terça-feira, 18 de abril de 2017

Fachin manda fazer pente-fino nas emendas de Bruno Araújo ‘Jujuba’

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Beatriz Bulla - O Estado de São Paulo

Ministro relator da Lava Jato no Supremo quer levantamento das proposições na Câmara do atual ministro das Cidades do governo Temer e também das obras da Odebrecht em PE


Bruno Araújo. Foto: André Dusek/Estadão
Bruno Araújo. Foto: André Dusek/Estadão

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a levantar as obras da Odebrecht ‘no local de origem’ do ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB-PE). A determinação de Fachin alcança ainda todas as emendas parlamentares propostas pelo tucano, no período em que ele estava na Câmara.
Sob codinome ‘Jujuba’, Bruno Araújo recebeu R$ 600 mil não contabilizados da Odebrecht porque era uma ‘aposta’ da empreiteira, segundo o executivo João Pacífico Ferreira, um dos delatores da empreiteira na Operação Lava Jato. O executivo ocupou o cargo de diretor superintendente da área de infraestrutura nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste da empreiteira.
“Bruno Araújo é um político jovem, foi deputado estadual, hoje é deputado federal. Eu conheço ele desde quando ele era adolescente. Tenho relações com a família dele, conheço o pai, irmãos”, contou Ferreira.
“Isso (o repasse) era em função da relação e também de uma aposta que nós fazíamos de que ele viria a ser um político de destaque. Tanto que ele foi. Hoje é ministro de Estado”, afirmou o delator.
A Odebrecht forneceu à Lava Jato informações do Sistema Drousys, a rede de comunicação interna, uma espécie de intranet, dos funcionários do ‘departamento da propina’ da empreiteira, no qual consta os pagamentos a Bruno Araújo em 2010. O documento ainda traz a indicação do codinome ‘Jujuba’.
O ministro aparece ainda na planilha ”JP”, de João Pacífico. A tabela aponta o nome de Bruno Araújo como ‘jogador’ – o clube Corinthians se refere ao PSDB e a posição Volante se refere ao cargo de Deputado Federal.
O tucano é um dos oito ministros do presidente Michel Temer que tiveram a instauração de inquérito autorizada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF) com base na delação premiada de executivos e ex-executivos da Odebrecht. Araújo será investigado pelos crimes de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.
COM A PALAVRA, O MINISTRO BRUNO ARAÚJO
ESTADÃO: O ministro conhece João Pacífico Ferreira, que informou ter doado R$ 600 mil às campanhas dele em 2010 e em 2012 (neste caso para o PSDB-PE)?
BRUNO ARAÚJO: Sim, conheço.
ESTADÃO: Quantas vezes e onde se reuniu com João Pacífico?
BRUNO ARAÚJO:
ESTADÃO: Em 2010, a campanha pagou à Exatta R$ 347 mil por pesquisas eleitorais. Por que a empresa dos seus primos foi a escolhida? Quais foram os serviços prestados?
BRUNO ARAÚJO:
ESTADÃO: Em 2014, a campanha do ministro pagou à Exatta R$ 650 mil. Por que os gastos subiram? Quais foram os serviços prestados?
BRUNO ARAÚJO: A prestação de contas da campanha eleitoral foi devidamente aprovada pelo Tribunal Regional Eleitoral. As informações são públicas. A Exatta é, reconhecidamente, uma das principais empresas de pesquisa de Pernambuco, com serviços prestados à vários partidos políticos, dentre outros.
ESTADÃO: Entre 2009 e 2013, enquanto era deputado federal, a cota parlamentar do ministro pagou R$ 102 mil à Exatta? Quais foram os serviços prestados?
BRUNO ARAÚJO: Todos os serviços prestados pela empresa de pesquisa foram apresentados na prestação de contas à Câmara dos Deputados, conforme legislação pertinente.

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