quinta-feira, 25 de maio de 2017

Descolada da crise política, Bolsa tem alta

Douglas Gavras, Álvaro Campos e Paula Dias - O Estado de S.Paulo


A Bolsa tem registrado leves altas nos últimos pregões desta semana, desde a tempestade da quinta-feira passada, após a divulgação de que o presidente Michel Temer havia sido gravado em conversa com o empresário Joesley Batista, do grupo JBS. Nesta quarta-feira, 24, o mercado fechou em alta de 0,95%, aos 63.257 pontos. 
Em um primeiro momento, o comportamento do mercado surpreendeu os analistas. Eles esperavam que as incertezas que circundam o futuro de Temer e sobre quem pode vir a substituir o presidente estressariam mais os investidores. 
Ibovespa
A moeda americana à vista encerrou a quarta-feira com uma alta de 0,45%, cotada a R$ 3,2803 Foto: Estadão
A avaliação atual, no entanto, é a de que realmente sobram dúvidas sobre quem comandará o País até 2018 e a Bolsa ainda pode ter dias de alta volatilidade, mas o mercado parece acreditar que as políticas econômicas implementadas pelo governo após o impeachment de Dilma Rousseff são maiores que o presidente e elas deverão continuar com ou sem Temer.
“Os investidores estão avaliando que uma eventual saída do presidente Temer não significa mudança de rumo na política econômica e continuam mantidas chances razoáveis de reformas, como a trabalhista e a da Previdência, avançarem. Não há ruptura precificada, e o mercado também não acredita que será possível o Brasil ter uma eleição direta antes de 2018”, analisa Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central e sócio da Tendências Consultoria.
Para o economista, o mais importante para que se evite uma nova queda da Bolsa é o País sinalizar que a política econômica ficará como está, independentemente de o Planalto ter um novo ocupante. “A principal aposta é que Temer sairá e será substituído por alguém que dê continuidade à política reformista e evite a reedição de algo parecido com a nova matriz econômica dos anos anteriores. Se o presidente ficar no poder, enfraquecido, será muito ruim para o País.”
Continuidade. A economista Zeina Latif, da XP Investimentos, avalia que o mercado está volátil, mas comportado, porque o pano de fundo é que há uma boa chance de que o próximo presidente tenha as condições políticas, que Michel Temer perdeu, para avançar na agenda de reformas. 
“É verdade que os últimos dias têm sido de ganhos na Bolsa, isso também me surpreende, mas faz parte da forma como o mercado funciona e não podemos descartar uma nova queda profunda. Só que o mercado também se nutre de informações de que há bons nomes para substituir o presidente e que o desfecho da crise pode não levar tanto tempo. O que está ocorrendo é um movimento pendular e ainda é cedo para dizer que o comportamento recente da Bolsa deve se manter.” 
Ela também aponta que os operadores têm percebido um aumento de procura de investidores estrangeiros, pelos preços baixos dos ativos nacionais. 
Para André Perfeito, da Gradual Investimentos, a aprovação da reforma da Previdência pode ter ficado mais distante, mas isso não é necessariamente ruim. “Parece mais provável que aconteça depois de 2018. Mas, se Meirelles ficar na Fazenda, ele deverá entregar o País crescendo e pode se credenciar para ganhar as eleições do ano que vem.”
Ontem, o dólar teve uma sessão bastante volátil. No período da tarde, os principais combustíveis para a oscilação foram a ata da última reunião do Federal Reserve, o banco central americano, e os protestos que terminaram em violência em Brasília. 
A moeda americana à vista encerrou a quarta-feira com uma alta de 0,45%, cotada a R$ 3,2803. 

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