terça-feira, 18 de abril de 2017

Marqueteiros confirmam caixa 2 intermediado por Palocci, comparsa da dupla corrupta Lula-Dilma


Mônica Moura e João Santana - Geraldo Bubniak/ 01-08-2016 / Agência O Globo




Em depoimento a Moro, casal diz que negociou pagamentos feitos pela Odebrecht com o ex-ministro


O marqueteiro João Santana e sua mulher e sócia, Mônica Moura, confirmaram ao juiz Sérgio Moro a interlocução do ex-ministro Antonio Palocci para pagamentos de caixa 2 nas campanhas do PT. Em depoimento a Moro na tarde desta terça-feira em Curitiba, Mônica disse que negociou com o ex-ministro os valores não contabilizados a serem pagos na reeleição do ex-presidente Lula, em 2006, e na eleição da ex-presidente Dilma Rousseff em 2010.

Mônica disse ainda que Palocci pedia que parte dos pagamentos feitos “por fora” fossem realizados pela Odebrecht:

— O meu interlocutor para discutir valores e negociar campanha sempre foi o Palocci. Depois que o Palocci acertava comigo o valor da campanha, ele me dizia: ‘então, vai ser pago x por dentro, isso você acerta com o tesoureiro. E essa parte por fora, o partido vai pagar tanto, e a Odebrecht vai colaborar com tanto’. E ele me dizia: ‘vai lá e acerte com eles (Odebrecht), como você quer’ — afirmou Mônica, que cuidava da parte financeira das campanhas da empresa de Santana.

Ela contou também que procurava Palocci quando os repasses de caixa 2 demoravam a ser feitos pela Odebrecht:


— Quando dava algum problema eu procurava o Palocci para reclamar. Porque sempre atrasava muito.

Mônica e o marqueteiro são réus junto com Palocci e o empreiteiro Marcelo Odebrecht numa ação penal que investiga a atuação do ministro em decisões de governo para favorecer a empresa. Na denúncia, o MPF diz que o casal teria recebido recursos de caixa 2 da empreiteira para campanhas eleitorais do PT.

Em seu depoimento, o marqueteiro refez ao juiz Sérgio Moro todo o roteiro que o levou a comandar o marketing político e eleitoral do PT desde a crise do mensalão, em 2005. Segundo Santana, o então ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência nos governos Lula, Gilberto Carvalho, o convidou para uma visita ao Palácio do Planalto em meio ao escândalo.

— Cheguei e encontrei ele (Lula) muito fragilizado e ele me convidou, (perguntou) se eu podia ajudá-lo. Ele, nesse momento, disse: ‘Qualquer detalhe mais burocrático, depois o Palocci conversa com você’ — afirmou o marqueteiro.

A conversa com o ex-ministro Antonio Palocci ocorreu após o encontro com Lula. Palocci indicou que o convite seria praticamente um acerto para que o marqueteiro comandasse a campanha de reeleição de Lula no ano seguinte, 2006. Na ocasião, o marqueteiro disse ter sugerido a Palocci que não se repetisse o mesmo erro de financiamento ilegal de campanha que causou o escândalo do Mmnsalão. Meses depois, em outra conversa com o Palocci, o ministro teria avisado a Santana que a campanha teria que usar recursos de caixa 2.

— Em maio de 2006, ele conversa comigo e diz: 'Olha, infelizmente não vai poder ser tudo com recurso contabilizado por causa das dificuldades naturais, por causa da cultura existente, mas nós temos uma empresa que dá total garantia à realização para fazer o pagamento' — contou João Santana.

A empresa citada por Palocci, segundo o marqueteiro, era a Odebrecht.

Já na ocasião, Palocci questionou se João Santana possuía contas no exterior. Além disso, o marqueteiro contou ao juiz Sérgio Moro que Palocci era o interlocutor que procurava em casos de atrasos nos pagamentos de recursos não-contabilizados pela campanha. Questionado pelo juiz se não questionava o motivo para o uso de pagamentos não-contabilizados, João Santana respondeu que a resposta que ouvia indicava as empresas como maiores interessadas no caixa 2.

— O que era dito era o óbvio. Os financiadores não querem fazer dessa maneira, nós não temos como fabricar dinheiro. Existe uma cultura, existe uma doutrina de senso comum e o caixa 2 existe dessa maneira, então é impossível lhe pagar. Se o senhor não puder receber assim, a gente não pode fazer a campanha com você. Eu exercia mais uma pressão para diminuir o montante por fora — disse.

Em seu depoimento, João Santana afirmou que, à época, também não imaginava a escala do esquema de corrupção que financiava os recursos pagos pela Odebrecht.

— Quando o próprio Palocci veio me dizer que a Odebrecht era a empresa que dava segurança eu, candidamente, singelamente, imaginava que a Odebrecht só pagasse, pelo menos na minha área, para mim. Hoje eu vejo que até mesmo na minha área vários marqueteiros receberam assim. Alguns já apareceram e pode ser que apareçam muito mais — disse.

SISTEMA ELEITORAL CORRUPTO E NEGATIVO

Ao final de seu depoimento, João Santana pediu a Sérgio Moro para aprofundar pergunta do juiz, sobre como ele aceitava conviver com pagamentos ilegais de campanha.

O marqueteiro disse acreditar que "nossas contradições constroem nossa armadilha, e nosso cérebro ajuda a amenizar nossas contradições".

— Mesmo sendo uma pessoa organicamente a favor das coisas bem feitas, legais e honestas, criei um duplo estudo em minha cabeça. Um, social, externo, que era doutrina de senso comum do caixa 2, de que (sem ele) não se faz campanha. E outro, interno, que era: recebo por um trabalho honesto que estou fazendo - disse o marqueteiro petista.

Santana continuou:

— Construí esse equívoco para mim mesmo, sem perceber que ao fazer isso, eu estava sendo cúmplice de um sistema eleitoral corrupto e negativo. Não estou aqui demagogicamente dizendo que eu não tinha culpa, que só fui vítima disso. Não. Eu fui agente disso — disse Santana, afirmando considerar a pergunta do juiz "simples de ser formulada, mas muito difícil de ser respondida, por essa complexidade".

Para o marqueteiro, é o momento é propício para que haja "mais transparência" no que diz respeito ao marketing político.

— Não que os grandes responsáveis sejam os marqueteiros. Mas eu acho que é o momento dos próprios marqueteiros abrirem os olhos sobre isso e da Justiça também. Porque eu assumo toda minha susceptibilidade, não como vítima. Mas fica difícil assumir minha culpa e virar um anti-exemplo individualmente — afirmou o marqueteiro, dizendo-se "disposto a colaborar" com a mudança neste quadro.

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