'Hermanos' no Rio dizem que a cidade agora é a capital da Argentina
Giselle Ouchana - Veja
Clima de festa é cada vez maior entre argentinos na capital fluminense
Torcedores argentinos lotam bar na Rua Bolívar, no "Baixo Copacabana" - Fernando Quevedo / Agência O Globo
A festa argentina não para na madrugada carioca. Apesar da chuva que caía no Rio, os bares da Lapa e de Copacabana tinham considerável concentração da torcida nesta sexta-feira. Se a possibilidade de um tricampeonato é motivo de felicidade para os "hermanos", o vexame brasileiro contra a Alemanha é razão para chacota, que aumenta ainda mais por estarem se sentindo traídos. Para os argentinos, os brasileiros deveriam estar na torcida por eles.
— Em todas as finais que o Brasil jogou contra time europeu, nós torcemos por ele. Na nossa vez, os brasileiros estão a favor de um time que cravou sete gols contra eles. É incompreensível — disse Leandro Paez, de 32 anos, enquanto curtia a noite na Lapa.
Rodeado de amigos, Paez destacou a felicidade de poder participar da final do Mundial no Brasil.
— Estamos muito felizes por estar na final aqui no Brasil. Vai ser uma partida fácil, pois a Alemanha não jogou contra times bons e venceu a seleção brasileira, que é a pior dos últimos tempos — acrescentou, empolgado, chutando o placar de 1 a 0 na final contra os alemães.
O histórico de partidas contra a Alemanha em mundiais aumenta a expectativa dos sul-americanos, que querem uma revanche histórica.
— Viemos de outras derrotas contra a Alemanha, e chegar à final contra eles é mais um motivo para querer ganhar. Ficaremos ainda mais felizes se conseguirmos — ressaltou German Vidal, em meio a euforia de outros argentinos.
RIO É BUENOS AIRES
Para o grupo de amigos argentinos, os brasileiros deveriam estar na torcida pelos 'hermanos' - Fernando Quevedo / Agência O Globo
Em Copacabana, há quem diga que o Rio de Janeiro virou a capital argentina. "Buenos Aires está aqui", gritavam os amigos em um bar na Rua Bolívar.
— É uma experiência incrível. É uma final completamente histórica. Nota-se de longe a paixão e a união dos argentinos — ressaltou Martín Bugnard, de 21 anos.
A empolgação dos hermanos acaba prejudicando o sono da vizinhança. Em Copacabana, alguns moradores preferem aproveitar a noite junto aos argentinos. É o caso do publicitário Igor Egypto, de 30 anos.
— Essa agitação atrapalha um pouco o nosso sono. É chato. Mas, ao ver a felicidade deles, acaba nos contagiando. O barulho é ruim, mas o clima é bom — afirmou, contando que hospeda vários amigos argentinos em casa.