domingo, 21 de maio de 2017

‘A inovação vem, mas requer algumas tentativas’

Claudia Tozetto - O Estado de S. Paulo


Como surgiu a ideia de criar o Google Home?
Produtos novos nunca saem de uma única ideia. Nós já tínhamos desenvolvido o Chromecast e a tendência dos assistentes pessoais começou a ganhar força. São diferentes ideias que surgiram e pensamos que poderiam se unir em um produto.
A Amazon já havia inaugurado essa categoria de produtos com o Echo. Por que decidiram competir nesse segmento?
Nós pensamos que poderíamos fazer melhor, pela nossa experiência com música e nosso assistente pessoal. A gente já responde muitas perguntas na busca, então por que não levar essa capacidade para um auto falante inteligente?
O Google Assistant estará em todos os dispositivos da marca? Poderemos usá-lo para controlar o Chromecast no futuro?
Nós queremos trazer esse recurso de interação por voz para todos os produtos que fazem sentido. Ele tem um poder muito grande de trazer pessoas que não se sentem confortáveis a usar computadores e tecnologia em geral. O Google Home permitiu que crianças de 3 anos fizessem buscas no Google, assim como pessoas de 80 anos. A intenção de agregar inteligência artificial a esses produtos é essa: tornar a vida das pessoas mais fácil.
Por que depois do Glass, o Google ainda não lançou nenhum vestível próprio?
Estamos escolhendo com muita cautela em quais categorias de produtos vamos entrar com a marca do Google. Olhamos para áreas onde podemos trazer produtos bonitos, rápidos e simples, mas com uma interação simbiótica com software para que o Google traga um diferencial, como o assistente pessoal.
Além da falta do Assistant em português, há outros entraves para lançar o Home no Brasil?
Não existem grandes entraves. Mas além da homologação, existe a localização. E ela é muito mais do que só o assistente: tem a caixa, a distribuição dos produtos, os acordos com os varejistas. A soma desses detalhes precisa ser feita com cautela. Mas, aos poucos, vamos levar os produtos do Google a mais países e o Brasil é importante para nós.
No Google, o que o sr. aprendeu de mais importante?
Acho que o mais importante é aprender em toda a fase. No passado, eu trabalhei no projeto da Google TV e esse conhecimento foi usado para criar o Chromecast. Então, o que eu sempre tento fazer é construir em cima daquilo que eu aprendi. Mesmo que um projeto não tenha muito êxito, temos de pensar no que é possível tirar de bom para a próxima inovação. Porque ela vem, mas, às vezes, requer umas duas ou três tentativas./C.T.

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