Blog Reinaldo Azevedo -Veja
Alô, oposicionistas brasileiros! Jornal do Partido Comunista de Cuba confirma que Dilma quer forçar empresas farmacêuticas brasileiras a produzir em Cuba. PT quer cortar empregos aqui e gerar empregos lá; trata-se de mais uma ameaça aos genéricos
Vocês se lembram que denunciei
aqui, no dia 4 de junho, que o governo Dilma está
pressionando a indústria farmacêutica brasileira a abrir fábricas em Cuba para a
produção de biossimilares, que seriam exportados para a América Latina e Caribe,
inclusive o Brasil? Sim, brasileiras e brasileiros, a petezada que comanda o
país quer gerar empregos em Cuba, o que certamente desempregará brasileiros;
quer gerar divisas para Cuba, o que certamente será ruim para a balança
comercial brasileira; quer dar velocidade, em suma, ao PAC, o Programa de
Aceleração de… Cuba!
A repórter Talita Fernandes, da
VEJA.com, foi atrás da história. O Planalto, claro!, nega que esteja fazendo
essa ursada com os brasileiros, mas, oh surpresa!, o Granma, o jornal do Partido
Comunista — é aquele cujo endereço na Internet é “Granma.cu” (sem querer ofender
petistas, é claro!) — confirma. Vejam trecho do artigo. A íntegra está aqui.
Retomo
Em “comunistês”, tudo é uma maravilha, e os dois países
sairão ganhando. Em “verdadês”, o governo petista pressiona a indústria
farmacêutica brasileira a transferir parte de suas plantas industriais para
Cuba. Chegou a hora de a oposição convocar o sr. Arthur Chioro, ministro da
Saúde, e os representantes da indústria farmacêutica para falar no Congresso.
Segue a reportagem da VEJA.com. Volto para encerrar.
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O governo brasileiro mostra-se incansável quando o assunto é colocar-se em maus lençóis em nome de sua simpatia pelo regime dos irmãos Castro, em Cuba. Não bastasse a utilização de quase 700 milhões de dólares em recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a construção do Porto de Mariel, a 45 quilômetros de Havana, a nova empreitada que vem sendo orquestrada pela alta cúpula prevê, conforme revelou o colunista do site de VEJA Reinaldo Azevedo, a ida de empresas farmacêuticas brasileiras para produzir medicamentos em solo cubano. A estratégia é tentar rentabilizar a zona portuária por meio da exportação de remédios produzidos em parceria entre estatais cubanas e empresas brasileiras — em especial fabricantes de genéricos e biossimilares. Desde a inauguração da primeira fase do terminal de contêineres do porto, em janeiro, o governo vem travando uma ofensiva velada para levar executivos a Cuba para participar de grupos de trabalho.
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O governo brasileiro mostra-se incansável quando o assunto é colocar-se em maus lençóis em nome de sua simpatia pelo regime dos irmãos Castro, em Cuba. Não bastasse a utilização de quase 700 milhões de dólares em recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a construção do Porto de Mariel, a 45 quilômetros de Havana, a nova empreitada que vem sendo orquestrada pela alta cúpula prevê, conforme revelou o colunista do site de VEJA Reinaldo Azevedo, a ida de empresas farmacêuticas brasileiras para produzir medicamentos em solo cubano. A estratégia é tentar rentabilizar a zona portuária por meio da exportação de remédios produzidos em parceria entre estatais cubanas e empresas brasileiras — em especial fabricantes de genéricos e biossimilares. Desde a inauguração da primeira fase do terminal de contêineres do porto, em janeiro, o governo vem travando uma ofensiva velada para levar executivos a Cuba para participar de grupos de trabalho.
