ESPALHAR: CHEFÃO DO PT PEDE ABERTAMENTE A CABEÇA DE JORNALISTAS NA PÁGINA DO PARTIDO. ESTOU NA LISTA. NÃO SEI O QUE FARÃO OS OUTROS. ESTOU ANUNCIANDO AQUI QUE VOU PROCESSAR O SR. ALBERTO CANTALICE POR CALÚNIA E DIFAMAÇÃO. CABE INDAGAR SE CHEFÃO PETISTA NÃO ESTÁ DANDO UMA ORDEM PARA QUE ESSAS PESSOAS SEJAM AGREDIDAS NAS RUAS. É PRECISO CUIDADO! ELE É DO PARTIDO A QUE PERTENCIA CELSO DANIEL!
Alberto Cantalice, vice-presidente do PT, divulga
no site do partido lista negra de jornalistas. Um assunto para a Justiça e para
a Polícia Federal
Os petistas, saibam os
senhores, pedem a cabeça de jornalistas para seus respectivos patrões. O partido
tem nas mãos instrumentos para fazê-lo: anúncios da administração direta e
propaganda de estatais. Alguns cedem, outros não! Denunciei aqui a fala de um certo José Trajano
na ESPN e AFIRMEI QUE ELE NÃO ESTAVA PENSANDO APENAS POR SUA CABEÇA.
DEIXEI CLARO QUE ELE VOCALIZAVA PALAVRAS DE ORDEM DO PT. Muitos não
acreditaram. Pois é…
A opinião do sr., Trajano sobre mim e sobre os demais que
ele atacou (Augusto Nunes, Diogo Mainardi e Demetrio Magnoli) pode ser
moralmente criminosa, mas não vai além disto: dolo moral. Ele tem o direito de
achar a respeito dos meus textos o que bem entender. E eu tenho o direito de
responder. Se ele se sente bem com o seu oficialismo de contestação, aí é
problema dele.
É diferente, no entanto, quando
um político acusa jornalistas de cometer um crime. Aí a coisa pega. O sr.
Alberto Cantalice, vice-presidente do PT e “coordenador das Redes Sociais do
partido” escreveu um artigo no site do PT em que se
pode ler esta pérola.
Observem que os quatro da lista de Trajano estão também
na de Cantalice, que vem ampliada. Não sei o que farão os outros. Sei o que eu
farei. Estou anunciando aqui que vou processá-lo. E a razão é claríssima. Ele
está me acusando se estimular a que outros “maldigam os pobres” e os discriminem
em ambientes públicos. Se eu faço isso, então eu sou um criminoso. Violo um
artigo da Constituição e da lei 7.716, alterada pela lei 9.459. Vale dizer:
transgrido a Carta Magna do meu país e cometo um crime previsto em lei.
ENTÃO O SR. CANTALICE VAI TER DE PROVAR O QUE DIZ. ELE VAI TER DE DIZER
EM QUE ARTIGO E EM QUE MOMENTO EU PREGUEI A DISCRIMINAÇÃO CONTRA OS
POBRES.
Para esclarecer a questão constitucional e legal.
Estabelece o Inciso XLI da Constituição:
“XLI – a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais”.
Define a Lei 7.716,
depois de alterada pela 9.459:
“Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
Pena: reclusão de um a três anos e multa.(Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
Como sabem os advogados, a discriminação por condição
econômica tem sido considerada pelos juízes da mesma natureza das categorias
acima previstas. Assim, o sr. Cantalice acusa esse grupo de jornalistas de
cometer crimes que rendem até três anos de prisão. Vai ter de provar. Se não
provar, incorre no crime de calúnia e difamação.
Atenção! Este senhor é o “coordenador da redes sociais
DO partido”, entenderam? Não é que ele seja o coordenador do partido para as
redes sociais. Não!!! Levadas as palavras ao pé da letra, os petistas julgam já
ter privatizado as redes sociais. Não deixa de ser verdade.
O sr. Cantalice vai mais longe, Ele descobriu que esse
grupo de jornalistas — e vejam quanto poder ele nos confere — é responsável pela
vaia que Dilma levou nos estádios. Também ele recorre à metáfora canina para nos
designar. Leiam:
Muito bem! Vocês sabem o que isso significa: quando o
maior partido político do país, que tem, de fato, milhares de seguidores —
alguns deles podem estar dispostos ao tudo ou nada — nomeia um grupo restrito de
jornalistas como propagador do ódio, acusando-o, adicionalmente, de responsável
por vaiais e xingamentos de que foi alvo a presidente Dilma, isso corresponde,
me parece, a um convite a uma ação direta.
