terça-feira, 23 de maio de 2017

Moro se compara a Eliot Ness em programa de TV americano. Diz no ‘60 minutes’ que escândalo Lava-Jato é muito maior que Watergate


O juiz Sergio Moro em entrevista para a TV CBS sobre a operação Lava-Jato - Reprodução/CBS News


Mariana Timóteo da Costa - O Globo


O tradicional programa de TV americano “60 minutes”, da rede CBS, teve um bloco inteiro dedicado à “Operation Car Wash”, a Lava-Jato brasileira, no último domingo. A operação foi definida pelo repórter Anderson Cooper, que é também da CNN, como a maior operação contra a corrupção da história brasileira, que colocou em crise toda a política. Cooper teve raro acesso ao cotidiano dos procuradores e do juiz Sergio Moro. 

E ouviu do coordenador da Lava-Jato, o procurador Deltan Dallagnol, que a Lava-Jato é “muito, muito maior” do que o escândalo do Watergate.

Numa rara entrevista, Moro chegou a se comparar com Eliott Ness, do filme “Os Intocáveis”.

Watergate foi o escândalo político ocorrido em 1972 nos Estados Unidos que, ao vir à tona, acabou por culminar com a renúncia do presidente americano Richard Nixon, eleito pelo Partido Republicano. 

Eliott Ness foi um agente do Tesouro Americano famoso por fazer cumprir a Lei Seca na Chicago dos anos 20 e 30. Acabou liderando a força-tarefa que prendeu o gângster Al Capone, em 1931.

Indagado por Cooper sobre o que sentiu com as informações recebidas de Paulo Roberto Costa, o primeiro diretor da Petrobras a ser preso e delatar, Moro disse, com um sorriso no rosto, que “era um caminho sem volta”.

“Caminho sem volta”?, pergunta Cooper.

“Sim, como naquele filme, ‘Os Intocáveis’”, responde Moro.

Aí o “60 minutes” mostra uma cena em que os personagens de Sean Connery e Kevin Costner, Eliot Ness, falam sobre “um caminho sem volta” na perseguição a Al Capone no filme “Os Intocáveis”, do diretor Brian de Palma, de 1987.

Diz Sean Connery no filme: ‘Se você passar por aquela porta, você estará caminhando para um mundo de problemas e não há como voltar atrás. Você entende isso’?
Kevin Costner (carregando uma arma) diz: Sim, eu entendo.

“Você assistiu aos Intocáveis”?, pergunta Cooper.

“É um grande filme”, continua Moro, descrito na matéria como um “folk hero” (herói popular).

Ao comparar a Lava-Jato com Watergate, Deltan fala que a Lava-Jato já processou mais de 200 pessoas por centenas de crimes, cuja propina circulante chega a “cerca de US$ 2 bilhões”. Cooper pergunta mais de uma vez se Deltan acha que a Lava-Jato é maior que Watergate.

“Muito maior”, insiste o procurador. Anderson Cooper define o grupo de jovens procuradores como “idealista”, e Moro como “juiz numa cruzada”.

O programa traz uma entrevista com a ex-presidente Dilma Rousseff cujo impeachment, segundo Cooper, foi influenciado pela Car Wash. Cooper questiona a presidente, dizendo que para muitas pessoas é difícil acreditar que ela desconhecia os escândalos.

“Deixa eu dizer para você, eu não sabia”.

Moro finaliza dizendo que é “nossa responsabilidade” não deixar a Lava-Jato acabar. 

“Temos que lidar com o problema (da corrupção). E lidando com isso acho que temos um país melhor”.

O programa foi ao ar no último domingo à noite, e a versão completa da entrevista, em inglês, está no site da CBS.



A força-tarefa durante a entrevista para o programa americano - Reprodução CBS


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