quinta-feira, 8 de junho de 2017

Aos 81, Eleanor Coppola estreia como diretora de ficção em um road movie

Divulgação
Os atores Diane Lane e Arnaud Viard interpretarm Anne e Jacques em cena do longa rodado na França; Alec Baldwin vive o marido da personagem
Os atores Diane Lane e Arnaud Viard interpretarm Anne e Jacques em 'Paris Pode Esperar'


Rodrigo Salem - Folha de São Paulo

Mulher de Francis Ford Coppola. Mãe de Sofia e Roman. Tia de Nicolas Cage e Jason Schwartzman. Matriarca de uma família mergulhada até o pescoço no cinema, chega a ser difícil entender as razões de Eleanor Coppola estrear só aos 81 anos como diretora de um longa de ficção.

Mas o drama "Paris Pode Esperar", que entra em cartaz no Brasil nesta quinta-feira (8), poderia ter visto antes a luz do dia.

A ideia de um road movie romântico pela França surgiu após a experiência da diretora/roteirista no Festival de Cannes de 2009. Seu marido precisava fazer uma viagem para Budapeste logo após o evento, mas ela não queria pegar um avião por causa de uma infecção no ouvido.

Francis embarcou, e Eleanor topou a oferta de um produtor francês, amigo da família: ir de carro da Croisette para Paris. "A viagem, que deveria durar oito horas, terminou levando dois dias", lembra ela em entrevista à Folha. "Esse cavalheiro queria parar o tempo todo para me mostrar paisagens e comer em restaurantes bons."

A cineasta decidiu transformar a experiência em um longa, inspiração tirada da própria filha. "Em 'Encontros e Desencontros', Sofia pegou a experiência pessoal de viajar o tempo todo para Tóquio por causa de sua produtora e das suas madrugadas sozinhas no hotel. Foi a luz que acendeu na minha cabeça", confessa Eleanor. "Notei que não precisava ir atrás de um livro ou criar algo falso."

Em "Paris Pode Esperar", Diane Lane assume o papel de uma mulher nos seus cinquenta anos que deixa o marido cineasta (Alec Baldwin) seguir viagem e parte de carro com um francês "bon vivant" (Arnaud Viard) em uma excursão involuntária por comidas fantásticas e vinhos caríssimos da França.

"Não saberia dizer o quanto é verdade e o quanto é invenção", desconversa a diretora, meio sem jeito para falar sobre uma jornada que revela um relacionamento extraconjugal com o companheiro de viagem, pelo menos na ficção. "Francis não leu o roteiro até quase terminá-lo. Mas ele conhece a pessoa e sabe que somos apenas amigos. Não acho que tenha ficado enciumado ou pensado algo diferente dessa viagem."


Assista ao trailer de 'Paris Pode Esperar'


CASAMENTO

Eleanor conheceu o marido nas filmagens de "Demência 13", em 1962, trabalhando como diretora de arte. Se casaram um ano depois e ela sempre esteve presente nos sets do marido.

No mais complicado deles, capturou imagens de bastidores de "Apocalypse Now", cenas que viraram o premiado documentário "Francis Ford Coppola - O Apocalipse de Um Cineasta" (1991).

A princípio, Francis não quis que a mulher dirigisse "Paris Pode Esperar". 

"Ele não queria que eu me decepcionasse caso não conseguisse financiamento", explica Eleanor. De certa forma, o temor era compreensível. "Meu filme não tem explosões e batidas de carros em alta velocidade, então foi bem difícil conseguir o dinheiro", recorda-se ela, que só pediu ajuda para o marido no estágio final de captação de recursos. "Ele foi decisivo."

Ainda mais porque Nicolas Cage, que topou o projeto da tia, se afastou três meses antes das filmagens por causa de outro filme. "Fiquei desesperada, liguei para todo mundo que conhecia. Não consegui, porque é um filme sobre personagens com 50 anos, e não do americano mais velho que conquista a mocinha francesa", alfineta a diretora, que conseguiu Alec Baldwin por sorte.

"Alec ligou para Francis pedindo para ele participar de um evento beneficente. Francis não podia ir, mas perguntou: "Você poderia me fazer um favor?'", diverte-se Eleanor. "Foi perfeito, porque Alec tem o carisma para segurar o filme apenas com sua voz."

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