quarta-feira, 21 de junho de 2017

O sonho global da JBS - que recebeu ajuda monumental dos governos corruptos Lula-Dilma - está em marcha à ré






Movimentação em açougue em São Paulo: impacto da Operação Carne Fraca e da Operação Bullish, ambas da Polícia Federal, fizeram JBS adiar plano de listar braço internacional da empresa na Bolsa de Nova York
Movimentação em açougue em São Paulo: impacto da Operação Carne Fraca e da Operação Bullish, ambas da Polícia Federal, fizeram JBS adiar plano de listar braço internacional da empresa na Bolsa de Nova York Foto: Parceiro / Cris Faga/Fox Press Photo

Danielle Nogueira - O Globo

A irlandesa Moy Park, que esteve no centro do plano de internacionalização da JBS, é hoje um dos principais ativos da empresa que estão à venda. A companhia, comprada do frigorífico Marfrig por US$ 1,5 bilhão em 2015, foi o caminho para a JBS ampliar presença na Europa e era peça-chave de seu plano de reestruturação, vetado ano passado pelo BNDES.
Em maio de 2016, o presidente mundial da JBS, Wesley Batista anunciou com poupa e circunstância o plano de reorganização societária do grupo. Seria criada uma nova empresa com sede na Irlanda, país conhecido pelas favoráveis condições fiscais aos negócios, e que reuniria os ativos no exterior da JBS — incluindo a Moy Park e a americana Pilgrim’s Pride — além da Seara Alimentos.
As unidades de carne bovina no Brasil, biodiesel, colágeno, a transportadora do grupo e a divisão global de couros permanecerim sob a estrutura da JBS, que passaria a se chamar JBS Brasil. O braço internacional seria batizado de JBS Foods Internacional, que seria listada na Bolsa de Nova York.
Assim, os irmãos Batista atingiriam dois objetivos: por um lado, a sede na Irlanda garantiria menor carga tributária; por outro, com ações negociadas no mercado americano, o braço internacional da JBS atrairia investidores estrangeiros interessados em aportar recursos na empresa, porém receosos de investir nas operações brasileiras. A conta era simples: menos custos e mais capital.
O que os irmãos Batista não contavam era com o voto contrário da BNDESPar, braço de participações do BNDES, que detém 21% do capital votante. Cinco meses após o anúncio da reestruturação, o banco vetou a operação, sob a alegação de que ela levaria a uma desnacionalização da companhia. Nos últimos anos, a JBS havia recebido bilhões em dinheiro público, por meio de apoio financeiro do próprio BNDES.
Quem comandava o banco na época do veto à reestruturação era Maria Silvia Bastos Marques, que chegou a se reunir com o presidente Michel Temer dois dias antes de o BNDES anunciar sua posição. Na noite de terça-feira, o Jornal Nacional revelou que Joesley Batista contara à Polícia Federal que Temer havia pressionado Maria Silvia para que ela desse seu aval à operação. O BNDES confirma o encontro e o tema da conversa, mas diz que Temer teria apenas ouvido as razões do veto.
Com o voto contrário do BNDES e as operações da Polícia Federal que vieram mais tarde — Carne Fraca, que levantou suspeitas sobre as condições sanitárias de frigoríficos brasileiros, e Bullish, que investiga supostas irregularidades no apoio financeiro do banco de fomento à JBS —, a família Batista decidiu adiar o plano de lançar ações nos Estados Unidos.
As delações de Joesley e Wesley Batista, na qual admitem envolvimento em esquema de pagamento de propina a políticos, agravaram a crise por que passa a empresa. Com a desconfiança do mercado, a chance de a JBS levantar recursos para pagar suas dívidas é reduzida, o que acabou levando-a a anunciar esta semana um plano de venda de ativos.
A irlandesa Moy Mark voltou à cena como o principal negócio na prateleira, dias depois de o grupo anunciar venda de operações na América do Sul para a rival Minerva. Mesmo com o embargo da Justiça nesta quarta-feira, os dois movimentos são sinais claros de que o alcance global da JBS está em marcha à ré.

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