quinta-feira, 18 de maio de 2017

Especulação de nomes pós-Temer inclui Cármen Lúcia e Meirelles

Alan Marques/Folhapress
Cármen Lúcia se reúne com presidentes dos tribunais de Justiça dos estados, Henrique Meirelles (Fazenda) e Gilmar Mendes (TSE)
Cármen Lúcia, presidente do STF, em reunião com o ministro Henrique Meirelles (Fazenda)


Igor Gielow - Folha de São Paulo

Com a deterioração dramática das condições de Michel Temer de permanecer à frente da Presidência, forças políticas aliadas ao governo estudam nomes e cenários possíveis. Emergem como eventuais substitutos de Temer numa eleição indireta Cármen Lúcia (STF) e Henrique Meirelles (Fazenda).

A ressalva óbvia é a incerteza brutal. Na noite de quarta (17), um interlocutor de Temer ouviu o presidente dizer que "não sairia de jeito nenhum" do cargo devido ao escândalo gravação da JBS.

Nesta manhã, esse mesmo político disse "não ter certeza se isso se manteria" com o nervosismo previsível do mercado financeiro e o bombardeio contínuo com a operação destruiu o que sobrou da imagem do principal fiador do pacto PSDB-PMDB, o senador afastado Aécio Neves.

Com isso, surgem com mais frequência dois nomes para a eventualidade da renúncia ou cassação de Temer, algo que poderá ocorrer no Tribunal Superior Eleitoral.

O primeiro é o da ministra Cármen, presidente do STF e que tem conversado ativamente com representantes do alto empresariado e políticos nos últimos meses. Mineira, silenciosa, ela já mostrou que pode jogar além dos limites institucionais estreitos em episódios como no apaziguamento de um Renan Calheiros que havia desobedecido à Justiça, por exemplo.

A vantagem óbvia: é um nome do "partido da toga", magistrada associada à lisura em tempos de Lava Jato, uma raridade. Desvantagem incerta: qual seria a posição dela em relação às reformas que, se são impopulares, são consenso nesta mesma elite político-econômica que a apoiaria. Isso gera resistência a seu nome, em especial no abalroado PSDB.

Aqui entra um segundo nome especulado: o do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Em seu favor, ele seria o candidato ideal para o PIB, o "homem das reformas" ou algo do gênero. Seria impopular, talvez como Temer, mas até aí 2018 está na esquina.

O problema para ele é sua associação com a JBS. Tendo sido presidente do conselho da holding que controla o frigorífico e outras empresas de 2012 a 2016, há dúvidas na classe política e entre empresários sobre o que poderia ser dito sobre Meirelles pelos irmãos delatores.

Cabe lembrar que até aqui o ministro só falou à Lava Jato na condição de testemunha de defesa de Luiz Inácio Lula da Silva, e não pesa nada que saiba contra ele. Meirelles tem ótimo trânsito empresarial e já foi do PSDB, estando hoje no PSD de Gilberto Kassab.

Outros nomes nos últimos dias, antes do agravamento da crise, eram os do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e do ex-ministro Nelson Jobim (PMDB). Nenhum deles, contudo, parece estar no páreo.

Todos esses cenários descontam a demanda por um pleito direto. Para tanto, seria necessária a aprovação de uma emenda constitucional, algo improvável na turbulência congressual atual. Fora que os parlamentares, muitos deles enrolados na Lava Jato, não vão querer abrir mão de manter algum controle sobre o processo político.

O fator que pode mudar isso é a chamada rua: se saírem do gueto do "Fora, Temer" de sindicatos e movimentos à esquerda, os gritos pelas "Diretas Já" podem ecoar no Congresso. Até aqui, contudo, isso não se materializou, apesar de aqui e ali surgirem chamamentos de líderes do movimento que pediu a cabeça de Dilma Rousseff (PT) em 2016.

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