Trabalhista, seu rival, era de 24 pontos percentuais em 18 de abril, quando anunciou as eleições antecipadas, segundo uma pesquisa da YouGov. A mesma firma prevê agora margem de quatro pontos.

Com 42% das intenções de voto, o Partido Conservador pode perder 28 assentos, indo dos 330 atuais para 302 —ou seja, May sairia das eleições mais fraca do que antes.
Os trabalhistas, por sua vez, podem ter 38% dos votos e 269 assentos. As cadeiras são decididas por distrito e não correspondem ao percentual da votação geral, por isso as pesquisas nacionais podem, às vezes, ser ilusórias.

A sondagem foi divulgada nesta quarta (7), com a entrevista de 8.664 pessoas no dia anterior. Sua margem de erro não é informada. Há uma variação ampla ente as pesquisas: no mesmo dia, levantamento do ICM previu uma vitória de May por 12 pontos.


PLATAFORMAS

May quis antecipar as eleições para reforçar seu mandato para o "brexit", tema ao qual ela dedicou as últimas horas de sua campanha.

Ela defende que a saída britânica seja completa, o que é conhecido como "brexit duro". O Reino Unido deixaria, por exemplo, o mercado único europeu. Os trabalhistas, por outro lado, preferem ficar nesse mercado.

Mas os dois meses de campanha foram o bastante para outros temas tomarem o debate, diz à Folha Alex De Ruyter, diretor do Centro de Estudos de Brexit da Universidade Birmingham City.

"Os eleitores quiseram conhecer a visão dela sobre outros assuntos, como educação, saúde e segurança."

Os trabalhistas têm propostas atraentes aos jovens nessas áreas, como fazer com que as universidades voltem a ser gratuitas.

Já os conservadores provavelmente perderam votos sugerindo trocar os almoços gratuitos dados a crianças na escola por cafés da manhã.

Na área da saúde, uma das prioridades dos eleitores, trabalhistas prometem investimento extra de R$ 127 bilhões. Os conservadores oferecem uma soma menor: R$ 34 bilhões nestes cinco anos, que dizem ser mais viável.

Outra questão fundamental é a migração. Ambos os partidos concordam que é necessário reduzi-la, mas os conservadores têm metas mais duras, em um aceno a quem votou pelo "brexit".

Apesar da afluência de pesquisas eleitorais, todas elas concordando com a vitória do Partido Conservador, ainda há margem para surpresas.

Um dos fatores decisivos será a participação dos jovens, favorecendo o Partido Trabalhista —o voto no país não é obrigatório.

A idade, mais do que a classe social, é a principal linha divisória entre os eleitores. 

Os trabalhistas têm vantagem de 19 pontos percentuais na população entre 18 e 24 anos, segundo o YouGov. Os conservadores lideram com 49 pontos entre as pessoas acima de 65 anos.

A chave é o quanto dessas fatias de fato votará. Em 2015, apenas 43% dos jovens foram às urnas, comparados aos 78% de mais de 65 anos.

"Não votamos o bastante, e isso me preocupa", diz Jo Goodman, presidente do conselho de estudantes na Birmingham City. "Se não participamos, o governo pode achar que não precisa considerar nossas reivindicações."

Goodman fez campanha para que os alunos se inscrevessem para votar. Ela justifica a predileção pelos trabalhistas devido a uma plataforma que, diz, "se importa mais com a justiça social".

O argumento funciona principalmente em relação a temas como o sistema de saúde e a educação. Há muitas propostas que nos convencem", afirma Goodman.

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