domingo, 16 de abril de 2017

Líder do PT, Zarattini ofereceu ajuda à Odebrecht em troca de recursos para campanha, dizem delatores


Deputado Carlos Zarattini (PT-SP) é acusado em delação de diretor da Odebrecht - Ailton de Freitas / Agência O Globo


Amanda Almeida - O Globo


Carlos Zarattini ajudou na venda do Parque da Cidade ao fundo de pensão do Banco do Brasil


Líder do PT na Câmara, o deputado Carlos Zarattini (SP) é acusado por três delatores de oferecer ajuda para destravar negócio da Odebrecht Realizações Imobiliárias, a OR, em São Paulo, em troca de “colaboração” para campanha eleitoral. Segundo o empresário Marcelo Odebrecht, ele e o ex-deputado pelo PT Cândido Vaccarezza (hoje no PTB) receberam “R$ 4 milhões ou R$ 5 milhões” pela ajuda na venda do Parque da Cidade, na Zona Sul da capital paulista, à Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil.

O diretor-superintendente da OR em São Paulo, Paulo Melo, também delator, relata que a iniciativa partiu dos políticos. Ele diz que foi abordado pelos dois parlamentares e pelo deputado João Bacelar (PR-BA), também alvo de inquérito, que, ao saberem das negociações entre a empresa e a Previ, disseram que podiam ajudar. Melo diz que a OR não lidava com políticos e que o pedido de contribuição foi repassado à construtora Odebrecht. Além dele, Marcelo e o presidente da OR, Paul Altit, falam sobre a atuação de Zarattini e Vaccarezza em suas delações.

Marcelo diz aos procuradores que os recursos para os deputados foram descontados de um “crédito” de R$ 27 milhões do PT com a empresa. Esse montante refere-se, na planilha do empresário, a pagamento pela influência de Guido Mantega, então ministro da Fazenda, no destravamento do mesmo negócio: a venda do Parque da Cidade à Previ, tratado pela OR como o maior empreendimento imobiliário da história da empresa.

Paulo Melo, o delator que dá mais detalhes sobre o negócio, relata, inclusive, que técnicos da Previ haviam dito que não seria necessária “ingerência política” para o fechamento do negócio, cujas tratativas duraram dois anos. Mas, nesse período, o presidente da Previ mudou e as articulações começaram a travar. Só desenrolaram, segundo ele, depois de uma conversa de Marcelo Odebrecht com Mantega. O delator coloca em xeque o poder de influência dos políticos

“Nós tínhamos muita dúvida se eles (os deputados) podiam ajudar ou não. Até pela forma da governança da Previ. A Previ tem uma diretoria que metade dos membros é indicada pelo banco e metade é indicada pelos contribuintes da Previ. E tem um conselho que também é composto assim. Então, a gente achava que eles estavam vendendo uma coisa que eles não poderiam entregar no futuro”, diz Melo.

O negócio foi fechado por pouco mais de R$ 800 milhões. O complexo fica às margens do Rio Pinheiros e ainda não foi inaugurado. Os três delatores não deixam claro de que forma o pagamento foi feito.

Zarattini também é acusado de receber R$ 50 mil da Odebrecht para campanhas eleitorais, entre agosto e setembro de 2010, em troca de atuação a favor de medidas provisórias. O líder do PT diz que a divulgação dos inquéritos é “irresponsável, midiática e colocou como culpados todos aqueles que tiveram seus nomes citados”. Diz ainda que suas doações de campanha foram legais, declaradas nos órgãos competentes e aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral e que é “absolutamente inocente dessas acusações" e vai "provar isso no processo judicial”.

O caso de Vacarezza, por não ter mais foro privilegiado, foi encaminhado para a Justiça Federal em São Paulo e ao Tribunal de Justiça do estado. Ele diz que “todas as doações da Odebrecht para as minhas campanhas foram legais e declaradas à Justiça Eleitoral”. Bacelar afirma que todas as doações recebidas são legais.



 
 


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