segunda-feira, 17 de abril de 2017

"De volta ao Carnegie Hall", por Ruy Castro

Reprodução
Tom Jobim se apresenta no Carnegie Hall, em Nova York
Tom Jobim se apresenta no Carnegie Hall, em Nova York


Folha de São Paulo

Boa ideia, a de um novo concerto de bossa nova no Carnegie Hall, em Nova York, celebrando os 55 anos do concerto que, em novembro de 1962, acabou de implantá-la nos EUA. Tão boa, aliás, que se pensou nisso no 30º, 40º e 50º aniversário do espetáculo, sem resultado –pena, porque, em 1992, Tom Jobim e Luiz Bonfá ainda teriam participado.

Do show original, além de Tom e Bonfá, já se foram os cantores Agostinho dos Santos, Chico Feitosa, Ana Lúcia e Caetano Zama, o pianista Oscar Castro Neves, o saxofonista Paulo Moura, o guitarrista Durval Ferreira e os bateristas Milton Banana e Dom-Um. Continuam entre nós Carlos Lyra (83 anos), Roberto Menescal (79) e Sergio Ricardo (84), o cantor Normando Santos (84), Sergio Mendes (76), o contrabaixista Otavio Bailly (78), o trompetista Pedro Paulo (78) e, claro, João Gilberto (85). Todos, quero crer, estarão lá de novo, nem que seja na plateia.

Em 1962, meses antes do Carnegie Hall, a bossa nova já chamara a atenção de muita gente boa. O flautista Herbie Mann viera ao Rio em abril e gravara um disco inteiro com Jobim, Baden Powell e o pessoal do Beco das Garrafas.

Na mesma época, em Nova York, Miles Davis estava gravando "Corcovado", mas o disco só seria lançado depois do estouro de Stan Getz e Charlie Byrd com "Desafinado". Ou seja, em novembro, a bossa nova já estava pronta para explodir no Carnegie.

Quem talvez não estivesse eram alguns dos astros do show, jovens que, acredite, ainda moravam com a mãe. O próprio Tom, 35 anos, esqueceu a letra de "Samba de uma Nota Só". Mesmo assim, a bossa nova arrebentou.

Mas imagine se, naquela noite, tivessem subido ao palco os safos e escolados Sylvia Telles, Johnny Alf, João Donato, Claudette Soares, Alayde Costa, Baden Powell, Tamba Trio, Bossa Três, Os Cariocas...

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