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Índice Merval recuou após a recusa da Justiça dos Estados Unidos em ouvir o recurso argentino contra o pagamento de 1,33 bilhão de dólares a fundos credores
Presidente Cristina Kirchner deverá fazer um pronunciamento na noite desta segunda (Enrique Marcarian/Reuters)
O índice Merval da Bolsa de Buenos Aires desabou nesta segunda-feira e fechou o dia em queda de 10,09%, aos 7.235,11 pontos, numa reação dos investidores a uma decisão negativa para a Argentina na Suprema Corte dos Estados Unidos. A Justiça recusou-se a ouvir o recurso do país latino-americano para tentar evitar o pagamento de 1,33 bilhão de dólares a credores de fundos de hedge que detém papéis da dívida argentina — também chamados de "fundos abutres". Sem mais comentários, o tribunal manteve as decisões de instância inferior, da Justiça de Nova York, e ordenou que a Argentina comece a pagar a soma bilionária. O governo de Cristina Kirchner já havia advertido que daria o calote em sua dívida soberana se fosse obrigado a pagar o valor integral.
O volume de ações negociadas totalizou 335,6 milhões de pesos (41,1 milhões de reais), com 73 baixas, quatro altas e quatro títulos estáveis. No mercado de câmbio, o preço do dólar se manteve estável e fechou a 8,03 pesos para a compra e a 8,13 pesos para a venda.
ENTENDA O CASO
A briga do governo argentino com os "fundos abutres" tem origem no calote histórico da Argentina de sua dívida em 2001. Após o default, o governo argentino negociou a troca de títulos em 2005 e em 2010, o que permitiu que o país postergasse sua dívida. Com isso, em torno de 93% dos títulos da dívida foram trocados. No entanto, credores do fundo NML Capital - os chamados "fundos abutres" - não aceitaram a proposta do governo argentino e exigem o pagamento da dívida.Se a Argentina continuar a postergar o pagamento da dívida, autoridades dos EUA podem impedir o pagamento integral aos credores titulares de títulos reestruturados, mesmo que o país seja capaz de honrá-los. Isso poderia resultar em default antes de 30 de junho, quando os pagamentos são feitos.
O risco-país argentino, medido pelo índice JP Morgan EMBI+, subiu cerca de 10 pontos básicos após a decisão da Corte. Os investidores não esperavam a decisão desfavorável do tribunal. "É um cenário muito prejudicial para a Argentina", disse Marco Lavagna, da consultoria Ecolatina, notando que a forma como os tribunais implementaram suas decisões foi fundamental.
A Argentina está tentando evitar o pagamento integral a credores liderados pelos fundos de hedge Aurelius Capital Management e NML Capital Ltd, unidade do Elliott Management Corp, do bilionário Paul Singer. O governo local ainda não comentou a decisão, mas a agência de notícias estatal Telam informa que a presidente Cristina Kirchner faria pronunciamento na TV nesta noite