O alto escalão da República tem atuado,
por assim dizer, como lobista de primeira linha dos irmãos Castro, sem que
qualquer contrapartida benéfica para o Brasil seja posta na mesa. Mas a
estratégia tem encontrado resistência: o alto custo de instalação de indústrias
na ilha e as dificuldades de exportação de produtos, devido ao embargo
econômico, tornam a empreitada economicamente inviável. Além disso, a razão de o
governo demandar investimentos em Cuba, e não no Brasil, está cercada de pontos
nebulosos. Afinal, costurar acordos com outros países com o objetivo de
estimular a indústria nacional é agenda mais que bem-vinda para o país. Contudo,
não há lógica que justifique lançar mão do mesmo expediente para criar (mais um)
pacote de bondades para Cuba.
Em janeiro, a presidente Dilma Rousseff, o então ministro
da Saúde, Alexandre Padilha, e seu sucessor, Arthur Chioro — que está à frente
da pasta desde que Padilha saiu para candidatar-se ao governo paulista pelo PT —
convidaram empresários do setor farmacêutico, que ouviram da própria presidente
a intenção do governo de levar empresas brasileiras para se instalar na Zona
Especial do Porto de Mariel e desenvolver a economia local. A estratégia é
construída com base no argumento das vantagens tributárias e alfandegárias da
Zona Especial. Contudo, mesmo com todos os incentivos, empresários ouvidos pelo
site de VEJA se mostraram céticos.
Inviabilidade
econômica
Os convites vêm confundindo o empresariado porque contrariam o próprio plano que o governo brasileiro tem para o setor farmacêutico. “Não faz o menor sentido, pois o Brasil já tem uma estratégia bem desenhada para o setor, que é de estimular a indústria nacional por meio das próprias compras governamentais. O plano para Cuba vai contra a própria política industrial”, diz Dante Alário Junior, sócio e responsável pela área de pesquisa e desenvolvimento e inovação da Biolab. Sua empresa já recebeu vários convites para participar de eventos promovidos pelo governo brasileiro em Cuba e investir na ilha — o último deles ocorreu no início de junho — mas não tem interesse na empreitada porque já investe num projeto de internacionalização nos Estados Unidos. “Cuba foi descartada porque não temos condições de investir também lá. Não faz sentido para a empresa”, afirma.
Outro executivo do setor ouvido pelo site de VEJA, que
prefere não ter seu nome revelado, afirmou que os empresários se mantêm
descrentes em relação à viabilidade dos investimentos. “O setor farmacêutico
sempre foi cético com a possibilidade de Cuba suprir um negócio que exige alta
tecnologia”, disse. Parte do pessimismo deve-se também ao fato de as empresas
brasileiras já estarem firmando acordo com multinacionais de outros países para
produzir medicamentos (em especial os biossimilares), sobretudo americanas e
europeias. O embargo econômico a Cuba anula a viabilidade, diz o executivo,
porque impede que tais empresas consigam exportar os medicamentos produzidos na
ilha para mercados consumidores importantes, como Estados Unidos e México, que
têm proximidade geográfica.
As farmacêuticas vêm sendo procuradas há mais de um ano
para realizar investimentos em Cuba. Num primeiro momento, o contato foi
estabelecido por intermédio da Odebrecht, responsável pela construção do porto
cubano. Em 2014, o governo passou a fazer os convites, excluindo da lista as
empresas associadas à Interfarma, que são essencialmente estrangeiras. Procurada
pela reportagem, a Odebrecht disse que “apoia o acordo bilateral entre Brasil e
Cuba no desenvolvimento de medicamentos”. A companhia, inclusive, assinou um
Memorando de Entendimentos com a farmacêutica cubana Cimab para a criação de uma
joint-venture na ilha. Contudo, o acordo nunca saiu do papel.
Mesmo sem um interesse claro em investir na ilha, as
empresas são alvo de tamanha insistência do governo — em especial do Ministério
da Saúde e do Desenvolvimento — que não ousam declinar totalmente as ofertas de
negócios. “As que foram a Cuba quiseram atender a um pedido da Presidência. É
muito difícil não ir”, disse o médico e deputado federal Eleuses Paiva (PSD-SP),
que está ciente das conversas no Ministério da Saúde. “Agora, se as indústrias
forem se instalar, é porque o governo está montando situações econômicas
fantásticas”, disse o deputado. “A indústria de genéricos acabou de construir um
parque nacional. É tudo recente demais para ir a Cuba”, disse.
