quinta-feira, 8 de junho de 2017

Delator era servidor público quando JBS emprestou um jato para Michel Temer

Com Blog do Josias - UOL


Acompanhado da mulher, Marcela, Temer viajou em janeiro de 2011 para a Bahia em jatinho da JBS



Ricardo Saud, diretor da J&F, holding controladora da JBS, era servidor do Ministério da Agricultura em janeiro de 2011, quando o grupo empresarial de Joesley Batista emprestou um jatinho para transportar Michel Temer e sua mulher Marcela para um resort em Comandatuba, na Bahia. Nessa época, Saud integrava a equipe do então ministro Wagner Rossi, um apadrinhado político de Temer. Em conversa com aliados, Temer disse que foi Rossi quem providenciou a aeronave para sua viagem recreativa.
Hoje, Ricardo Saud é um dos delatores que transformaram Temer no primeiro presidente da República da história a ser investigado por corrupção no exercício do mandato. Foi Saud quem, a serviço do empresário Joesley Batista, entregou no último dia em 28 de abril a mala com propina de R$ 500 mil da JBS para Rodrigo Rocha Loures, o ex-assessor de Temer que está preso no presídio da Papuda, em Brasília. Em depoimento à Procuradoria-Geral da República, Saud sustentou que o dinheiro destinava-se a Temer. O presidente nega.

Rocha Loures (de paletó, abaixo) encontrou Saud antes de receber a mala com R$ 500 mil (acima)
O empresário Joesley Batista mencionou em sua delação o empréstimo do jato para demonstrar que sua proximidade com Temer vem do tempo em que ele era vice-presidente da República. Os dois foram apresentados por Wagner Rossi. Joesley entregou aos investigadores o plano de voo da aeronave. No documento, os passageiros foram identificados assim: “Família sr. Michel Temer”. A novidade foi trazida à luz pelo site Antagonista.
Depois de negar que tivesse utilizado o jato, Temer viu-se compelido a dar meia-volta: “O então vice-presidente Michel Temer utilizou aeronave particular no dia 12 de janeiro de 2011 para levar sua família de São Paulo a Comandatuba, deslocando-se em seguida a Brasília, onde manteve agenda normal no gabinete”, escreveu a assessorial do Planalto em nota oficial. “A família retornou a São Paulo no dia 14, usando o mesmo meio de transporte. O vice-presidente não sabia a quem pertencia a aeronave e não fez pagamento pelo serviço.”
Na gestão de Wagner Rossi, o apadrinhado que o então vice-presidente Temer acomodou na cadeira de ministro da Agricultura, Ricardo Saud ocupava o posto de diretor de Programa da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo. Ele pediu exoneração do cargo público sete meses depois da viagem de Temer nas asas da JBS. Saiu depois que Rossi foi afastado do comando do ministério sob suspeita de corrupção. Assinada pela então chefe da Casa Civil da Presidência, Gleisi Hoffmann em 17 de agosto de 2011, a exoneração de Saud foi publicada no Diário Oficial dois dias depois. (veja o documento abaixo).

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