domingo, 21 de maio de 2017

‘Lava Jato será régua de corte’, diz o publicitário Daniel Braga, assessor de Doria

Carla Araújo e Caio Junqueira, O Estado de S.Paulo


Segundo publicitário, monitoramento de redes sociais 

aponta a influência da operação nas eleições de 2018



DANIEL BRAGA
O publicitário Daniel Braga Foto: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO


Responsável pela estratégia de redes sociais do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), e há dois meses contratado por uma das agências que prestam serviço de comunicação para o Palácio do Planalto, o publicitário Daniel Braga, 40 anos, disse ao Estado que a Operação Lava Jato será a “régua” nas eleições de 2018.
Qual perfil é favorito para as eleições de 2018?
O monitoramento de redes sociais diz que a população pede renovação, nomes novos. Não quer aventureiros, mas pessoas com experiência. Um gestor e que não seja da velha política. E mostra que vai ter uma régua muito clara na eleição de 2018 e se chama Lava Jato.
Doria seria o mais competitivo?
A leitura é que o João (Doria) consegue entregar tudo aquilo que as pessoas queriam ter.
O que precisaria para ele ser candidato a presidente em 2018?
Tem dois fatores que, somados e não separados, poderiam fazê-lo pensar. Um é a população da cidade de São Paulo pedir para o João sair candidato a presidente. O outro seria o governador Geraldo Alckmin falar que esse é um bom caminho para o próprio Geraldo.
Ele tem 13% nas pesquisas. É possível vencer?
Eu gosto de ouvir que ele tem 13% nas pesquisas porque, quando a gente começou a campanha em São Paulo, ele só estava com 3% e ganhou no 1.º turno com 53,5%. Fez uma campanha vitoriosa para 27 mil filiados do PSDB nas prévias e diziam que não ia conseguir transportar para 8 milhões de habitantes. Está feito. De 8 milhões em 8 milhões a gente chega a 200 milhões.
Mas dá para transpor a estratégia para uma eleição nacional?
Sem dúvida. Tem um partido grande, com uma capilaridade enorme como o PSDB. Tem uma defesa orgânica muito grande do João hoje nas redes sociais. Dos 2,7 milhões de seguidores dele no Facebook, só 700 mil são paulistanos. O resto é espalhado pelo Brasil. Se entrar no Instagram, tem João Doria no Nordeste. Tudo isso é orgânico. A gente não criou nada. Ele é o maior influenciador do mundo em língua portuguesa do Facebook com um celular apenas. É conhecido por 74% dos municípios por causa da rede social. Uma campanha nacional é proporcionalmente igual. Eu fiz uma campanha no município com x. O orçamento nacional é, por exemplo, 8x, a gente vai fazer com 8x.
Como?
A espinha dorsal do meu trabalho é uma ferramenta de monitoramento de redes sociais que afere a relevância e o sentimento dos temas que quero abordar. Monitoramento de rede é o futuro do marketing político.
O que esse monitoramento aponta sobre os presidenciáveis?
Lula tem uma relevância, mas bem menos expressiva do que já teve. Tem recall, não tem intenção de votos. A mesma coisa a Marina (Silva). Tem recall. Mas ela ficou muito tempo em silêncio e é cobrada por isso. (Jair) Bolsonaro consegue expressar muito o que um lado da população, principalmente os jovens, quer ouvir e isso faz com que ele tenha alcance.
E os tucanos?
Aécio (Neves) está sumido nas redes. Quando você some permite que as menções negativas predominem. É isso o que está acontecendo. Quanto ao Alckmin, as realizações são bem avaliadas. Por outro lado, tendo quatro mandatos de governador, é natural que haja um desgaste para a imagem.
Você está se preparando para 2018?
Tem duas coisas que estou montando para 2018. Uma é a leitura do sentimento da população. A outra é um software que aponta soma de audiência e engajamento. Vamos juntar pessoas que têm afinidades e sugerir conteúdo para as redes delas que, com um clique, ela vai conseguir interagir com o conteúdo. Esse software vai disponibilizar conteúdos relevantes para que as pessoas compartilhem. Acreditamos que uma informação que hoje leva dois ou três dias para atingir o pico de audiência vai bater esse pico em 3 horas.

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