De Brasília a Havana
A última reunião realizada em Cuba ocorreu nos dias 5 e 6 de junho, liderada pelo Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha. O encontro contou também com a participação de executivos da Eurofarma, da PróGenéricos (Associação dos produtores de medicamentos genéricos) e de representantes da Fiocruz e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Procuradas, as empresas participantes negaram que o encontro tenha sido realizado com o objetivo de levar as farmacêuticas a se instalarem em Cuba. Contudo, a pauta do encontro, à qual o site de VEJA teve acesso, mencionava a discussão de “investimentos no Porto de Mariel”.
Comandante da missão, Carlos Gadelha é um dos nomes do
Ministério da Saúde citados nos escândalos da Operação Lava-Jato. Conduzida pela
Polícia Federal, a Operação desmontou um esquema bilionário de lavagem de
dinheiro orquestrado pelo doleiro Alberto Youssef, preso desde março e pivô dos
escândalos. O laboratório comandado pelo doleiro, o Labogen, é apontado pela
Polícia Federal como o carro-chefe do esquema de lavagem de dinheiro. Durante as
investigações, a PF interceptou conversa telefônica entre o empresário Pedro
Argese e Youssef, relacionadas à assinatura de parcerias entre o Ministério da
Saúde e empresas privadas. Em um dos trechos, Argese comenta ter conversado com
Gadelha. De acordo com a transcrição, divulgada pelo jornal O Estado de S.
Paulo, o secretário teria prometido dar todo o apoio possível para a retomada do
Labogen.
O Ministério da Saúde nega que o governo brasileiro
queira incentivar a instalação de empresas farmacêuticas em Cuba. Afirmou que o
encontro de junho teve “por objetivo o monitoramento e avaliação das prioridades
científicas, tecnológicas e de saúde pública para os respectivos países em áreas
como terapia e controle de câncer, terapia celular e neurociências”. Em nota,
afirmou ainda que o país tem cerca de vinte projetos em andamento entre
laboratórios públicos e privados brasileiros com instituições cubanas. “Em
nenhum dos projetos aprovados pelo Comitê, cabe ressaltar, está prevista a
instalação de fábricas brasileiras em Cuba.”
A pasta, contudo, não combinou a resposta com os cubanos.
Artigo extenso do jornal castrista Granma aponta o Brasil como principal
parceiro de Cuba no setor farmacêutico. Diz o texto que uma nova etapa na
cooperação entre os dois países iniciou-se após a visita a Havana da presidente
Dilma, em janeiro deste ano. E que a criação de empresas mistas (brasileiras e
cubanas) colocadas na Zona Especial do Porto de Mariel, “utilizando tecnologia
cubana e capital brasileiro”, servirá para incentivar a produção de
biossimilares para “satisfazer as necessidades dos sistemas de saúde de ambos os
países e permitir a exportação conjunta a outros mercados”. O que ainda não está
claro — e o governo se negou a explicar — é a razão de se investir capital dos
contribuintes brasileiros para desenvolver a indústria de outro país. Trata-se,
mais uma vez, de um presente generosíssimo do Brasil ao regime
cubano.
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Encerro
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Encerro
Na sexta, José Serra, criador do programa de genéricos no Brasil, escreveu um artigo na Folha demonstrando como o atual governo ameaça o programa. O que vai acima é outro atentado.
Talvez um dia saibamos direito a natureza das relações
dos petistas com Cuba, além das afinidades ideológicas. A ilha da tirania virou
uma espécie de caixa preta do governo brasileiro. Como não existe transparência
mínima, as informações, o transito de dinheiro brasileiro para Cuba — haverá
também o contrário? — se dá sem nenhum controle. Já houve o financiamento do
Porto de Mariel; há a bolada mensal derivada do “Mais Médicos” e, agora, a
pressão do governo para fazer um setor da indústria brasileira migrar para a
ilha. A troco de quê?