Não é segredo para ninguém que certo tipo de militância
não precisa de palavras explícitas para agir. O sr. Cantalice está pondo em
risco a segurança de profissionais da imprensa. Talvez queira isto mesmo: calar
a divergência por intermédio da inimidação e do terror. Que este post sirva de
alerta à Polícia Federal e ao Ministério Público. Evidentemente, nenhum de nós
deve esperar a solidariedade e o protesto de entidades de defesa da categoria.
Sabem por quê? Porque os respectivos comandos da maioria delas pensam a mesma
coisa. Também elas acham que deveríamos ser proibidos de escrever o que
escrevemos, de falar o que falamos, de pensar o que pensamos. IMAGINEM O QUE
ACONTECERIA SE UM GRUPO OU UMA ENTIDADE CONSIDERADOS DE DIREITA TORNASSE PÚBLICA
UMA LISTA DE DESAFETOS. O MUNDO VIRIA ABAIXO. O PT repete a tática da ditadura
militar e resolveu espalhar no mural da rede os nomes e as fotografias dos
“Procurados”.
Bando de fascistas!
O petismo é a mais perfeita definição do que muitos chamam nos EUA de “fascismo de esquerda”. Qualquer pessoa que tenha lido o que escrevemos ou ouvido o que falamos sabe que pensamos coisas distintas sobre um monte de assunto. Nunca nem mesmo conversei com Guilherme Fiuza, por exemplo. Duvido que Arnaldo Jabor queira papo comigo.
Com isso, estou deixando claro que não formamos um grupo.
Pode ser que os petistas estejam acostumados a conversar com quadrilheiros
disfarçados de jornalistas. Não é o caso.
Eu, sim, acuso o governo do seu
partido, sr. Cantalice, de financiar com dinheiro público páginas na Internet e
blogs cujo propósito é difamar a imprensa independente, as lideranças da
oposição e membros do Poder Judiciário que não fazem as vontades do PT. E o
senhor certamente não vai contestar porque é
autodemonstrável.
O PT começou a sua trajetória no poder hostilizando a
imprensa que não se limitava a prestar assessoria ao partido. Depois, passou a
financiar o subjornalismo “livre como um táxi”. Aí tentou (e tenta ainda) criar
mecanismos de censura. Agora, já chega ao ponto de estimular, ainda que de modo
oblíquo, a agressão aos profissionais que não rezam segundo a sua cartilha. A
esmagadora maioria da categoria vai silenciar — até porque alguns fazem esse
mesmo trabalho em suas respectivas colunas, não é mesmo? Ok. Hoje, somos nós.
Amanhã, chegará a vez de vocês. É simples assim. E é sempre assim.
Vaias
Eu sou responsável pelas vaias? Eu não! Quem estimulou as manifestações de rua em junho foi o PT. Eu sempre as critiquei. Ademais, sabem o que motiva vaia em estádio, meu senhor? Eu conto: roubalheira, safadeza, associação com o PCC.
Sem contar que quero encontrar cara a cara com esse
sujeito num tribunal. Quero perguntar quais são as suas credenciais e sua origem
para falar em nome do povo. Quero opor as minhas às suas. Quero lhe dizer que o
governo que ele representa financiou, por exemplo, a ação de sem-terra e índios
que resultou em policiais feridos em Brasília. Quero lhe dizer que seus aliados
deram suporte a coisas como a “Mídia Ninja” na esperança de que os alvos seriam
os adversários. O tiro saiu pela culatra, a despeito das intenções da
turma.
O sr. Cantalice quer saber onde estão os responsáveis
pela hostilidade a Dilma nos estádios? Comece por se olhar no espelho. O PT
estimula a desordem. O PT estimula o desrespeito às leis. O PT estimula o
desrespeito a qualquer hierarquia. O PT estimula o desrespeito até mesmo à
organização familiar. O partido esperava escapar do clima que ele próprio
criou?
De resto, se as hostilidades a Dilma foram um “gol
contra” dos que não gostam dela e se a maioria “abominam” (sic) aquele
comportamento, o sr. Cantalice deveria estar contente, não é mesmo? O PT está
empenhado em fazer do limão uma limonada. Ao isolar o grupo dos “jornalistas do
mal”, ameaça, na prática, todos os outros. É como se dissesse: “Comportem-se, ou
vocês vão entrar na lista negra”. E, claro!, muita gente vai se comportar e
ainda achar pouco!
É claro que fico preocupado quando lembro que o sr.
Cantalice pertence ao partido de Celso Daniel. Terei, é certo, de tomar as
devidas providências para a minha segurança. E acho que os outros devem fazer a
mesma coisa.

